A 'solidão desejada' de Marcello Rangel em seu primeiro disco

Cantor e compositor pernambucano compila em seu primeiro disco canções que percorrem dez anos de sua trajetória na música

Cantor e compositor pernambucano Marcello RangelCantor e compositor pernambucano Marcello Rangel - Foto: Divulgação

Das inquietudes da recente cena musical pernambucana, as de Marcello Rangel reverberam alto em talento e narrativa aguçada, típica de quem alterna (na música) entre falas e cantos. É assim que ele proseia consigo mesmo e com quem queira se deleitar com os versos e as rimas autorais do seu primeiro disco, "Quanto Mais Eu Vou, Eu Fico", lançado há poucos dias, disponível nas plataformas digitais. No dia 25 de setembro, o trabalho também poderá ser degustado ao vivo e em cores, em show no Teatro Apolo, ocasião em que dez anos de sua trajetória na música estarão compilados.

"Vou seguir com esse repertório, que reúne vivências de uma década. Consegui reunir tematicamente as músicas que tinham a ver para estar nele (no disco), que fala sobre idas e vindas e é muito simbólico em algumas coisas que canto. A partir de agora, sou eu por eu mesmo", conta o cantor e compositor em conversa com a Folha de Pernambuco.

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Com produção de Iuri Brainer, o álbum, de fato, parece refletir um artista com uma vida própria galgada a passos largos desde sempre. Porque o universo musical nunca lhe foi algo estranho, inclusive quando viveu transitando junto a parceiros e projetos coletivos - o viés inicial de tudo. Mas, quer saber? Seja lá ou cá, os pés de Marcello Rangel parecem bem fincados. "Sou o cara que pensa de forma coletiva, antes de sair em carreira solo", ressalta o músico. Ao mesmo tempo em que ele também é "o cara" que tem propriedade para trilhar caminhos solitários, movidos por suas composições e permeados por movimentos que ele chama de "migratórios humanos".

"Os movimentos, no meu caso, são papéis fundamentais para a forma como eu me construo como pessoa, como músico, como compositor e criador. Preciso sair do meu centro de gravidade e conhecer coisas novas para que isso me inspire e ganhe um colorido diferente da minha paleta de cores pessoal", explica. Canções como "Despedida", "A Estrada", "Cinemascópio", "O Futuro Nacional" e "Viajo Porque Preciso", algumas das faixas que compõem o disco, falam bem a respeito desse prumo de vida artística tomado por ele neste primeiro trabalho.

Parte das dez canções escolhidas para o álbum foi composta em parcerias "novas e velhas", que se alinhavam aos propósitos do trabalho. Nelas, estão Juliano Holanda, Isadora Melo, Thiago Martins, PC Silva, Clara Torres, Almério, Priscila Gama e Samuel Nóbrega. "Toda minha construção musical foi da comunhão com outros músicos, outras visões. Agora estou me vendo nesse barco sozinho, no sentido de autonomia, de escolhas, mas, ao mesmo tempo, não vou perder a característica de quem sabe dividir o palco e os méritos de construção artística. O disco tem a participação de parceiros antigos, da Araçá Blu (sua primeira banda) e de novos, com quem tenho circulado", enaltece Marcello, a mais nova "voz solitária" da cena independente pernambucana.

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