"12 Horas para Sobreviver" é auge do grotesco em continuação de terror

Terceiro filme da saga “Noite de Crime”, avança na ideia, mas falta maturidade para desenvolver conceitos

Deadpool 2Deadpool 2 - Foto: Internet / Reprodução

 

A franquia “Noite de Crime” chega ao terceiro filme em “12 Horas para Sobreviver: O Ano da Eleição”, novamente dirigido por James DeMonaco, que estreia hoje. Os longas partem sempre da mesma premissa: em um futuro não definido, um grupo chamado “Novos Pais Fundadores” (NPF) governa os Estados Unidos. Eles definiram que em um determinado dia do ano ocorre a Noite do Crime, em que durante 12 horas tudo é permitido, até assassinato, como forma de “purificar as pessoas de seus pecados”. Nesse período, médicos, bombeiros e policiais estariam indisponíveis: as pessoas estariam livres para fazer o que quisessem, da maneira como escolhessem, sem punições.

No enredo, já são 20 anos da lei. A disputa eleitoral é entre o candidato da NPF, um pastor, e a senadora Charlie Roan (Elizabeth Mitchell), que vem crescendo nas pesquisas por ser contra a Noite do Crime - ela mesma sofreu, 18 anos antes, quando um sádico matou sua família. A alta cúpula do partido no poder toma uma decisão: durante a Noite deste ano, ninguém estará a salvo, nem mesmo as pessoas ricas e os políticos - uma forma de demonstrar que não existem hierarquias, mas na verdade é apenas uma estratégia para assassinar a oposição. Charlie decide ficar em casa, por acreditar que deve experimentar o dia assim como seus eleitores. Naturalmente tudo dá errado e ela sofre ataques.

Quem lidera a segurança da senadora é Leo (Frank Grillo), um dos personagens centrais do filme anterior. Ao longo da noite ele conhece pessoas humildes que se juntam para resistir e armar o contra-ataque: Dante (Edwin Hodge, que teve breve participação no primeiro filme), Laney (Betty Gabriel), Joe (Mykelti Williamson) e Marcos (Joseph Julian Soria). O ápice do filme é confronto final, com uma pequena brecha que sugere um possível novo capítulo para a saga.

Mesmo sendo o terceiro capítulo da franquia, há muito tempo gasto para ressaltar as regras desse futuro fictício. A ideia, presente desde o primeiro filme - e gradualmente mais elaborada no segundo e agora no terceiro -, é que essa lei é uma estratégia de um governo elitista, que usa como pretexto o fanatismo e o medo para liberar matanças de pessoas pobres e assim diminuir gastos com saúde e programas sociais. Enquanto no primeiro filme esses conceitos apareciam de forma vaga e através de breves sugestões, esse novo capítulo aborda diretamente as propostas de um governo radicalmente conservador.

É um pouco decepcionante perceber que o enredo dessa franquia - que amplia, através da ficção e do terror, as tensões sociais não apenas dos Estados Unidos de hoje, mas também de tantos outros países -, nunca foi retratado com maturidade e desenvolvimento conceitual. Em “12 Horas”, o mais elaborado dos três, há não apenas personagens tomando as piores decisões possíveis nos instantes de tensão, erro comum no gênero, como também certa simplicidade ao formatar posicionamentos políticos.

Os vilões são realmente maus e fazem cara de mau; a noite é como um carnaval do inferno, em que as pessoas se fantasiam com máscaras horríveis e saem matando com qualquer tipo de arma, enquanto dançam e sorriem inebriados pelo poder. É muito exagero. James DeMonaco parece mais intrigado pela possibilidade de filmar a morte, transformar o assassinato em uma espécie grotesca de espetáculo, do que explorar comentários sociais em sintonia com o mundo contemporâneo.

 

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