Em busca da equidade de gênero para conquistar uma sociedade mais justa

A equidade de gênero no mercado de trabalho é um tema que, assim como a sustentabilidade, já se consolidou como tendência das grandes empresas. Já sabemos que a diversidade é um poderoso fator de criatividade, produtividade e qualidade para o sucesso das instituições. A questão é como chegar lá e como as empresas podem colaborar para uma sociedade mais justa. 

Lucratividade
O estudo da Mckinsey & Company, “Diversidade como alavanca de performance”, feito em mais de 1.000 empresas distribuídas por mais de 12 países, comprovou que as empresas que têm equidade de gênero na alta liderança tem até 22% e 23% mais propensão à lucratividade. 

Diferenças
“Quando falamos de vantagem competitiva e empresas com alta performance, ter pessoas diferentes, com pontos de vistas diferentes, maneiras de gestão diferentes, olhar de soluções e gestão de riscos diferentes, ampliam a probabilidade da empresa ter êxito e ser bem sucedida”, explica Liliane Rocha (foto 1), CEO da Gestão Kairós, consultoria em Sustentabilidade e Diversidade e premiada com o 101 Top Global Diversity and Inclusion Leaders.

Pesquisa

Segundo pesquisa do Ethos "500 maiores empresas", os negros são 4,7% das lideranças das 500 maiores empresas brasileiras e as mulheres negras representam apenas 0,4% dessa liderança, apesar de 56% da população ser composta por negros.

Competitiva

“Num contexto da sociedade brasileira onde 52% da população é composta por mulheres, a pergunta que faço é: cadê essas mulheres na liderança das 500 maiores empresas brasileiras, por exemplo? Hoje os estudos apontam 13% de mulheres na alta liderança e 0,4% de mulheres negras na alta liderança. Então, quando as empresas resolvem apostar na liderança de mulheres, elas estão apostando na construção de uma empresa mais competitiva e numa sociedade mais justa”, complementa a paulistana e autora do livro “Como ser um líder Inclusivo”. 

No Senado

Tramita no Senado o Projeto de Lei 2538/2020, que prima pela mobilização da população afrodescendente visando à igualdade de gênero e raça na participação em empreendimentos e no mercado de trabalho, com destaque à necessidade de apoio às mulheres negras que empreendem. Tal como acontece com a população como um todo, elas representam hoje a metade das donas de negócios no país. 

Criativas

“As mulheres têm habilidades, um olhar mais sensível e humano. São mais flexíveis, colaboram sempre, além de serem criativas e inovadoras”, afirma a consultora em gestão de pessoas e processos, Nathiene Alencar (foto 2). Segundo a coach, o que temos até hoje é uma política formada predominantemente por homens e por empresas em que as presidências são formadas em grande parte por eles.

A coach comenta sobre o tema

Empoderamento

“Essas discussões são permanentes e devem estar, indispensavelmente, no topo da agenda de prioridade das lideranças  das empresas e governantes”, complementa. Para ela, o caminho é empoderar as mulheres e promover a equidade de gênero em todas as atividades sociais e da economia.

Pandemia

“Nesse período, há o desafio de se reinventar. Todos falam sobre se reinventar e muitos acham que é fazer lives. Na verdade, é muito mais do que isso. Precisamos desenvolver a capacidade de compreender as mudanças que estão acontecendo; o novo mundo que se descortina; como ele impacta em particular a população negra do País e, a partir disso, construir novas estratégias, formas de ser e fazer negócios”, afirma a empresária Liliane Rocha. 

Guerra biológica

Para buscar a prosperidade nos negócios neste período de pandemia, Liliane reforça a importância de revisar contas, economizar e otimizar recursos. “Este momento que estamos vivendo, certamente devido à quantidade de mortes, ao cenário político e econômico, e às incertezas, poderia ser uma analogia comparada a uma guerra. Neste sentido, é fundamental que cada empreendedor negro e negra tenha clareza do que representa ser negro no País, de como esse cenário pode vir a nos afetar, do que é racismo estrutural. Somente assim, conseguimos somar esforços, planejar de acordo com o cenário, e garantir uma intelectualidade negra atuante no Brasil, que assegure a construção de uma perspectiva de cenário de negócios que resguarde essa parte da população”, complementa.

Pós-pandemia

Para o período pós-pandemia, Liliane tem o olhar da esperança dos negros serem protagonistas, inventarem e criarem o futuro, encarando as mazelas históricas do Brasil.

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