'A cidade dos piratas' e 'Guaxuma' são destaques do Animage
Programação do Festival Internacional de Animação de Pernambuco chega nesta terça-feira (16) ao Cinema São Luiz. Mas também serão exibidos curtas e lançado livro na Caixa Cultural
Laerte, Angeli e Glauco são nomes fundamentais na história dos quadrinhos brasileiro. A partir dos anos 1980, esses autores apresentaram personagens, temas e propostas de humor que mudaram a maneira de ver as tirinhas. O diretor Otto Guerra é particularmente fã desse trio.
Depois de assinar os longas "Rocky & Hudson - os caubóis gays" (1995), baseado em trabalho de Glauco, e "Wood & Stock: sexo, orégano e rock'n'roll" (2006), de Angeli, o cineasta apresenta agora "A cidade dos piratas", inspirado em quadrinhos de Laerte.
O filme será exibido nesta terça-feira (16), às 20h30, na abertura da programação da nona edição do Animage - Festival Internacional de Animação de Pernambuco no Cinema São Luiz. Antes do longa, será projetado o premiado curta-metragem pernambucano "Guaxuma", de Nara Normande.
Os ingressos custam R$ 5 (apenas para sessões no Cinema São Luiz e nas salas do Cinema da Fundação Joaquim Nabuco, localizadas nos bairros Derby e Casa Forte; as sessões em outros endereços são gratuitas).
"A cidade dos piratas" é uma mistura insólita e provocante de diferentes temas: há referências a vários personagens criados por Laerte, como os Piratas do Tietê e o Minotauro, além da presença do próprio Laerte. O diretor, Otto Guerra, também entra em cena, com sua dificuldade de transformar todas essas referências em filme. "A vontade de fazer esse filme já vem desde a década de 1990", diz Otto. "O filme foi registrado em 1993. Fui fazendo filmes e esse projeto foi ficando na gaveta. Foram acontecendo outros filmes e o processo demorou", detalha.
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Aos poucos, a história se desdobra em diferentes possibilidades, com as linhas narrativas se conectado de formas criativas e empolgantes. Há momentos de delicada sensibilidade, quando se fala sobre sexualidade e gênero, mas também instantes de uma comédia mais bruta, com violência e obscenidades, sobre o cotidiano no Brasil e a intolerância.
Há também cenas que se conectam de forma direta com o período atual, através da farsa e do exagero, com um candidato à presidência, um conservador que aos poucos enlouquece em sua busca por controle.
"Me identifico muito com esse tipo de humor, uma metralhadora giratória que não poupa ninguém, nem o autor, que se ridiculariza. Acho esse tipo de humor fascinante", sugere Otto, que na animação aparece como um diretor em crise.
"O filme tem críticas a nossa hipocrisia. A gente vive em volta em um faz de conta. Laerte trabalha com o dedo na ferida o tempo todo. Sempre está tocando nos nossos conflitos mais profundos. Sempre me identifiquei com essas ideias da autora", ressalta.
Programação
Na programação desta terça-feira (16) do Animage há ainda mostras competitivas nos cinemas da Fundação e na Caixa Cultural Recife. Entre os destaques, está a Mostra Pernambucana, às 17h30, na Caixa Cultural, com a exibição de quatro curtas-metragens: "A saga da Asa Branca", de Lula Gonzaga (1979); "Até o Sol raiá", de Fernando Jorge e Leanndro Amorim (2007); "Dia estrelado", de Nara Normande (2011); e "Vinil verde", de Kleber Mendonça Filho (2004).
Na ocasião, será lançado o livro "Animação Brasileira - 100 filmes essenciais", com edição da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) - os quatro curtas pernambucanos integram a lista.

