Muito além dos shows: Confira o cinema que o Festival MIMO traz a Olinda
Programação reúne 15 filmes que percorrem tradições brasileiras em sessões gratuitas em Olinda
Olinda volta a receber o MIMO Festival entre os dias 25 e 27 de setembro, cidade onde o evento nasceu, em 2004. A programação reúne mais de 40 atividades gratuitas entre música, cinema, oficinas, masterclasses, encontros e ações de cultura popular, ocupando igrejas, praças e espaços culturais do Sítio Histórico.
Para quem acompanha cinema, porém, há um recorte especialmente interessante. O Festival MIMO Petrobras de Cinema leva 15 filmes ao Teatro Fernando Santa Cruz, no Mercado Eufrásio Barbosa, com sessões gratuitas e uma seleção formada, em sua maior parte, por obras ainda inéditas em Pernambuco e sem previsão de chegada ao circuito comercial.
Leia Também
• “O Vampiro Lestat” troca veludo por glitter e faz “Entrevista com o Vampiro” renascer outra vez
• “Casa do Dragão” encontra seu melhor ritmo na terceira temporada
• “Heartstopper Para Sempre” faz uma despedida bonita, mesmo correndo contra o tempo
É uma escolha que combina bastante com a proposta do MIMO. Enquanto os shows transformam Olinda em palco, o cinema aproveita um espaço fechado para apresentar histórias que dificilmente encontrariam o mesmo alcance fora dos festivais.
E a programação deste ano está bem diversa. Tem documentários sobre música, memória, ancestralidade, cultura popular, territórios e personagens que ajudam a contar diferentes versões do Brasil.
Produções audiovisuais
Na sexta-feira (25), por exemplo, a programação começa às 18h, com Discoterra, documentário baiano dirigido por Gustavo Aquino dos Reis, Daniel Wierman e Arnaldo Robles, seguido por Douvina, de Marcio Câmara. Mais tarde, às 20h, entram em cartaz Bregueragem, também da Bahia, e Vou Tirar Você Deste Lugar, de Dandara Ferreira.
É uma abertura bastante representativa do que o festival pretende fazer, colocando lado a lado trabalhos de diferentes estados e linguagens, com a música funcionando muitas vezes como ponto de partida para falar de identidade e memória.
O sábado concentra uma programação ainda mais extensa. A partir das 16h30, o público poderá assistir a Uma Orquestra no Contrabaixo, Bárbara – A Força da Ancestralidade e Duque de Caxias, o Albergue do Rock. Na sessão seguinte, às 18h, aparecem Sagrado Compor e As Travessias de Letieres Leite, documentário de 90 minutos dirigido por Iris de Oliveira e Day Sena. Já às 20h, Silêncio na Boiada divide a sessão com Hip Hop Caboclo.
É justamente aí que a programação fica mais interessante para quem gosta de acompanhar o cinema brasileiro para além dos títulos que chegam aos grandes circuitos. O MIMO cria uma espécie de mapa afetivo do país por meio desses filmes. Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo, Maranhão e outros territórios aparecem como locais de produção, mas também como parte das histórias que estão sendo contadas.
No domingo, Pernambuco ganha ainda mais espaço. A sessão das 16h30 reúne três curtas pernambucanos: Elefante Encarnado, de Juliana Beltrão; O Carnaval é de Pelé, de Daniele Leite e Lucas Santos; e Samba de Latada, de João Lucas Melo. É uma combinação particularmente interessante porque coloca manifestações da cultura pernambucana no centro da programação de cinema de um festival que nasceu justamente em Olinda.
Para fechar o circuito, às 18h, será exibido Apopcalipse Segundo Baby, documentário dirigido por Rafael Saar. O filme encerra a programação cinematográfica depois de três dias que, no conjunto, parecem seguir uma ideia bastante simples e necessária, abrir espaço para filmes que precisam ser vistos antes que desapareçam no fluxo cada vez mais rápido do audiovisual.
O MIMO acontece de 25 a 27 de setembro, em Olinda, com programação gratuita. E, se você estiver pensando em escolher apenas alguns shows, vale separar algumas horas também para o cinema. Afinal, entre uma ladeira e outra, o festival montou uma programação que merece ser descoberta na tela grande.
*Fernando Martins é jornalista e grande entusiasta de produções televisivas. Criador do Uma Série de Coisas, escreve semanalmente neste espaço. Instagram: @umaseriedecoisas.
*A Folha de Pernambuco não se responsabiliza pelo conteúdo das colunas.



