“Lupin” parte 3 tem fórmula bem-sucedida, mas que chegou ao limite

Série é adaptada das histórias de “Arsène Lupin”, criada por Maurice Leblanc

Trabalho de Omar Sy, intérprete de Assane Diop na série "Lupin", continua sendo um atrativo para a produção da Netflix - Divulgação/Netflix

A parte 3 de “Lupin”, que estreou na Netflix neste mês de outubro, é um exemplo de como uma fórmula bem-sucedida pode ser repetida sem perder a qualidade, mas tudo em exagero pode acabar prejudicando. A série, que adapta as histórias de Arsène Lupin para o contexto moderno, traz novamente o protagonista Assane Diop (Omar Sy) em uma jornada de vingança.

Nesta nova temporada, Assane está tentando reaver a convivência com sua esposa, Claire (Ludivine Sagnier) e seu filho Raoul (Etan Simon), mas, primeiro, é forçado a aplicar um último golpe. O cerco se fecha quando a mãe de Diop, que não o via há mais de duas décadas, se torna refém de um homem que fez parte do seu passado.

A série segue a mesma fórmula das temporadas anteriores: Assane usa suas habilidades de disfarce e seu conhecimento para planejar roubos ousados, enquanto é perseguido pelo detetive Youssef Guedira (Soufiane Guerrab). Os roubos são mirabolantes, os cenários estão melhores, os figurinos e disfarces melhor desenvolvidos, mas a essência da série permanece a mesma.

Um dos pontos fortes de “Lupin” é a performance de Omar Sy. O ator é carismático e convincente como Assane, e consegue trazer profundidade e humanidade ao personagem. A relação entre Assane e Guedira também é um dos destaques da série, com os dois personagens desenvolvendo uma espécie de respeito mútuo.

Alguns problemas

No entanto, os novos episódios também apresentam alguns problemas. O roteiro é repetitivo, e os personagens e informações vêm e vão conforme é pertinente para a reviravolta da vez, sem muita preocupação com uma coerência interna. Por isso, quando Assane se depara com seu maior dilema até aqui, o criador e showrunner George Kay deixa a peteca cair, sem desenvolver por completo as consequências desses eventos.

Ainda assim, “Lupin” é uma série divertida. A fórmula pode ser repetitiva, mas é eficaz, e a série consegue entregar o que o público espera: roubos mirabolantes, suspense e um protagonista carismático.

*Fernando Martins é jornalista e grande entusiasta de produções televisivas. Criador do Uma Série de Coisas, escreve semanalmente neste espaço. Instagram: @umaseriedecoisas.
*A Folha de Pernambuco não se responsabiliza pelo conteúdo das colunas.

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