Saúde metabólica começa na cama
Entenda como a qualidade do sono influencia seu bem-estar
Entenda como a qualidade do sono influencia o controle do peso, da glicemia, dos hormônios e ajuda a prevenir doenças como obesidade, diabetes e problemas cardiovasculares
Durante muito tempo, a alimentação equilibrada e a prática regular de atividade física ocuparam o centro das discussões sobre prevenção de doenças e qualidade de vida. Embora esses dois pilares continuem indispensáveis, a ciência tem demonstrado que existe um terceiro fator igualmente importante para o bom funcionamento do organismo: o sono. Muito além de proporcionar descanso físico e mental, dormir bem é um processo biológico essencial para a regulação do metabolismo, do sistema hormonal e da saúde cardiovascular.
A chamada saúde metabólica representa o equilíbrio dos mecanismos responsáveis por transformar os alimentos em energia, controlar a glicemia, regular a pressão arterial, manter níveis adequados de colesterol e triglicerídeos e preservar uma composição corporal saudável. Quando esses processos funcionam de forma integrada, o organismo reduz o risco de desenvolver doenças como obesidade, diabetes tipo 2, hipertensão arterial, esteatose hepática e doenças cardiovasculares. É justamente durante o sono que grande parte desse equilíbrio acontece. Enquanto o corpo descansa, uma série de processos fisiológicos entram em ação para reparar tecidos, regular hormônios, fortalecer o sistema imunológico e reorganizar funções essenciais ao metabolismo.
Hormônios - Entre os hormônios diretamente influenciados pelo sono estão a leptina e a grelina, responsáveis pelo controle da saciedade e da fome. Quando uma pessoa dorme o tempo necessário e com qualidade, esses hormônios permanecem em equilíbrio, facilitando o controle do apetite. Já noites mal dormidas aumentam a produção de grelina e reduzem a leptina, fazendo com que o organismo envie sinais de fome com maior frequência e diminua a sensação de saciedade. Esse desequilíbrio ajuda a explicar por que pessoas privadas de sono tendem a consumir alimentos mais calóricos, ricos em açúcar e gordura. Além do aumento do apetite, o cansaço reduz a disposição para a prática de exercícios físicos e favorece escolhas alimentares menos saudáveis, criando um cenário propício para o ganho de peso.
Cortisol - A privação crônica de sono também está associada ao aumento dos níveis de cortisol, conhecido como hormônio do estresse. Quando permanece elevado por longos períodos, o cortisol favorece o acúmulo de gordura abdominal, aumenta processos inflamatórios e dificulta o controle da glicemia. Paralelamente, o organismo passa a responder de maneira menos eficiente à ação da insulina, condição conhecida como resistência insulínica, considerada um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento do diabetes tipo 2 e da síndrome metabólica.
Outro aspecto importante é que a relação entre sono e metabolismo ocorre em duas vias. Da mesma forma que dormir mal prejudica a saúde metabólica, alterações metabólicas também comprometem a qualidade do sono. Pessoas com obesidade apresentam maior risco de desenvolver apneia obstrutiva do sono, distúrbio caracterizado por interrupções repetidas da respiração durante a noite. Essas pausas reduzem a oxigenação do organismo, fragmentam o sono e impedem que o corpo realize adequadamente seus processos de recuperação A apneia está relacionada ao aumento da pressão arterial, maior risco de doenças cardiovasculares, dificuldades para controlar o diabetes e redução da qualidade de vida. Em muitos casos, o paciente acorda cansado mesmo após várias horas de sono, apresentando sonolência durante o dia, dificuldade de concentração, alterações de humor e queda no desempenho profissional e nas atividades físicas.
Nesse contexto, especialistas defendem uma abordagem integrada da saúde metabólica. Alimentação equilibrada, atividade física regular, manejo do estresse e sono de qualidade não devem ser vistos como estratégias isoladas, mas como pilares complementares de um mesmo estilo de vida saudável. Nenhum deles, sozinho, é capaz de compensar a ausência dos demais.
Medidas - Manter horários regulares para dormir e acordar, evitar o uso de celulares e outros dispositivos eletrônicos antes de deitar, reduzir o consumo de cafeína e bebidas alcoólicas no período noturno, praticar exercícios físicos regularmente e criar um ambiente silencioso, escuro e confortável são medidas que favorecem um sono mais reparador. É durante a noite que o organismo reorganiza funções essenciais para que o corpo desperte preparado para enfrentar os desafios do dia com mais equilíbrio, energia e saúde.
