A arte que surge de todos os cantos e lados do Recife

Projeto circula por ruas, pontes, ônibus e espaços da cidade em busca de artistas de rua

Pífanos, uma das imagens do projeto 'O Palco é a Rua'Pífanos, uma das imagens do projeto 'O Palco é a Rua' - Foto: Guilherme Patriota

O Recife das pluralidades também encanta pelos palcos de ruas, calçadas, pontes, feiras, ônibus e metrô, frequentemente tomados por artistas que pouco se ouve o que tocam ou cantam, mas ainda assim seguem “(...) na profissão, de tocar um instrumento e de cantar, não importando se quem pagou quis ouvir” (Bailes da Vida, 1981, Milton Nascimento e Fernando Brant).

E só para completar a lógica de uma das canções mais sóbrias da música brasileira, se "todo artista tem que ir aonde o povo está", registros devem ser feitos desses encontros, que não precisam culminar em aplausos efusivos ou reconhecimento midiático, basta que existam e identifiquem vivências, deem nomes, encorajem pertencimentos e culminem na propagação da cultura musical da cidade e de seu entorno.

É mais ou menos esse o caminho tomado pelo "O Palco é na Rua - A Música nos Espaços Populares", idealizado por Laura Sousa e Guilherme Patriota (Theia Produtores Associados), produtores, pesquisadores e realizadores de um projeto que, depois de passar pelo Sertão, Agreste e Zona da Mata, chega ao Recife com propósitos que entrelaçam desde a estética artística até uma problematização sociológica.

"Observamos o espaço público como meio de sobrevivência e de interação de artistas, que têm o cenário da rua como palco e espaço de formação de suas próprias narrativas de vida", contou Laura, em conversa com a Folha de Pernambuco.

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De segunda-feira (6) até o dia 30 de janeiro, o projeto segue, incentivado pelo Funcultura da Música, por espaços diversos do Recife, de Olinda e de Jaboatão. Antes de chegar à Capital pernambucana, a dupla já circulou por Petrolina, Caruaru e Goiana, cidades em que o projeto circulou por pelo menos oito dias. Seja por indicações em redes sociais ou espontaneamente, em todas elas, artistas são "convocados" a contar suas histórias por meio de fotos, textos, vídeos, áudios e conteúdos musicais, material que é devidamente registrado e disponibilizado no endereço virtual do projeto: www.opalcoearua.com.br.

"Cada cidade tem suas curiosidades, e é preciso entender todas elas. Em Petrolina, por exemplo, também existe Juazeiro, separada apenas por um rio por onde pessoas atravessam em barcas, espaços estrategicamente aproveitados por artistas cantadores. Ao mesmo tempo em que interagem com o público, suas melodias são contempladas pelo cenário em volta e eles ganham muitas colaborações", comenta Laura. De Caruaru, o projeto traz a lembrança do viés regional do Agreste levado por músicos autorais.

Imagem do projeto 'O Palco é a Rua'


"A feira continua como foco interessante para os artistas, mas, entre as curiosidades que percebemos por lá, estão as interações em agências bancárias, próximo aos caixas eletrônicos, ali também eles encontram colaboradores". Pelo menos mais de 60 artistas já falaram sobre a música compartilhada diariamente nas ruas, assim como sobre a sobrevivência na profissão, reconhecimento social e outras narrativas e trajetórias.

"Eles falam abertamente das dificuldades que a rua impõe, dos desafios. Falam que não são respeitados e precisam buscar outros espaços, Não atuamos como críticos musicais, estamos em busca do fazer artístico dessas pessoas, da história de vida deles. Queremos saber como eles interpretam as ruas, como olham as realidades. Muitas vezes eles falam que não são respeitados e precisam buscar outros espaços, o próprio comércio do entorno pede que se afastem e eles vão buscando formas de construir outras interações", revela Laura, que tem planos de, no decorrer deste ano, compilar a pesquisa em um mini-documentário e, quem sabe, seguir para além das fronteiras pernambucanas, em qualquer lugar em que palco e fazer artístico caibam em ruas, avenidas, balsas, transportes públicos ou praças.




 

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