Entrevista exclusiva com Liliane Rocha, premiada com o '101 Top Global Diversity and Inclusion Leaders

Neste primeiro dia do mês das mulheres, a coluna da TV Aurora convidou para uma rápida entrevista, Liliane Rocha (https://www.instagram.com/lilianerochaoficial/), CEO e Fundadora da Gestão Kairós, consultoria em Sustentabilidade e Diversidade; autora do livro “Como ser um líder Inclusivo” e premiada com o '101 Top Global Diversity and Inclusion Leaders'. A conversa é uma prévia do que será a live que será transmitida, nesta quinta-feira (04/03), às 17h, ao vivo no Instagram da TV Aurora (https://www.instagram.com/tvaurora_/). 
 
A TV Aurora inicia o mês de março com o olhar sobre o tema 'Equidade de Gênero na  Sociedade e no Mercado de Trabalho'. Já sabemos que a diversidade nas empresas é um poderoso fator de criatividade, produtividade e qualidade para o sucesso das instituições. A questão é como chegar lá e como as empresas podem colaborar para uma sociedade mais justa.

Durante a conversa, Liliane ressaltou os dados alarmantes de 56% da população ser composta por negros, olhar para as 500 maiores empresas brasileiras e ver na liderança só 4,7% de negros. A empreededora que tem seu trabalho voltado para a diversidade, lembrou de histórias e pessoas privadas do direito à vida, como por exemplo, João Alberto, morto no ano passado. Abordamos também os dados motivadores da Mckinsey & Company, sobre as empresas que têm equidade de gênero na alta liderança: elas têm até 22% e 23% mais propensão à lucratividade. 

Iniciamos esse bate-papo com Liliane por aqui e daremos continuidade na live desta quinta-feira (04/03). Até lá!
 
Quais os pilares básicos que uma empresa deve seguir para construir um mundo mais justo e igualitário? 

É complexo falar de pilares básicos em um tema tão cheio de nuances como diversidade e inclusão, mas o que eu falo para os clientes da Gestão Kairós é que é muito importante fazer um diagnóstico para entender em que momento, com que configuração a empresa se encontra quando a gente fala de diversidade e inclusão, ou seja, a empresa está num estágio de maturidade baixo, médio ou alto, ou médio avançado. 

Saber o censo demográfico da empresa, qual é a percepção do público interno para o tema diversidade e inclusão, essas são algumas etapas muito importantes do diagnóstico e a partir disso ter um parâmetro se a empresa reflete a demografia da sociedade brasileira em seus quadros, com a demografia das 500 maiores empresas, porque tudo isso nos mostra o estágio de maturidade da diversidade dentro dessas empresas. 

E aí a gente entra com um processo de planejamento estruturado, tudo na empresa tem que criar indicadores para medir resultados para a diversidade de curto, médio e longo prazos, e transversalmente, desenvolver ferramentas de educação para a diversidade, já que as pessoas precisam entender do que estamos falando quando abordamos o tema diversidade empresarial e o mais importante, porque este tema vai impactar no sucesso da empresa.
 

O que lhe inspira e engaja na luta contra a disparidade racial?

O que me engaja na luta para equidade racial é olhar hoje para a sociedade brasileira e saber que 56% da população é composta por negros, mas no Congresso ter somente 17% de negros e olhar para as 500 maiores empresas brasileiras e ver na liderança só 4,7% de negros, é olhar para o contexto social e ver tantas histórias e pessoas privadas do direito à vida, por exemplo o João Alberto que foi morto no ano passado. 

Então, quando eu olho esses conceitos de desigualdade e penso em que sociedade seria possível que nós tivéssemos no ano de 2021, a gente sabe que estamos bem atrasados. Karl Marx dizia que continuávamos na pré história, porque ele dizia que para ser história e não pré história o ser humano precisaria ter igualdade e equidade

Esse ponto é preciso ser marcado aqui, a gente luta porque acredita numa outra sociedade possível e para alcançar essa sociedade possível  - que já devia ter sido alcançada há bastante tempo -  mas é isso, estamos correndo e temos muita pressa para construir essa sociedade possível.
 
Por que as empresas devem apostar numa liderança com mulheres? 

Aqui temos alguns pontos quando falamos em apostar na liderança de mulheres. O primeiro e mais básico talvez sejam os estudos de vantagem competitiva já realizados, um deles é o da Mckinsey & Company, “Diversidade como alavanca de performance”, feito em mais de 1.000 empresas, distribuídas por mais de 12 países, que comprovou que as empresas que têm equidade de gênero na alta liderança tem até 22% e 23% mais propensão à lucratividade. 

Então, quando falamos de vantagem competitiva e empresas com alta performance, ter pessoas diferentes, com pontos de vistas diferentes, maneiras de gestão diferentes, olhar de soluções e gestão de riscos diferentes, ampliam a probabilidade da empresa ter êxito e ser bem sucedida.

E aí temos um outro ponto que é falar de justiça social, ou seja, num contexto da sociedade brasileira onde 52% da população é composta por mulheres, a pergunta que faço é: cadê essas mulheres na liderança das 500 maiores empresas brasileiras por exemplo?

Hoje os estudos apontam 13% de mulheres na alta liderança e 0,4% de mulheres negras na alta liderança, então quando as empresas resolvem apostar na liderança de mulheres, elas estão apostando na construção de uma empresa mais competitiva e numa sociedade mais justa
 
 

 

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