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Animage exibe o clássico 'Yellow Submarine' e o curta 'Bolha'

Clássico da animação, o longa baseado em música dos Beatles será exibido nesta quarta-feira (17), no Cinema São Luiz, junto ao curta pernambucano de Mateus Alves, no festival Animage

Cena do filme 'Yellow Submarine' (1968), de George DunningCena do filme 'Yellow Submarine' (1968), de George Dunning - Foto: Divulgação

Uma das características mais empolgantes de um evento como o Animage - Festival Internacional de Animação de Pernambuco é conhecer filmes novos, descobrir as animações que estão sendo produzidas ao redor do mundo, descobrindo não apenas técnicas como também temas e propostas de narração. Ao mesmo tempo, parece igualmente importante olhar para trás na história do cinema e observar os filmes que marcaram época.

Essa combinação entre novo e clássico, a maneira como dialogam e apontam caminhos, está na sessão dupla de hoje do festival, que exibe, às 20h, no Cinema São Luiz (ingressos por R$ 5), o curta pernambucano "Bolha", primeiro filme dirigido pelo músico Mateus Alves, e o longa-metragem "Yellow Submarine" (1968), clássico assinado por George Dunning, que completou 50 anos em 2018, feito a partir da conhecida canção dos Beatles.

"Bolha" se conecta à "Yellow Submarine" na maneira como a música é um caminho narrativo experimental, ao mesmo tempo em que a estranheza e os delírios se transformam em pulsões emocionais. "Desde muito cedo ouço as músicas dos Beatles", diz Mateus. "Posso dizer que eles são uma certa referência para mim, no entanto costumo ouvir mais outros tipos de som: música instrumental, experimental, música para concerto. Acredito que os Beatles são mais uma referência do inconsciente (coletivo) para mim", ressalta.

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No enredo, um jovem em crise tenta lidar com as mudanças que envolvem amadurecer. Mateus transforma esse temor em uma viagem física e experimental. "O curta é um tanto autobiográfico", revela o diretor. "Quando eu era adolescente, passei por aquela fase clássica de me achar bastante estranho, inclusive fisicamente, daí a história do filme: uma deformidade em forma de bolha que vai crescendo no personagem e que simboliza esse sentimento de estranhamento juvenil", diz.

O filme nasceu das vivências de Mateus. "A ideia do filme surgiu há mais ou menos 15 anos, quando eu participava de um grupo de literatura. Lembro que na época estávamos lendo [Franz] Kafka, acredito que essa influência está aparente no curta", diz o diretor. "Nesse período escrevi um pequeno conto (para mim mesmo) intitulado 'Bolhas', que falava um pouco dessa inadequação que muitos jovens sentem ao adentrar a vida adulta, essa dificuldade em se adequar às demandas e pressões sociais", explica.

A animação é feita a partir de imagens do pintor Daaniel Araújo - foram usadas cerca de 500 pinturas, feitas com técnicas de óleo e acrílico. "Sou amigo de infância de Daaniel. Quando nos reencontramos, ele estava entrando no mercado das artes visuais e eu tinha me tornado músico. Nessa época já conversávamos sobre produzir algo juntos e o projeto da animação começou a se desenhar", diz Mateus. A equipe contou ainda com o animador Paulo Leonardo, o montador Eduardo Serrano e a diretora de produção Ariana Gondim.

Trajetória

Além de músico, Mateus trabalhou também na trilha sonora de filmes recentes, como "Amigos de risco", de Daniel Bandeira, e "Viajo porque preciso, volto por que te amo", de Marcelo Gomes. "Nos anos 2000, quando tocava baixo em bandas independentes, participei da produção da trilha de alguns filmes como membro da banda Chambaril", diz Mateus. "Vejo o cinema como mais uma plataforma para produzir sons, da mesma forma que a música para concerto ou apresentações, então não separo esses universos", ressalta.


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