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Vozes e gerações

No Império e na República, as vozes de Pernambuco sempre foram ouvidas

Acordo do Campo, em 1962, entre empresários e camponeses, foi selado no tapete do Palácio do Campo das PrincesasAcordo do Campo, em 1962, entre empresários e camponeses, foi selado no tapete do Palácio do Campo das Princesas - Yacy Ribeiro/Secom

As vozes de Pernambuco sempre foram ouvidas. No Império e na República. Na época imperial, foi insurgente. Com Frei Caneca. Embora fosse ouvida a voz ponderada do Marquês de Olinda. E, por isso, nosso território foi amputado. Na era republicana, aprendida a lição, fomos politicamente mais negociadores. E socialmente reformistas. Chegando a selar o Acordo do Campo, em 1962, entre empresários e camponeses, no tapete do Palácio do Campo das Princesas.

Entre final do Império e início da República, duas vozes ecoavam: Joaquim Nabuco e Barbosa Lima Sobrinho. Nabuco, conservador na convicção e liberal no social. Proprietário rural e líder abolicionista. Aceitou ser embaixador, em 1909, no regime republicano. Barbosa Lima Sobrinho foi governador. E aceitou ser anticandidato a vice-presidente da República, na chapa do anticandidato, Ulysses Guimarães. Na ditadura. Em eleição indireta. Sem chance de vitória no colégio eleitoral.

Na Assembleia Constituinte de 1946, Pernambuco levou ao Congresso Nacional nomes nacionalmente respeitados. Entre eles, o sociólogo Gilberto Freyre, autor de "Casa Grande & Senzala"; Costa Porto, escritor; Agamenon Magalhães, ex-ministro da Justiça e do Trabalho, e ex-governador; Barbosa Lima Sobrinho, ex-governador; e Gregório Bezerra, líder popular comunista.

Entre os anos de 1960 e 1980, dois nomes pernambucanos se destacaram na medicina e na literatura: Josué de Castro e Ariano Suassuna, paraibano de nascença e pernambucano de formação. Josué de Castro foi médico reconhecido por pesquisas na área da desnutrição infantil. Com obra seminal: "Geografia da Fome". Ariano Suassuna foi professor, escritor e autor teatral. Participou, junto com Antônio Nóbrega e Zoca Madureira, do Movimento Armorial. Que identificou elementos da cultura popular vestidos de tom clássico. Sua principal obra teatral, "O Auto da Compadecida", assumiu dimensão nacional.  

A renovação de quadros políticos, no estado, tem três momentos. O primeiro momento ocorreu em 1975 por iniciativa do então governador José Francisco de Moura Cavalcanti. Ele patrocinou a substituição de uma geração de antigos políticos do velho PSD: João Roma, Fabio Correa, Jarbas Maranhão, Etelvino Lins. Em seu lugar, surgiram os ex-governadores Joaquim Francisco e Gustavo Krause, e o ex-ministro José Jorge.

O segundo momento de mudança geracional se deu em 2006 com a eleição de Eduardo Campos para governar o estado. Que, com apoio do então presidente Lula, derrotou o governador Jarbas Vasconcelos. Eduardo reelegeu-se governador em 2010. E o terceiro momento de renovação ocorreu no século XXI, nos anos de 2020. Com as eleições de Raquel Lyra para o governo do estado e de João Campos para a prefeitura do Recife. A eleição de uma governadora e de um prefeito, ambos com menos de cinquenta anos, representam um dado significativo da cultura política pernambucana.    

É que pernambucano desgosta de coronelato político. Aqui, não cresce a longevidade de patriarcalismos. Tipo José Sarney e Antônio Carlos Magalhães. Pernambuco diz não ao caciquismo. Porque tem o gosto da democracia reinventada. Agora, no correr da campanha, chegou a hora de os candidatos mostrarem o que acham sobre corrupção, emendas secretas e golpe de Estado. Hora de ouvir as vozes das novas gerações. E, assim, fazerem Pernambuco ser ouvido no cenário nacional.

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