Crônica

3ª temporada de "Bom Dia, Verônica" encerra a saga de forma poderosa e recheada de grandes atuações

Confira a análise sobre a série top-1 do Brasil na Netflix

"Bom dia, Verônica" encerra na sua terceira temporada "Bom dia, Verônica" encerra na sua terceira temporada  - Foto: Divulgação

 A Netflix soube se adaptar muito bem ao Brasil. O catálogo nacional da plataforma cresce de forma rápida, robusta e em sintonia com o gosto do público. Para chegar a esse resultado, a empresa se juntou a produtoras e diretores já reconhecidos, cuja as ideias e expertises não tinham espaço em programações de emissoras abertas como SBT, Record, e até mesmo da Globo, que vem se permitindo algumas ousadias direcionadas à Globoplay, mas que ainda prefere caminhar em territórios mais seguros.

De tom mais experimental, séries como “3%” “Reality Z” e “Cidade Invisível” focaram em histórias mirabolantes e efeitos especiais. Com a charmosa “Coisa Mais Linda” e a cômica “Sem Filtro”, o serviço de streaming se aproximou das referências televisivas mais tradicionais. O destaque entre tantas apostas, entretanto, fica para “Bom Dia, Verônica”, produção que acaba de estrear sua terceira e última temporada.

Mantendo o diferencial de flertar tanto com a estética apurada das séries quanto com as viradas dignas dos melhores folhetins, “Bom dia, Verônica” é baseada no romance homônimo de Ilana Casoy e de Raphael Montes e conta a história de Verônica, vivida de forma inspirada por Tainá Muller, uma escrivã de polícia civil que trabalha em uma delegacia de homicídios em São Paulo. Casada e com dois filhos, sua rotina acaba sendo interrompida quando testemunha o chocante suicídio de uma jovem mulher.

Mais ligada ao livro, a primeira temporada teve oito episódios e contém passagens brutais, amparadas por um texto bem costurado sobre a corrupção dentro da polícia. A dupla de autores foi esperta em apresentar seus personagens de forma contundente, mas com habilidade para esconder os segredos que estariam por vir. Contando com seis episódios, o segundo ano da série teve a chance de aprofundar ainda mais os mistérios de uma organização criminosa, ampliando o contexto dos crimes para o âmbito da religião.

Agora, mesmo que a Netflix tenha encomendado apenas três episódios para fechar o enredo, a terceira temporada de “Bom dia, Verônica” utiliza-se do poderio econômico do agronegócio para mostrar a origem de todos os crimes da organização de forma coerente e recheada de grandes cenas. É válido também destacar a inusitada estratégia de descortinar galãs da Globo para serem o contraponto da protagonista. Na primeira, Eduardo Moscovis surgiu irreconhecível na pele do brutal Brandão. Na segunda, foi a vez de Reynaldo Gianecchini brilhar na pele do falso profeta Matias. Nos últimos episódios, Rodrigo Santoro mostra porque é um dos atores mais consagrados de sua geração na pele do calculista Jerônimo.

A força da narrativa encontra na condução segura de José Henrique Fonseca uma grande aliada. Um dos sócios fundadores da prestigiada Conspiração Filmes, de onde saiu para fundar a Zola, Fonseca tem produções como “Mandrake”, da HBO, e o filme “O Homem do Ano” valorizando seu currículo. Duas obras que demonstram habilidade na condução de narrativas policiais. Sendo assim, a série dribla o tom artificial que predomina em outras incursões brasileiras pelo gênero com efeitos visuais acima da média, direção de arte eficiente e belo trabalho de caracterização. Com história bem concebida e cenas muito bem realizadas, “Bom dia, Verônica” sai de cena no auge e precocemente.

“Bom Dia, Verônica” – Netflix – três temporadas disponíveis.

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