Alceu Valença e Orquestra Ouro Preto em concerto no Teatro Guararapes
O cantor Alceu Valença apresenta seus principais sucessos, com novos arranjos, executados pela Orquestra Ouro Preto no espetáculo 'Valencianas'
O músico Alceu Valença, 72 anos, está acostumado a adaptar o seu repertório aos mais diferentes contextos. Seja Carnaval, São João, festival de música ou turnê internacional, o músico pernambucano tem sempre um tipo de show diferente para cada ocasião. Em 2012, ao completar 40 anos de carreira, suas canções foram adaptadas pela primeira vez para a música de concerto.
Realizado em parceria com a Orquestra Ouro Preto (OOP), o espetáculo "Valencianas" finalmente chega a Pernambuco, depois de passar por cidades como Belo Horizonte, Ouro Preto, Rio de Janeiro, São Paulo e até no exterior, em Portugal.
A apresentação ocorre neste sábado, às 21h, no Teatro Guararapes, mas está com ingressos esgotados desde a última quinta-feira. "Existem vários tipos de Alceu. Devem ser uns dez, no mínimo. Neste concerto, você vai ver uma versão minha muito mais contida, no sentido de tocar a coisa clássica, que é diferente de estar correndo no palco, como eu faço no Carnaval", adianta o músico, que conversou por telefone com a Folha de Pernambuco.
Além dos shows, o compositor está envolvido em outros projetos, alguns deles no campo do audiovisual. "Eu tenho um roteiro pronto para fazer um filme, só não tenho o nome ainda. Estão fazendo dois documentários sobre mim: um da Paola Vieira e outro de Claudio Assis e Lírio Ferreira. Também há um documentário que eu mesmo estou fazendo sobre minha história. Já fui à Paris e filmei por lá, como se estivesse na década de 1970. São muitos projetos", comemora.
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Paola Vieira é amiga de Alceu e elabora a produção da TV Zero, para o canal independente Curta! (TV por assinatura). A ideia é unir registros da trajetória do cantor pernambucano com reflexões do próprio artista, no projeto que vem sendo tocado há um ano. Já o filme dirigido por Claudio Assis e Lírio Ferreira está sendo realizado desde 2016.
Versão orquestral
Para quem for ao show "Valencianas", Alceu Valença explica como chegou até a primeira turnê. Foi o cenógrafo e produtor Paulo Rogério Lage, amigo de Alceu, que impulsionou o projeto, apresentando o artista ao maestro da OOP, Rodrigo Toffolo, em 2010. "Ele passou uns dois anos falando o tempo todo sobre essa proposta para mim, até eu conseguir encontrar um tempo para isso", conta. Acompanhados por Paulo, Toffolo e Mateus Freire - violinista da orquestra - reuniram-se com o compositor em Olinda.
"A gente ficou conversando por muito tempo. Evidentemente, eu já havia ouvido os concertos deles e tinha visto que eram bons. Ouvimos quase todos os meus discos e, depois, fomos escolhendo as músicas do repertório. Reunimos umas 40 músicas e, mais tarde, fomos diminuindo. Ficou nas mãos do Mateus Freire fazer os arranjos e, quando eu vi o resultado, caí para trás. Ficou maravilhoso", relembra.
Foram transpostas para a versão orquestral hits como "Anunciação", "Tropicana", "Coração bobo" e "La belle de jour", além de outras menos conhecidas, como "Acende a luz" e "Ladeiras". Em 2014, o projeto foi lançado em CD e DVD, gravado no Palácio das Artes, em Belo Horizonte. No ano seguinte, foi contemplado com o Prêmio da Música Brasileira, na categoria Melhor Álbum da Música Popular Brasileira.
Demonstrando a diversidade da obra de Alceu Valença, o concerto promove o encontro entre o erudito e o universo popular que sempre serviu de inspiração para o pernambucano. "O popular faz o erudito. Quase sempre, um serve de base para o outro. Villa-Lobos teve como base o popular. O Movimento Armorial também. Já o pessoal da Orquestra Ouro Preto buscou o popular da minha música, que já é reflexo da cultura que nós temos no Brasil e, principalmente, no Nordeste", comenta.
Segundo o artista, o show só chega agora em território nordestino por conta da dificuldade de viabilizar a viagem de uma equipe com cerca de 30 instrumentistas. Com o problema da logística resolvido, a turnê pôde vir para a região, passando também por Natal e João Pessoa. No próximo ano, as cidades de Salvador, Maceió e Aracaju também devem ser contempladas.
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