Emmy 2020: curiosidades e onde assistir aos melhores do ano

Laura Linney, Rachel Brosnahan e "Watchmen" estão na disputa pela estatueta

Chegou a hora de torcer e confabular sobre quais séries devem ganhar o Emmy Awards 2020. Ao longo desta semana a Academia de Artes e Ciências Televisivas divulgou não somente a lista de indicados, mas qual seria a dinâmica da celebração diante da pandemia do coronavírus. Com apresentação de Jimmy Kimmel, a principal premiação internacional da indústria televisiva ocorrerá remotamente, com técnicos transmitindo a reação das celebridades em suas casas. Confira a lista dos indicados aqui.

E não foi uma surpresa que os streamings tenham ganhado destaque neste ano. A Netflix, pioneira no segmento, garantiu 160 nomeações nas produções originais. Logo atrás vem a HBO, com 107, incluindo o destaque para “Watchmen” com o maior número de indicações de toda premiação, 26 no total. A coluna desta semana sinaliza onde assistir as cinco séries mais indicadas, além de trazer curiosidades sobre elas e fazer menção honrosa sobre os esnobados – que foram muitos. 

Watchmen – 26 indicações
Streaming: HBO Go.

Concorrendo ao Emmy em formato de minissérie, “Watchmen” é baseada na HQ homônima da DC Comics. A adaptação foi criada por Aan Moore e Dave Gibbons, e teve produção de Damon Lindelof (“Lost” e “The Leftovers”). Na época da exibição – outubro a novembro de 2019 – a internet ficou em polvorosa a respeito de uma cena em particular que foi colocada como tributo aos quadrinhos, já que o momento em questão também existiu na literatura.

Na ocasião, vemos o Doutor Manhattan completamente nu. A ideia do co-criador foi de mostrar que o personagem estava se afastando do lado humano, uma vez que na nossa sociedade a nudez é interpretada como algo a esconder. Longe do contexto sexual, Doutor Manhattan se despe dos estigmas criados pela sociedade. Seu intérprete, Yahya Abdul-Mateen II, chegou a brincar com o fato durante uma entrevista ao TV Line: “Esse não é meu pênis, tive que contar para meus vizinhos – que são idosos – para que todos pudessem olhar nos meus olhos”, brincou Abdul. É claro que os internautas não perdoaram e o assunto rendeu semanas.

“The Marvelous Mrs. Maisel” – 20 indicações
Streaming: Prime Video.

A série “The Marvelous Mrs. Maisel” foi sucesso de crítica e público desde sua estreia. Em 2018, venceu nas principais categorias: melhor série de comédia, melhor atriz (Rachel Brosnahan), melhor direção e melhor roteiro (ambos para Amy Sherman-Palladino) e atriz coadjuvante (Alex Bornstein). No ano passado, mesmo que indicada nessas categorias, acabou cedendo a vez para “Fleabag”. Agora, ela volta ao páreo e tem grandes chances de vencer nas 20 indicações em que aparece. 

Amy Sherman-Palladino, a criadora da série, é o nome por trás de outra série querida, “Gilmore Girls”, na qual trabalhou em parceria com seu marido, Daniel Palladino. Este ano, eles repetem a dobradinha sendo indicados, juntos, na categoria de melhor direção. “The Marvelous Mrs. Maisel” se passa nos anos 1950 e conta a história de uma jovem tentando encontrar seu lugar na carreira humorística em uma época dominada pelo patriarcado.

Ozark e Succession – 18 indicações cada
Streaming: Netflix (Ozark) e HBO Go (Succession). 

Sempre que o assunto é “Ozark”, bate aquela nostalgia de “Breaking Bad”. Isso porque a série da Netflix tem alguns elementos que se tornam um convite para aqueles que sentem saudade de Walter White e Jesse Pinkman. Em “Ozark”, Marty (Jason Bateman) e Wendy Byrde (Laura Linney) são casados e tem dois filhos adolescentes. De alguma maneira, todos acabam envolvidos com lavagem de dinheiro e são ameaçados não apenas pelos chefes do cartel mexicano como pelos concorrentes locais. Essa dualidade entre o bem estar da família e o envolvimento no crime já garante a maratona e deixa para a quarta e última temporada a apreensão de saber se as coisas acabarão tão mal quanto na série da AMC. 

