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Temporada 2 de 'Noite Adentro' reforça a falha humana no caos

Série belga retornou com novos episódios na Netflix

'Noite Adentro' estreia segunda temporada com seis episódios na Netflix - Divulgação/Netflix

Inúmeros filmes e séries que retratam a destruição do planeta tem como base a luta pela sobrevivência, desenvolvendo o caráter dos personagens quando levados ao limite. Atrocidades a parte, quase sempre a mensagem que fica é um pouco desanimadora. O inimigo, em várias ocasiões, deixa de ser o evento apocalíptico (zumbis, tsunami, vírus) e se torna a própria raça humana, que desperta seu pior lado. Clássicos como o filme "O Nevoeiro" (2007) e a série "The Walking Dead" (2010-presente) já nos mostraram isso, mas agora vemos na continuação de "Noite Adentro", da Netflix.

Na primeira temporada da série belga, que estreou em 2020, a luz do sol começa a matar a humanidade misteriosamente. Bastou amanhecer para que todas as pessoas começassem a cair mortas sem explicação. Todas, menos os sortudos passageiros de um voo noturno de Bruxelas. Com auxílio do piloto, eles partem para onde é noite, fugindo do dia, enquanto tentam entender o que está acontecendo. 

Inspirada no best-seller do escritor Jacek Dukaj e criada por Jason George, roteirista de "Narcos" e "The Blacklist", a série segue a mesma receita da maioria do gênero: não demora para o problema maior ser as relações entre as pessoas que tentam sobreviver. Isso fica mais em evidência no contexto de "Noite Adentro", já que dentro de um voo internacional há pessoas de nacionalidades diferentes e classe sociais distintas. Naturalmente há uma diversidade de elenco interessante, no idioma turco, italiano, francês, belga e russo. A partir de agora, spoiler da segunda temporada.

No final da primeira temporada, os passageiros do avião desembarcam na Bulgária e encontram refúgio em um antigo bunker militar soviético, sendo acolhidos pelos militares do lugar. Mas uma convivência pacífica e unida em busca de respostas não parece ser o objetivo, tudo se complica quando um acidente (causado por intrigas dos sobreviventes) destrói parte dos mantimentos.

O grupo se divide. Os que se habilitam a procurar por comida viajam para o Silo Global de Sementes na Noruega, uma tentativa esperançosa de encontrar novos mantimentos. Já a convivência dos que ficam está mais caótica ao longo das horas. Não há sentimento de união, a humanidade, quando pressionada, se divide e se torna egoísta. Todos querem comandar, o poder sobe à cabeça. Logo, o refúgio se torna ameaçador, a alternativa de arriscar sair é absurdamente cogitada.

"Noite Adentro" consegue se manter interessante, apesar da produção não trazer nada de novo no quesito sobrevivência. Até aqui, a mensagem que fica é a de que não podemos confiar em ninguém e só há maldade no mundo. Sensação estranha no tempo em que vivemos. O gênero, no entanto, pode se reinventar. "The Walking Dead" tenta mostrar há mais de 10 anos alguns exemplos de esperança, fé e amor, mesmo que novos vilões cheguem a rodo. "Noite Adentro" não precisa de 11 temporadas, porém vale trazer uma perspectiva mais positiva na possível terceira temporada - ainda não confirmada pela plataforma. 

*Fernando Martins é jornalista, escritor e grande entusiasta de produções televisivas. Criador do Uma Série de Coisas, escreve semanalmente neste espaço. Acesse o Portal, Podcast e redes sociais do Uma Série de Coisas neste link

*A Folha de Pernambuco não se responsabiliza pelo conteúdo das colunas.

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