A resistência imortal de Dom Helder Camara revelada em fotobiografia

O livro, editado pela Companhia Editora de Pernambuco em parceria com o Instituto Dom Helder Camara, ganha lançamento nesta quarta (28), no Recife

Fotobiografia "O Santo Revelado"Fotobiografia "O Santo Revelado" - Foto: Reprodução

Há exatos 20 anos da morte de Dom Helder Camara, o processo de canonização do religioso cearense radicado no Recife vai avançar. No dia 5 de setembro, entra na fase romana das investigações. Um reconhecimento justo e necessário em tempos tão turbulentos. Alertar para a bondade e a solidariedade sempre será uma forma de resistir às agruras. Este ano, para marcar as duas décadas sem o patrono dos direitos humanos, vários livros e homenagens estão agendados. A fotobiografia editada pela Companhia Editora de Pernambuco (Cepe) em parceria com o Instituto Dom Helder Camara (Idhec) é um espetáculo à parte.

A obra, batizada de “O Santo Revelado”, percorre a vida do dom através de imagens históricas e marcantes dos acervo do Idhec e de outras instituições. Nas 191 páginas da publicação, que ganha lançamento nesta quarta-feira (28), às 19h, no Palácio dos Manguinhos, o organizador, Augusto Lins Soares, revisita momentos que marcaram a vida de Dom Helder, seja mostrando a simplicidade cativante do lugar que fez parte do seu cotidiano durante grande parte da vida, seja através das viagens internacionais e das visitas de personalidades de várias épocas.

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Dom Helder segue sendo exemplo. E o é justamente porque representa a ideia de caridade, cuidado e doação ao próximo. Símbolo da resistência à época da ditadura militar brasileira, chamado de bispo vermelho, comunista e subversivo, segue vivo e firme na memória do nosso povo e nas páginas da nossa história. Através de fotografias, reproduções de capas de revistas, artes de 14 artistas pernambucanos da nova geração, do curso de Artes Visuais da Universidade Federal de Pernambuco, de um cordel e xilogravura assinados pela família Borges, o livro faz uma bela reverência a Dom Helder e uma ode também ao que resta de bom no mundo. “Mais de 100 imagens foram agrupadas em três blocos temáticos: família-mundo, juventude-afeto e celebração-cidadania”, explica Augusto na apresentação. Merecem destaque os depoimentos ao longo da obra. Frei Betto, Leonardo Boff e Marcelo Barros fazem seus relatos e homenagens.

 

Leonardo Boff e Dom Helder

Leonardo Boff e Dom Helder - Crédito: Reprodução

 

Ensaio realizado na Igreja das Fronteiras, no bairro da Boa Vista, clicado pelo fotógrafo Rogerio Maranhão, em abril deste ano, abre a publicação. Foi lá que Dom Helder viveu a partir de 1968, recusando as pompas do Palácio dos Manguinhos, na avenida Rui Barbosa, residência oficial dos bispos no Recife. À época, sobre a escolha, sentenciou: “Acho que chegou o tempo em que nós, os pastores, temos que viver mais perto do povo”. Esse modo de viver, pautado na luta contra as desigualdades sociais, pode ser visto nas imagens que se seguem na publicação.

Dom Helder sempre foi um incentivador da ousadia. Aos jovens, como é relatado no livro, escreveu: "Terra é pouco para vocês. É limitado falar em dimensões planetárias. Vocês desembarcarão nas estrelas. Viverão a liquidação da corrida armamentista e o fim das guerras". Foi clicado, entre outros nomes, ao lado de Maria Bethânia, Elis Regina, Chico Buarque, Luiz Gonzaga. Da cena política, Juscelino Kubitscheck, Miguel Arraes, Lula. Conciliador por natureza e amigo do diálogo, também fazia questão de ouvir o que as outras crenças tinham a dizer.

Editora: Cepe

Número de páginas: 191

Preço: R$ 100,00 (impresso)

À venda nas lojas da Cepe e na loja online: cepe.com.br/lojacepe

Dalai Lama e Dom Helder

Dalai Lama e Dom Helder - Crédito: Reprodução

 

Aparece em fotos com Dalai Lama e com Mor Crisóstomos Moussa Matanos Salama. Ainda no livro, uma parte dedicada aos seus ensinamentos cravados no Brasil e no mundo, traduções fieis da filosofia de vida do “mensageiro da paz”, a exemplo desta, que parece mesmo um aviso aos dias de hoje: “Sem justiça e amor, a paz será sempre uma grande ilusão”.


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