A terceira temporada, concorrendo aqui em roteiro, direção e elenco, trouxe a família Byrde ao limite e deu espaço para Laura Linney brilhar no papel de uma mãe chantagista e vulnerável. Se bobear, pode levar facilmente o título de melhor atriz em série de drama – encontrando Jennifer Aniston (The Morning Show) e Olivia Colman (The Crown) no caminho. 

Já o título de melhor série de drama provavelmente ficará para “Succession”, da HBO. A série tem garantido boas vitórias, incluindo o Globo de Ouro na mesma categoria. Também trazendo dilemas familiares no enredo, a produção conta a história dos Roys, uma família rica e problemática, que vai testar a lealdade de seus integrantes quando o chefe da família tem um problema de saúde e começa a refletir em seus sucessores.  

Para além de um bom roteiro e personagens bem desenvolvidos, o sucesso da série pode estar na inspiração da vida real. A série é baseada na família Murdoch, sobrenome que comanda a News Cop. A empresa é responsável pela emissora Fox News, o jornal New York Post, entre outras mídias. Na ficção, o elenco também concorre ao Emmy deste ano, incluindo Kieran Culkin, irmão de Macaulay Culkin. 

“Schitt’s Creek” – 15 indicações
Streaming: UOL Play.

Muitos questionam os motivos que fazem “Schitt’s Creek” estar em alta nas premiações. A série foi finalizada este ano na sexta temporada e vem sendo indicada desde o ano passado. E adivinhem: o seriado também é sobre uma família rica. Desta vez, os Roses perdem tudo e acabam tendo que morar na única cidade que lhes restaram, a Schitt’s Creek. 

As primeiras temporadas da série causam uma impressão de que tudo não passa de comédia barata e pessoas ricas que precisam se adaptar às contenção de gastos. Mas a verdade é que a história encontra seu lugar ao sol – ironicamente quando decide encerrar – e conclui sua trajetória no auge, passando a mensagem de que dinheiro compra quase tudo, menos o mais importante (assistam para descobrir).

Esnobados

Dentro do compilado de regras necessárias para que uma série possa ser elegível ao Emmy, existe a de que ela precisa ser exibida entre datas especificas. Este ano, os programas lançados entre o dia 1 de junho de 2019 até 31 de maio de 2020 se tornaram aptos a estarem entre os indicados. 

Infelizmente, nomes que o público tinha certeza de que seriam indicados, ficaram de fora. Logo de cara, a temporada final de “How to Get Away With Murder” elevou o nível de atuação de Viola Davis para o máximo, talvez mais até de quando ela se consagrou vencedora na categoria de melhor atriz, em 2015. O único lembrete relacionado à série da advogada Annalise Keating no Emmy deste ano foi o de melhor atriz convidada para Cicely Tyson, mãe da protagonista da ficção.

Já que “The Handmaid’s Tale” garantiu a indicação de melhor série de drama, também era de se esperar que sua protagonista, Elisabeth Moss, recebe uma nomeação, mas não foi desta vez. Seus colegas de elenco, Bradley Whitford, Samira Wiley e Alexis Bledel seguem na disputa.

“Barry” e “Westworld” também foram ‘esquecidas no churrasco’, ainda que Jeffrey Wright e Thandie Newton marquem presença pelas atuações nesta última. Ainda sobre atrizes e atores que mereciam reconhecimento, Tom Pelphrey foi a grande estrela da terceira temporada de “Ozark”, embora não tenha sido indicado. Rhea Seehorn, por “Better Call Saul”, também foi esquecida. E pasmem, nada de Nicole Kidman e Reese Witherspoon no Emmy, mesmo que esta tenha sido ótima em três séries que aparecem nas categorias desta edição, “The Morning Show”, “Big Little Lies” e “Little Fires Everywhere”. 

Saudades “Dark” e “Pose” também, mas vou finalizar por aqui porque está demais para este coração que vos escreve. 

*Fernando começou a assistir a séries de TV e streaming em 2009 e nunca mais parou. Atualmente ele já maratonou mais de 300 produções, totalizando aproximadamente 7 mil episódios. A série mais assistida - a favorita - é 'Grey's Anatomy', à qual ele reassiste com qualquer pessoa que esteja disposta a começar uma maratona. Acesse o Portal, Podcast e redes sociais do Uma Série de Coisas neste link

*A Folha de Pernambuco não se responsabiliza pelo conteúdo das colunas.

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