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Anitta diz que está sem sexo; a partir de quanto tempo a abstinência pode afetar a saúde?

Segundo psiquiatra, o paciente pode experimentar sensações de angústia, mal-estar e desconforto

AnittaAnitta - Foto: Michael TRAN / AFP

Depois de revelar em um podcast que ficou quase um ano sem transar, a cantora Anitta disse por meio de suas redes sociais, na noite desta segunda-feira (5), que voltou ao período de abstinência e está focada no trabalho.

"Estou mais parada que foco de dengue. Não vejo homem e nem mulher. Só vejo eu e o trabalho. Eu só trabalho e me estresso”, disse a cantora que está em Instambul para a final da Champions League, onde ela fará uma apresentação.

Em outro momento, a artista respondeu uma caixinha de perguntas de um fã e disse que a situação amorosa em sua vida está “complicada” e sugeriu que a pessoa em questão focasse em outras coisas do cotidiano.

“Pelo menos você estava ficando com um boy e eu que nem chegar nesse ponto, cheguei. Está puxadíssimo para o meu lado, complicado. Foca em outras coisas, em gostar de ficar sozinha e trabalhar. Não sou uma pessoa boa para dar esse tipo de conselho, porque nem gripe eu estou pegando”, disse Anitta.

Riscos
Mas será que ficar meses sem ter uma relação sexual pode trazer riscos à saúde? A ciência diz que sim, ainda mais se o praticante for uma pessoa saudável, que gosta e sente vontade de fazer o ato. O estresse que a cantora diz estar sentindo, por exemplo, pode ser o primeiro sinal de que há algo errado.

Segundo a psiquiatra Carmita Abdo, coordenadora do programa de estudos em sexualidade da USP, o que realmente importa para a medicina é o sofrimento que o paciente experimentar sem praticar o ato sexual, que se desdobra em angústia, mal-estar e desconforto.

"É uma questão pessoal e de livre-arbítrio. Aqueles que não querem fazer sexo por um determinado período, se não estiverem em sofrimento, não precisam se preocupar. O problema é quando se quer fazer, porém, por inúmeros motivos, como falta de oportunidade, de um local adequado ou de um parceiro, não faz e sente a necessidade daquilo. Isso causa um sentimento de vazio, um desejo descontrolado, levando a desfechos negativos" explica.

Esses desfechos negativos, citados pela psiquiatra como “sofrimento”, podem trazer riscos físicos e psicológicos graves. Começando por uma crise de ansiedade criada pelo desejo insatisfeito, que evolui para uma depressão do sistema imunológico e posteriormente do sistema nervoso central. O paciente se sente mais vulnerável, sua autoestima cai, seu corpo sofre alterações e fica fisicamente mais fraco, o que estimula o aparecimento de doenças bacterianas, viroses e até mesmo infecções generalizadas.

Tempo máximo
Porém, qual seria o tempo máximo de intervalo até essa falta prejudicar a saúde física e mental? Cientistas dizem que isso depende dos hábitos sexuais de cada um. Uma pessoa que tem uma vida sexual ativa, de ao menos três encontros por semana, começa a sentir os primeiros sinais de sofrimento depois de cerca de 30 dias sem sexo. Já aqueles que mantêm relações espaçadas em 15 a 20 dias, ter um hiato de três a quatro meses não é algo preocupante.

Um jovem de até 29 anos, com a libido em dia, sem dificuldades de se manter sexualmente ativo — ou seja, tem ou consegue arranjar parceiro, é saudável e tem local para o encontro —, consegue em média ficar cerca de oito semanas (ou dois meses) sem ver o início das manifestações de “sofrimento” e se indagar se há algo errado com ele.

De acordo com um estudo do Instituto Kinsey para Pesquisas em Sexo, Gênero e Reprodução, nos Estados Unidos, a frequência sexual varia de acordo com a idade, depende de diversos fatores, como estilo de vida, saúde e libido, e tende a cair ao longo dos anos.

Os jovens de 18 a 29 anos, por exemplo, têm em média 112 relações sexuais por ano, o que corresponde a três encontros semanais. A média cai para 86 entre adultos de 30 a 39 anos, o que equivale a cerca de 1,6 atividades sexuais por semana. O grupo da faixa etária de 40 aos 49 anos tem um total de 69 atividades por ano, ou seja, 1,3 encontros sexuais semanais.

"É normal ter essa queda no número de atividades sexuais com o decorrer dos anos em razão do aumento de responsabilidade. Os adultos têm emprego, filhos, orçamento doméstico, entre outras situações que acabam tirando o sexo do primeiro plano" explica Abdo.

É comprovado que o sexo faz bem para à saúde, com a liberação de hormônios e substâncias que trazem sensações de felicidade e prazer. Ele oxigena os tecidos e a pele, torna o indivíduo mais alerta, além de reduzir o risco de ataques cardíacos, derrames cerebrais e outras doenças cardiovasculares.

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