Acervo de ceramista em exposição no Museu do Homem do Nordeste

Porfírio, natural de Canhotinho, no Interior do Estado, é anterior a Vitalino, numa época em que não se valorizava o trabalho artístico em cerâmica

Orquestra Criança Cidadã (OCC)Orquestra Criança Cidadã (OCC) - Foto: Orquestra Criança Cidadã/Divulgação

Será que existe mesmo necessidade de separar arte erudita de popular? A produção artística não seria uma coisa só, necessariamente inserida no contexto contemporâneo? Ao menos do lugar comum o Museu do Homem do Nordeste (MHNE) pretende retirar a arte popular. Para tanto, a instituição convida público e estudiosos a refletirem em cima da obra de um artista ainda pouco estudado, o ceramista figurativo Porfírio Faustino, um dos primeiros do País. "Queremos acabar com essa divisão entre arte popular e arte erudita porque tudo é arte, independentemente da origem do artista ou do que ele estudou", diz o museólogo do MHNE, Albino Oliveira.

Desconhecido da maioria, Porfírio foi anterior a Vitalino, e produziu entre 1930 e 1940, em uma época em que não se dava valor ao trabalho em cerâmica. Por isso quase nada se sabe sobre ele. Daí o título da exposição "Porvir Faustino...", que será aberta nesta sexta-feira, às 18h, no MHNE, da Fundação Joaquim Nabuco, em Casa Forte. "O que a exposição joga para o público e a comunidade acadêmica é a necessidade de desenvolver mais pesquisas sobre o artista, para que se descubra qual o universo criativo dele", declara Albino.

Natural de Canhotinho, no Agreste pernambucano, Porfírio produziu muito pouco, já que criou apenas durante uma década. "No nosso acervo temos 150 peças, e no Departamento de Cultura da Universidade Federal de Pernambuco, não chegam a 100", revela o museólogo. Uma característica intrigante do trabalho de Porfírio é a cor branca de suas cerâmicas.

As figuras antropozoomórficas - meio humanas, meio animais - chamam atenção pelas feições do rosto, que podem ser pessoas mascaradas ou vindas de um universo fantástico, de personagens monstruosos. "Não sabemos ao certo se estamos diante de um homem-elefante ou de um homem com máscara de elefante", compara Albino. Destaque também para os detalhes das vestimentas, feitos com preciosismo e com muitas cores, principalmente nas figuras femininas, que ganham até vestidos com abotoamento.

Na exposição, o visitante terá ainda a oportunidade de conferir um caderno com diversas informações do acervo do ceramista, como origem da peça, ano em que foi executada, documentos que comprovam a originalidade, além de fotografias raras que mostram o artista trabalhando. "Há ainda imagens em alta definição com detalhes de algumas peças, o que é interessante para observar seu processo produtivo", acrescenta o museólogo.

SERVIÇO
Exposição Porvir Faustino...
Onde: Museu do Homem do Nordeste (avenida 17 de Agosto, 2187, Casa Forte)
Abertura: 14 de outubro, às 18h. Visitação: de terça-feira a domingo, das 9h às 17h
Informações: 3073-6340
Entrada gratuita

 

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