A exposição 'A alma humana, você e o universo de Jung' chega ao Recife
Instituto MHM traz a mostra, que é um convite ao autoconhecimento por meio da arte
Nesta quarta-feira (08), às 19h, o Instituto MHM realiza a noite de estreia para convidados da exposição 'A alma humana, você e o universo de Jung', que chega ao Recife após grande sucesso em São Paulo. A mostra é um convite ao autoconhecimento por meio da arte, reunindo instalações, reflexões e experiências inspiradas no universo do psiquiatra Carl Gustav Jung.
Autoconhecimento
Quem poderia imaginar que uma exposição, cujo objetivo é convidar o visitante ao autoconhecimento, inspirada na obra do psiquiatra suíço Carl Jung (1875 – 1961), mobilizaria mais de 93 mil pessoas em São Paulo, conquistando duas prorrogações no MIS – Museu da Imagem e do Som, um dos mais relevantes do Brasil? Este é o feito de 'A alma humana, você e o universo de Jung', que será inaugurada para o público na quinta-feira.
“O objetivo da mostra está totalmente alinhado ao trabalho que realizamos no Instituto Marcos Hacker de Melo que tem o propósito de desenvolvimento humano e transformação de vidas”, afirma Maria Aparecida Hacker de Melo, fundadora da instituição que tem o nome de seu filho Marcos (1986– 2020).
A exposição foi recriada para que o visitante possa percorrer a psique humana de forma simbólica e imagética, por meio de instalações criadas para dialogar em três diferentes dimensões: a pedagógica, já que os conceitos criados ou trabalhados por Jung serão explicados de forma acessível; a sensorial, tendo em vista que cada instalação artística pode provocar sensações no visitante; e ainda a provocativa, já que sempre haverá uma pergunta convidando o público à introspecção, movimento necessário para o autoconhecimento. Todos os conteúdos foram inspirados na cosmovisão de Carl Jung (1875 – 1961), psiquiatra suíço fundador da Psicologia Analítica e são validados pela curadoria do Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa – IJEP, fundado por Waldemar Magaldi e Simone Magaldi.
Para a idealizadora e realizadora da exposição, Luciana Branco, é emocionante ver a iniciativa pegar a estrada pelo Brasil, depois de tamanho sucesso em São Paulo.
“Temos recebido centenas de pedidos de itinerância do público de todo o Brasil. Estamos muito felizes em iniciar essa viagem por Recife, em um instituto ligado ao desenvolvimento humano”.
Segundo Luciana, se estivesse vivo, Jung nos ajudaria a entender muitos dos nossos desafios contemporâneos. Isso porque o pensamento junguiano oferece à humanidade uma perspectiva de mundo integrado.
“Não há indivíduo sem sociedade, consciência sem inconsciente, dor sem prazer, sintoma sem cura. Luz e sombra coexistem e é a partir da integração dos opostos que se pode vislumbrar uma vida digna de ser vivida na inteireza e em prol de todos”, afirma.
Assinam a criação da exposição, ao lado de Luciana, Flavio Vieira e Camila Whitaker. A produção executiva é de Naiclê Leônidas.
Ansiedade
Segundo estimativa global da OMS, o Brasil é o país com maior proporção de pessoas ansiosas do mundo, o que representa 9,3% da população,além de ser o segundo das Américas com maior prevalência de depressão. Para a mais contemporânea psiquiatria, passando pelos métodos heterodoxos de cura e ainda pelas mais antigas filosofias, o autoconhecimento é passo fundamental no reestabelecimento da saúde mental.
Na exposição, é a partir dos sintomas que o visitante vai entrar na psique humana. Isso porque, para Jung, tudo o que vive no inconsciente encontra uma forma de se manifestar. E o inconsciente costuma manifestar-se por meio dos sonhos, das sincronicidades, das expressões simbólicas e também pelos sintomas físicos, psíquicos, sociais e ambientais.
“A psicologia de Jung nos ajuda a perceber que o que chamamos de ‘vida comum’ — aquela cheia de tarefas e desafios diários — na verdade, pode ser uma porta para o inconsciente e seus mistérios. Ao englobarmos isso, podemos viver de forma mais harmoniosa, aberta e cheia de sentido”, afirmam os curadores Waldemar e Simone Magaldi, no texto de abertura.
O percurso da mostra
Para investigar simbolicamente a alma humana, o time de criadores da exposição convidou artistas e pensadores brasileiros diversos para a produção das obras. Em Sintomas, o público vai escolher por qual caminho seguir (se livrando-se rapidamente deles ou se dialogando com os mesmos). Neste espaço, encontra frase emblemática de Tom Zé; no Inconsciente, o público conhece o conceito pela perspectiva junguiana e o que o diferencia de Freud. Na continuação desse espaço, encontra outros importantes fundamentos da obra de Jung, como Arquétipos e Imagens Arquetípicas (representados por obra deViera de Xangô); Mitos, quando um mesmo tema será retratado em cinco diferentes culturas e tradições (em obra de Tania Sassioto em parceria com a analista junguiana Daniela Euzébio); além de Anima e Animus, uma vídeo arte criada por Flavio Vieira em vídeo desenvolvido por Inteligência Artificial em parceria com a Treehouz.
O percurso da exposição segue com o conceito de Sombras (com obra de Moara Tupinambá) e Complexos, este representado em uma vídeo-dança da bailarina Vanessa Hassegawa com influência da analista junguiana Ana Paula Maluf. A instalação Persona é uma obra criada com o trabalho de produção de 1125 máscaras de gesso, realizadas voluntariamente pelos estudantes do IJEP; Ego encontra na exposição representação regional da artista artesã Neide Lopes; em Expressões Simbólicas o visitante vai conhecer o trabalho integrado da psiquiatra brasileira Nise da Silveira com Jung; a ferramenta analítica de Associação de Palavras ganha representação simbólica e interativa, criada pela Tigor. A instalação sobre Sonhos conta com reflexões de Sueli Carneiro, Ailton Krenak, entre outros.
Um corredor foi dedicado à Alquimia, no qual o visitante encontra a obra Decantador de Sonhos,de Mariana Guardani e ilustrações do RosariumPhiloshoporum, manual alquímico do século XVI, recriadas pela aquarelista Isabela Amado e com textos explicativos da psiquiatra e analista junguiana Célia Mello. A biografia de Jung é contada por fatos, mas também pelas viagens que realizou, simbolizada em uma escultura em forma de trança, criada por Camila Whitaker.
Presença pernambucana
Reconhecida como uma das principais mestras do mamulengo em Pernambuco, a artista Marinês Teresa do Nascimento Silva, conhecida como Neide Lopes, é um dos nomes convidados da exposição. Para a mostra, a artesã criou um mamulengo original que reúne características femininas e masculinas, para representar, simbolicamente, o Ego.
“Estou imensamente honrada por ter uma peça minha fazendo parte dessa exposição em homenagem a Jung. É uma mostra que reúne arte, cultura e ilustrações representando o imaginário e o mundo da fantasia, onde esse universo ganha cores e formas e nos leva a refletir sobre a criatividade e o imaginário de cada ser humano”, destaca.
A exposição conta ainda com instalações relacionadas ao conceito de Sincronicidade e ao O Livro Vermelho, ambas com obras do artista carnavalesco Victor Santos. O Instituto MHM fica na Rua Tenente João Cícero, 258 – Boa Viagem.



