CINEMA

"Resistência" mistura gênero de guerra e ficção e estreia nesta quinta-feira (28); confira crítica

John David Washington estrela mais uma vez em uma ficção científica que não faz justiça ao seu potencial

"A Resistência""A Resistência" - Foto: Divulgação

Da mesma dupla que colocou a “Guerra” em “Guerra nas Estrelas” e ressignificou um dos momentos mais icônicos do cinema (a cena introdutória de Darth Vader) com “Rogue One” (2016), “Resistência” é o novo filme do 20th Century Studios e estreia nos cinemas nesta quinta-feira (28).

Com Allison Janney e Ken Watanabe, a trama se passa 10 anos após um incidente no qual a inteligência artificial criada para proteger a humanidade lançou uma ogiva nuclear nos Estados Unidos. Agora, uma resistência formada por ex-soldados tenta garantir a própria existência se voltando contra a China, que protege essa tecnologia avançada, incorporada na forma de uma criança que começa a se afeiçoar pelo soldado cuja missão era matá-la. Joshua (interpretado com maestria por John David Washington), aos poucos abandona sua diretriz para ir atrás da sua ex-esposa (Gemma Chan).

Inspirado em algumas das maiores obras do cinema como “Blade Runner” (1982), “Apocalypse Now” (1979), e “Akira” (1988), “Resistência” é conduzido por uma narrativa simples que se acidenta no comum e não consegue escapar nem dos clichês de história de guerra e nem dos clichês de história de sci-fi. Deixando um gosto amargo em um mundo com bons personagens e um cenário fértil que tinha mais para contar do que o longa foi capaz.

Dirigido por Gareth Edwards e escrito por Chris Weitz, a nova produção da Fox traz a mesma fórmula usada no universo da Marvel em um filme fora dos eixos das grandes franquias e remakes do estúdio que estamos acostumados. Apesar de não parecer, tanto Star Wars quanto os Vingadores são histórias de fantasia e mesmo que seja irmã da ficção científica, são gêneros diferentes e precisam de abordagens diferentes.

A Disney (que comprou a Fox em 2017) contratou Edwards para fazer um trabalho parecido com seu primeiro projeto com a empresa, seu spin-off de Star Wars. Quando ele podia ter puxado a sardinha para seu maior filme, “Godzilla” (2014), produzido pela Warner Bros. e um exemplo melhor de ficção.

Beleza não sustenta

Além da experiência em contar enredos fantásticos, Gareth também já foi diretor de efeitos especiais e isso fica óbvio durante os 113 minutos. Desde as primeiras cenas, a película mostra um cuidado com o VSF e dá um show visual digno de Oscar, mesmo com um orçamento baixíssimo para os padrões de Hollywood ($80 milhões de dólares). Até quando chega mais perto da conclusão, o clímax mantém a qualidade do visual e se torna um épico que merece ser assistido no telão do cinema. 

Enquanto se perde na mesmice, é possível ver as decisões estratégicas dos executivos influenciando a obra. Desde aproveitar o debate em torno das inteligências artificiais que estão em alta até apelar para as audiências orientais (um mercado cada vez maior e de interesse de filmes blockbusters). Apesar de cair em alguns estereótipos, o filme faz um bom paralelo da perseguição dos robôs como minorias sociais e em representar os Estados Unidos como uma potência imperialista e hegemônica. 

Como quase todo filme de ação bem produzido, “Resistência” consegue prender o espectador que se mantém torcendo para os protagonistas ao longo da trama. Mas ele tenta ser diferente das tendências da indústria audiovisual de hoje em dia e não consegue.

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