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Acontece
Padre Arlindo reúne esporte, fé e solidariedade em manhã de atividades em Tamandaré
Caminhada, corrida, ciclismo e aula de zumba marcarão o encerramento da quinta edição do Dia da Solidariedade, promovido pelo Instituto Padre Arlindo, no próximo domingo (19), em Tamandaré. A programação gratuita, intitulada Tamandaré em Movimento, será realizada das 5h às 9h, no Forte de Santo Inácio de Loyola, reunindo moradores e visitantes em uma manhã voltada à promoção da saúde, da integração e da qualidade de vida. Celebrado no aniversário do Padre Arlindo, o evento reforça a união entre esporte, fé e compromisso social. "Solidariedade também é incentivar as pessoas a cuidarem de si. Quando promovemos saúde, convivência e qualidade de vida, estamos fortalecendo toda a comunidade", destaca o sacerdote. A iniciativa encerra três dias de ações sociais que mobilizam voluntários, profissionais de saúde e instituições parceiras em benefício da população.
Recife recebe encontro sobre gestão e empreendedorismo na odontologia
Cirurgiões-dentistas e gestores de clínicas odontológicas terão a oportunidade de participar, no próximo 16 de julho, do encontro A Nova Odontologia, que será realizado no Hotel Luzeiros Recife. O evento reunirá o dentista e empresário Cristiano Demartini, CEO da OdontoTop e fundador da OdontoElite, para discutir temas como gestão financeira, liderança de equipes, organização de processos, experiência do paciente e estratégias para o crescimento sustentável de clínicas e consultórios. A programação é voltada a profissionais que desejam aprimorar a gestão dos negócios e acompanhar as transformações do mercado odontológico.
Serviço
Evento: A Nova Odontologia
Data: 16 de julho de 2026
Local: Hotel Luzeiros Recife – Sala Macaraípe
Endereço: Rua Barão de Santo Ângelo, 100, Pina, Recife (PE)
Inscrições: As inscrições podem ser realizadas pelo site https://recife.escoladaodontologia.com.br/.
Minicursos gratuitos na UNIT
Fotografia em Odontologia, reaproveitamento de alimentos: cascas, talos e sementes, como a Fisioterapia recupera movimento, autonomia e qualidade de vida e como interpretar exames laboratoriais na prática clínica estão entre os temas de saúde, que integram a programação da Imersão Unit. São 18 minicursos gratuitos e abertos a profissionais e estudantes interessados nos temas. Realizado pelo Centro Universitário Tiradentes (Unit), o evento acontece de segunda (13/07) até o dia 24 de julho, no campus localizado na Imbiribeira, ao lado do Geraldão. As atividades serão conduzidas por mestres, doutores e especialistas convidados do mercado. Inscrições e programação completa no site: https://www.unit.br/imersao. As vagas são limitadas.
Julho Verde: câncer de cabeça e pescoço pode comprometer fala, respiração e alimentação quando não diagnosticado precocemente
| No Brasil, quase 80% dos casos de câncer de cabeça e pescoço são diagnosticados em estágio avançado, segundo o INCA
Foto: Divulgação
Problemas na fala, respiração, mastigação e na capacidade de engolir. Essas são algumas das principais consequências do câncer de cabeça e pescoço, já que a doença afeta diretamente as estruturas responsáveis por essas funções. Por provocar tantos impactos no dia a dia do paciente, além de exigir tratamentos mais agressivos quando não é diagnosticada de forma precoce, o mês de julho, marcado pela campanha Julho Verde, é dedicado à conscientização da população sobre a prevenção, diagnóstico precoce e formas de tratamento do câncer de cabeça e pescoço.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil está entre os países com maior número de casos de tumores de cabeça e pescoço. Em estudo divulgado em 2025 pelo Instituto, com base em dados de 2000 a 2017, foi constatado que 78,2% dos pacientes recebem o diagnóstico quando a doença já se encontra nos estágios III ou IV, reduzindo as chances de cura e exigindo intervenções mais agressivas.
