“Não sacaneie os gatinhos” é recado de documentário na Netflix

Série documental apresenta os crimes de Luka Magnotta, o canadense que postou vídeos matando gatinhos - Divulgação/Netflix

Se tem uma coisa que une todas as pessoas é o sentimento de revolta com quem maltrata os animais. Nos últimos dias, ficamos perplexos como a notícia do homem suspeito de matar pelo menos cinco gatos no bairro da Torre, no Recife. Mas o caso, infelizmente, não é isolado. A série documental “Don’t F*ck With Cats”, disponível na Netflix, apresenta um caso internacional semelhante que rendeu consequências terríveis. 

O documentário conta a história de Luka Magnotta. O jovem canadense gravou dois vídeos matando gatinhos a sangue frio diante das câmeras e publicou na internet. Os internautas foram tomados pela raiva e logo se iniciou uma caçada online para descobrir a identidade do criminoso e onde ele poderia estar. 

Por um lado, as investigações – inicialmente realizadas por pessoas comuns – trazem a reflexão do poder da internet na palma da mão dos usuários. Já que os vídeos de Magnotta foram gravados entre quatro paredes, quase nada indicava sua localização. Com a ajuda de ferramentas como o Google Maps, na medida em que os internautas chegavam mais perto de seu paradeiro, piores os crimes de Luka ficavam.

A ideia de que a internet é “terra sem lei” também é levantada na série, que desenvolve os questionamentos em três episódios de aproximadamente uma hora. Para onde ligamos ou quem devemos procurar quando um crime é cometido por alguém que não conhecemos e em lugar desconhecido? O que mais Luka Magnotta faria para provar que jamais seria pego? São questões que fazem o público ir até o final do documentário.

Na capital pernambucana, o homem que aparece em vídeo torturando gatinhos, aparentemente, não foi gravado intencionalmente, mas câmeras públicas registraram o ato. Até a publicação desta coluna, ele foi identificado e deve prestar depoimento na manhã desta sexta-feira (19).

Segundo a Lei 1.095/2019, no Brasil a punição para quem abusar, maltratar, ferir ou mutilar qualquer tipo de animal é de dois a cinco anos de reclusão, multa e proibição da guarda.  

Linchamento na internet

Uma das mensagens principais de “Don’t F*ck With Cats” está, inclusive, na tradução do título: “Não mexa com os gatos”. Algo que está acima de qualquer desavença política ou religiosa, grupos se une pelo bem dos felinos. É uma causa nobre, mas que merece atenção e cuidado.

Na pressa por achar um culpado e por seguir todas as pistas, “Don’t F*ck With Cats” mostra o que acontece quando apontamos o dedo sem provas e somos movidos pelo ódio e pela “justiça a qualquer custo”, movimento que transita para o tão falado cancelamento e suas consequências. As redes sociais são como uma faca de dois gumes, no caso apresentado na Netflix, Luka criava perfis falsos para deixar pistas e provocar as investigações, já no caso recifense, rapidamente o suspeito apagou suas contas. 

Não é apenas sobre os gatos

Desafio qualquer telespectador de “Don’t F*ck With Cats” a assistir o primeiro episódio sem querer terminar os outros dois. O diretor Mark Lewis faz um ótimo trabalho em não deixar que desgrudemos do sofá até a conclusão de tudo. São três horas de uma história real e cruel. O desconforto é certo. Mais do que falar sobre os maltratos aos animais, o documentário nos leva a refletir sobre como nos comportamos no mundo digital, qual o impacto de nossas palavras na internet, ainda que estejamos isolados e distantes da situação física. 

Para além do nosso posicionamento aos absurdos desses casos, o fato é que há culpabilidade e os culpados devem ser julgados pelas autoridades de acordo com o crime. “Don’t F*ck With Cats” é uma série documental e está disponível no catálogo da Netflix. Assista ao trailer:

*Fernando Martins é jornalista, escritor e grande entusiasta de produções televisivas. Criador do Uma Série de Coisas, escreve semanalmente neste espaço. Acesse o Portal, Podcast e redes sociais do Uma Série de Coisas neste link

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