FOTOGRAFIA

"A fotografia é o espelho da sociedade", afirma Sebastião Salgado após prêmio em Londres

Fotógrafo brasileiro apresenta retrospectiva dos 50 anos de carreira em exposição na 'Somerset House', em Londres

O fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado apresenta em Londres uma retrospectiva de seu trabalho, na Somerset House, de 19 de abril a 6 de maio de 2024 O fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado apresenta em Londres uma retrospectiva de seu trabalho, na Somerset House, de 19 de abril a 6 de maio de 2024  - Foto: BENJAMIN CREMEL/AFP

O fotógrafo Sebastião Salgado, que apresenta em Londres uma retrospectiva de seus 50 anos de carreira, explicou, em uma entrevista à AFP, que é preciso "conscientizar" as pessoas sobre o desmatamento do planeta. "A fotografia é o espelho da sociedade", acrescentou, depois de ser premiado em Londres por sua carreira, resumindo o objetivo que buscou com meio século de trabalho, concentrado nos últimos anos na proteção da natureza.

Salgado apresenta na 'Somerset House' de Londres, a partir desta sexta-feira e até 6 de maio, uma pequena, mas representativa, seleção das centenas de milhares de fotografias de sua carreira.

— É uma seleção. Você nunca fica satisfeito, porque são cerca de 50 fotografias e tão poucas não podem representar 50 anos de carreira. Cada uma representa um momento da minha vida que foi muito importante para mim — disse.

A exposição é consequência do prêmio concedido a ele pela 'World Photography Organisation', com sede em Londres, em reconhecimento à sua carreira, e acompanha outra exposição mais ampla dos 'Sony World Photography Awards' de 2024.

— É o prêmio pelo trabalho de uma vida — afirmou, agradecido, Salgado.

Mais um prêmio
Sebastião Salgado adiciona assim mais um prêmio à sua longa carreira, na qual conta, entre muitos outros, com o Prêmio Príncipe das Astúrias das Artes de 1998.

 

— Um fotógrafo tem o privilégio de estar onde as coisas acontecem. Em uma exposição como esta, as pessoas me dizem que sou um artista e eu digo que não, sou um fotógrafo e é um grande privilégio ser um fotógrafo. Tenho sido um emissário da sociedade da qual faço parte — enfatizou.

Após estudar Economia, Salgado começou a fazer fotografias em 1973 e nunca mais deixou esse mundo. Em 1998, ao lado da esposa Lelia, fundou o Instituto Terra, em sua luta pelo reflorestamento da Amazônia brasileira e do planeta em geral.

— Perdemos 18,2% da Amazônia. Mas não foram apenas os brasileiros ou outros países dessa região que destruíram isso, foi a nossa sociedade de consumo, por uma terrível necessidade de consumo que temos, de ganância — afirmou. — Se conseguirmos conscientizar as pessoas de que, juntos, poderíamos fazer as coisas de outra maneira, poderíamos salvar essa grande floresta da qual dependemos para a biodiversidade e também para esta grande reserva cultural que são os povos indígenas que vivem na Amazônia.

Aquecimento global
Ao desmatamento progressivo do planeta, somou-se nos últimos anos o aquecimento global e a perda de água, segundo Salgado.

— Há um segundo drama tão importante quanto o aquecimento global, que é a perda de água. O sul da França é um lugar onde sempre choveu e, nos últimos anos, uma grande quantidade de comunidades lá está sendo abastecida no verão por caminhões de água. Isso era algo que acontecia na África e agora está acontecendo na Europa, estamos perdendo água — afirmou. — Mas o pior com o aquecimento, com a perda de água, é a perda da biodiversidade. Estamos perdendo biodiversidade a uma velocidade terrível. Temos que fazer algo porque senão, daqui a alguns dias, vai ser complicado. As plantas não têm polinização porque não têm insetos. A Alemanha, nos últimos 40 anos, perdeu 70% de sua biodiversidade. É preciso levar a informação, não é que as pessoas sejam más, é que falta informação correta e conscientização das pessoas.

Nesta última etapa da vida, Sebastião Salgado continua a luta pela defesa do meio ambiente sem maiores objetivos profissionais.

— Só me falta morrer agora. Tenho 50 anos de carreira e completei 80 anos. Estou mais perto da morte do que de outra coisa. Uma pessoa vive no máximo 90 anos. Então, não estou longe, mas continuo fotografando, continuo trabalhando, continuo fazendo as coisas da mesma forma — explicou. — Não tenho nenhuma preocupação nem nenhuma pretensão de como serei lembrado. É minha vida que está nas fotos e nada mais.

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