O oncologista Bruno Pacheco, do Hospital Santa Joana Recife, da Rede Américas, explica que este tipo de câncer é um conjunto de tumores que podem surgir em diferentes regiões do organismo. "A cabeça e o pescoço englobam a região cervical e outras regiões extremamente importantes. Temos boca, língua, garganta, faringe e até áreas da pele próximas ao nariz e aos olhos. São estruturas fundamentais para a fala, a respiração e a deglutição. Por isso, quando acometidas pela doença, os sintomas costumam ser muito intensos", explica.
De acordo com o especialista, os pacientes frequentemente apresentam dor ao engolir, dificuldade para respirar e até para ingerir líquidos, comprometendo significativamente a qualidade de vida. "Boca, língua e garganta são regiões que trazem muitos sintomas. Além disso, o próprio tratamento também provoca sintomas importantes. Para alcançar a cura, o paciente geralmente enfrenta um período difícil por causa dos efeitos relacionados a essas áreas", relata.
Mudança na lista de fatores de risco chama atenção
Durante muitos anos, o tabagismo e o consumo excessivo de bebidas alcoólicas foram considerados os principais responsáveis pelo surgimento desses tumores. No entanto, esse cenário vem mudando. Segundo o oncologista, as campanhas antitabagismo contribuíram para reduzir parte dos casos relacionados ao cigarro e ao álcool, enquanto a infecção pelo HPV passou a ganhar maior importância.
"O tabagismo e o álcool sempre foram os grandes causadores do câncer de cabeça e pescoço. Entretanto, com as campanhas, como o próprio Julho Verde e o acesso à informação, os casos relacionados a esses fatores diminuíram, enquanto os associados ao HPV aumentaram. Hoje, uma das principais causas é o HPV, que pode provocar alterações nas células e favorecer o surgimento de tumores nessas regiões", alerta Bruno Pacheco.
Nesse cenário, uma palavra surge como aliada no combate a esse tipo de câncer: a imunização. "A vacinação contra o HPV é fundamental porque protege não apenas contra os cânceres do colo do útero, do pênis e do ânus, mas também contra diversos tipos de câncer de cabeça e pescoço", reforça o oncologista.
Quando é necessário ficar atento?
O diagnóstico precoce é um dos principais aliados no combate a qualquer tipo de câncer, e com o de cabeça e pescoço não é diferente. Quanto mais cedo a doença é identificada, maiores são as chances de sucesso nos cuidados médicos e menores os impactos para o paciente.
"Quanto mais rápido diagnosticarmos o câncer de cabeça e pescoço, maior será a chance de cura. O tratamento tende a ser menos invasivo, menos complicado e menos tóxico. Quando o diagnóstico acontece tardiamente, as intervenções costumam ser mais agressivas e com menores chances de cura".
Segundo estudo do INCA, a proporção de casos avançados varia conforme o local do tumor. Na hipofaringe, a chance de o paciente chegar ao atendimento especializado já em estágio avançado é de 91,3%; na orofaringe, de 86,6%; na cavidade oral, de 75,1%; e, na laringe, de 69,5%.
Sinais de alerta e prevenção: ao que é preciso ficar atento?
A boca, língua e garganta são as partes do corpo que sofrem alguns sinais de alerta que não podem ser ignorados. "Feridas na boca que não cicatrizam por mais de um mês, que sangram ou aumentam de tamanho precisam ser avaliadas por um profissional de saúde o quanto antes. Quanto mais cedo o paciente procurar atendimento, melhores serão as perspectivas de tratamento", alerta o oncologista. Além da conscientização da população, o especialista destaca o papel dos profissionais de saúde na identificação precoce da doença. "É importante investir em educação, tanto para os pacientes quanto para profissionais como dentistas, fonoaudiólogos e médicos, para que esses sinais sejam reconhecidos precocemente", afirma.
Embora a vacinação contra o HPV seja uma das principais formas de prevenção, outros hábitos saudáveis também ajudam a reduzir o risco da doença. "As principais medidas de prevenção incluem a vacinação contra o HPV, a boa higiene bucal, a prática de atividade física, o abandono do tabagismo e a não ingestão excessiva de bebidas alcoólicas. Além disso, quanto mais informação a população tiver, mais cedo as pessoas procurarão atendimento médico, permitindo um diagnóstico precoce e aumentando as chances de cura", finaliza Bruno Pacheco.
Colaboração: jornalista Jademilson Silva



