Amyr Klink lança novo projeto literário

Maior navegador do Atlântico Sul e escritor aprofundou seu aprendizado em entrevista à Folha: em alto-mar, ninguém pode dormir sem antes resolver um problema

Os alunos da rede municipal de ensino de Caruaru são os únicos do Nordeste a participar do projetoOs alunos da rede municipal de ensino de Caruaru são os únicos do Nordeste a participar do projeto - Foto: Divulgação

Amyr Klink começa a entrevista à Folha de Pernambuco aprofundando um aprendizado seu: em alto-mar, ninguém pode dormir sem antes resolver um problema. É uma questão lógica, de sobrevivência, mas que serve de lição no embate ao hábito nocivo que é a procrastinação. “Muita gente me pergunta qual a motivação para continuar tanto tempo no barco. Não precisa ir longe, é simples, ele afunda. Quando existe um problema ali, não temos o direito de descansar. Um amigo que é consultor costuma dizer que o brasileiro tem muita iniciativa e pouca ‘acabativa’”, diz ao telefone o maior navegador do Atlântico Sul, autor do popularíssimo “Cem dias entre céu e mar”, que lança agora “Não há tempo a perder”, pela editora Alaúde e Foz.

Este é um registro autobiográfico dos bastidores das viagens de Klink e algumas considerações do autor, tanto sobre suas atividades quanto à situação do País. Fala do quanto as crises podem ser propulsoras e da importância das decisões tomadas em momentos assim. “A resiliência é extremamente importante; o problema é que temos uma tendência à acomodação. Levamos muita coisa séria na brincadeira e há uma tendência ao conformismo que me incomoda. Esse conformismo, para quem vive embarcado pode ser fatal. Por isso que eu acredito que o mar forma gente interessante.

Falo muito no livro sobre as engenharias que usamos, tanto as acadêmicas como as de gente muito simples, mas que tem uma carga de conhecimento muito grande. Muitas vezes usamos a solução de uma pessoa que tem uma vasta experiência e nenhum conhecimento formal, e dá super certo”.
Klink ama falar sobre o mar, e embora fuja de criar analogias com a terra firme, não tem como fugir das lições que carrega. Afinal, viver laçado a um ambiente arbitrário como esse obriga o homem a pôr os pés no chão. “Ali nada se resolve com prepotência ou arrogância e é muito importante compreender o outro. O mar tem muito mais força que você e, ao mesmo tempo, te permite ir muito longe”.

E sobre o que se alcança no fim das contas, Klink diz que “aprender com o sucesso é óbvio, mas as lições dos fracassos são muito mais enriquecedoras”. “Tem um pouco da cultura norte-americana, ‘to be a winner’ (seja um vencedor). Mas o sucesso é cheio de artimanhas e aprender com os erros dos outros é muito importante. Eu mesmo estudo casos de insucesso antes de seguir com alguns projetos”.
Registros
Marina Klink, esposa do navegador, se tornou fotógrafa profissional depois de viagens em que acompanhou à Antártida. “Ela via as burocracias que enfrentávamos e resgatou as viagens, projetos malucos que fizemos, em uma linha do tempo. A exposição ficou bem interessante”, redime-se Klink que, de início, não colocou muita fé na empreitada.

Atualmente, a exposição “O tempo” está em cartaz no Museu da Imagem e do Som (MIS), em São Paulo. “Achei engraçada a reação de amigos que me conhecem e não sabiam de expedições minhas à Amazônia, de caminhão, pelo Brasil, pelo Nordeste, e até de acidentes que aconteceram na neve”.
“Não tenho essa preocupação de ficar documentando tudo. Das viagens mais legais que fiz na vida, não tenho nenhuma foto”, diz. Pura verdade. Sequer o trajeto pelo Atlântico - saído do Brasil até o continente africano, em que Klink remou por 100 dias (e originou seu livro mais famoso) - tem registros fotográficos. “Levei uma maquininha vagabunda, fiz umas sete fotos”, diz o navegador.

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