A-A+

Ancestrais reverenciados na 19ª Noite dos Tambores Silenciosos

A cerimônia nasceu a partir das obrigações religiosas dos maracatus de Olinda com o objetivo de saudar e pedir proteção aos orixás antes da folia de Momo

Noite dos Tambores SilenciososNoite dos Tambores Silenciosos - Foto: Arthur de Souza/Folha de Pernambuco

Uma multidão acompanhou a 19ª Noite dos Tambores Silenciosos de Olinda, realizada nesta segunda-feira (17). Dez nações de Maracatus de Baque Virado reverenciam seus ancestrais. A concentração acontece nos Quatro Cantos, em seguida os grupos seguem até a Igreja de Nossa Senhora do Rosários dos Homens Pretos, local da celebração. O ápice do encontro ocorre à meia-noite quando todos os maracatus rufam suas alfaias em homenagem aos que ajudaram a carregar essa tradição. 

Leia também:
Louvação dita o Dia dos Eguns na Noite dos Tambores Silenciosos
Recife prepara estrutura para receber as pessoas com deficiência no Carnaval
Com Central de Achados e Perdidos, Olinda divulga esquemas especiais para o Carnaval 

A cerimônia nasceu a partir das obrigações religiosas dos maracatus de Olinda com o objetivo de saudar e pedir proteção aos orixás antes da folia de Momo. A realização é da Associação de Maracatus de Olinda (AMO), com apoio da Prefeitura de Olinda e Governo de Pernambuco. A comunidade da Xambá completa 90 anos e será a homenageada da celebração. Pela primeira vez, por decisão da AMO, o babalorixá Ivanildo de Oxóssi, que também é o Mestre do Maracatu Estrela de Olinda, será o responsável por conduzir a  louvação aos antepassados (eguns).

Para o pai Ivanildo é uma forma importante de manter a tradição viva. "Chamamos nossos ancestrais nesse período carnavalesco para que eles venham nos proteger e tire a violência. Estamos pedindo principalmente pelo fim do feminicídio a Iansã. Como ela é rainha dos eguns e um orixá guerreira vamos pedir muito a ela para que ajude as mulheres", disse. Ele falou sobre a importância das pessoas participarem e conhecerem a Noite dos Tambores Silenciosos de Olinda. "Seria um momento até de acabar com certos preconceitos que existem contra a nossa religião", falou.

A psicóloga Camilla Martins de Oliveira, 36 anos, moradora do Rio de Janeiro, conta que pela terceira vez participa do Carnaval de Pernambuco, mas nunca tinha acompanhado a Noite dos Tambores Silenciosos. "É importante, necessário e fundamental manter viva essa manifestação", disse. O advogado André Wissenbach, 50, de São Paulo, já veio ao Estado durante a folia de Momo por oito anos, mas também nunca viu a cerimônia. "Pela primeira vez consegui chegar antes do Carnaval. É uma oportunidade única de ver a diversidade e a riqueza cultural de Pernambuco", disse.

Diferentemente deles, a auxiliar administrativo Patricia Helena, 41, participa pela terceira vez da Noite dos Tambores Silenciosos, sendo dois anos desfilando no Maracatu Estrela de Olinda. Neste ano, ela estreia como princesa. "Cada ano é uma emoção diferente, mas agora vai ser ainda mais especial, pois tive a honra de ser convidada para ser princesa", falou. Para a advogada Selma Valongueiro, 57, a cerimônia é importante para preservar a identidade afro. "É uma solenidade para proteger nosso Carnaval e garantir que tenhamos uma festa em paz", comenta.

Veja também

VI Edição da Revista Aurora 463 é lançada pela Secult-PE
Pernambuco

VI Edição da Revista Aurora 463 é lançada pela Secult-PE

Pequena Lô comanda live sobre capacitismo no Instagram
Redes Sociais

Pequena Lô comanda live sobre capacitismo no Instagram