Aos 84 anos, Hulda Bittencourt, fundadora do Cisne Negro, fala sobre sua paixão pela dança

Hulda Bittencourt volta ao Recife após 10 anos para mostrar o espetáculo "Vem Dançar" e realizar oficina

Espetáculo 'Vem Dançar'Espetáculo 'Vem Dançar' - Foto: Tomas Kolish jr./Divulgação

Aos 84 anos, Hulda Bittencourt - junto com Dany Bittencourt - assina a direção artística do "Vem Dançar", espetáculo que, em 55 minutos de duração, mostra a história da dança desde o século 16. Começa pela dança clássica, passa pelas danças populares como a capoeira, o frevo e o samba e chega à contemporaneidade do funk, do rap e do hip-hop.

"Criei este musical para mostrar a história da dança global porque nem a categoria artística conhecia. Deu tão certo que não tirei mais de cartaz. Nada melhor do que ensinar, para todos, a história da dança. Criei uma coisa bem leve, bem divertida, onde o Rei Sol, principal personagem, canta, dança e interpreta e os bailarinos vão dançando ", revela Hulda Bittencourt.

Depois de mais de dez anos longe do Recife, a Companhia Cisne Negro, fundada por ela há 42 anos, em São Paulo, está de volta a Pernambuco. Neste sábado (14), a companhia apresenta o espetáculo "Vem Dançar", que faz parte do projeto Pintando o 7, em cartaz até 29 de julho, na Caixa Cultural, no Recife Antigo, com atrações para o público infantojuvenil neste mês de férias escolares.

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Ativa, atenta à necessidade de valorizar a dança no Brasil, ela reivindica mais iniciativas do poder público para estimular e desenvolver a arte levando companhias de dança como a Cisne Negro, vista na China, em toda a Europa, na Tailândia e nos Estados Unidos, para os palcos nacionais.

"A gente já fez tanta coisa, nacional e internacionalmente, mas é muito importante estar aqui no Recife. Vamos para o exterior, mas o Norte, o Nordeste, como ficam ? A divulgação tem melhorado, mas precisa melhorar ainda muito mais. Temos muitas companhias surgindo, precisam girar dentro do país. Tem talento sobrando no Brasil", comenta.

O brasileiro, segundo a bailarina, já nasce dançando e prova que aprecia a dança, em todos os estilos e inovações. A apresentação do "Quebra Nozes", há 35 anos consecutivos, em São Paulo, pela Cisne Negro, atesta o que ela diz. A partir do anúncio, em meados do ano, os paulistanos já começam a comprar os ingressos para o espetáculo, exibido em dezembro. As variações introduzidas pela coreógrafa no clássico balet de Pior Ilitch Tchaikovsky, justificam o interesse.

"Embuti várias coisas que o público adora. Circo, rapel, um menino tocando violino... Adoro brincar, inventar. Todos querem saber qual a loucura do ano", diverte-se Hulda Bittencourt, revelando que sua criatividade não tem freio, nem data para acabar. Há dois anos a Cisne Negro estreou "Ziggy - Tributo a David Bowie", criando mais um sucesso de bilheteria.

   Futuro

O interesse do público do Recife pelo curso gratuito de "Danças Brasileiras e Brincadeiras Populares", realizado pela Cisne Negro, levou a uma edição extra neste sábado (14), para outras vinte pessoas, na Caixa Cultural. O bailarino pernambucano André Santana, integrante da companhia, comanda o workshop. Para a bailarina e coreógrafa, esta procura comprova o crescente interesse e aceitação da dança pela sociedade. O Estúdio de Ballet Cisne Negro, aberto por Hulda Bittencourt há quatro décadas, a cada dia recebe mais pais levando seus filhos homens para dançar.

"Temos cerca de 15 alunos, entre 10 e 15 anos, bolsistas, matriculados pelos pais. Isso me deixa realizada. Não admito discriminação na arte, na cultura, na educação. Nunca fechei as portas para ninguém", conclui. Pela aceitação conquistada por sua obra, condensada no livro "Cisne Negro - 30 anos de dança", o público só tem a agradecer pelo espetáculo.

Serviço:
Projeto Pintando o 7 na Caixa Cultural
Espetáculo "Vem dançar - Companhia Cisne Negro"
Neste sábado (14), às 16h e às 18h
Ingressos: R$ 10 e R$ 5 (meia-entrada)
Informações: (81) 3425-1915

 

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