Homenagem

Após polêmica, Nei Lopes recebe título de honoris causa pela UFRJ

Em 2020, cantor e compositor havia tido homenagem negada por congregação da universidade

Nei LopesNei Lopes - Foto: Jefferson Mello/divulgação

O compositor, cantor, escritor, advogado, estudioso das culturas africanas Nei Braz Lopes recebeu, nessa quinta-feira (24,) o título de título de doutor honoris causa pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Segundo a assessoria da universidade, a  aprovação da concessão para Lopes ocorreu por unânimidade e com aplausos.

“Em suas obras, o autor demonstra como as ideias positivistas em voga no século XIX contribuíram para que uma suposta ideia de inferioridade das culturas afro-brasileiras adentrasse no inconsciente nacional", lembrou a professora Elaine Rodrigues, parecerista do processo no Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas (CCJE).

Agora unânime, a homenagem chegou a correr risco de não ser aprovada. Em junho do ano passado, a concessão do título havia sido negada pela congregação (órgão deliberativo máximo) da Faculdade Nacional de Direito da UFRJ.  Oito integrantes votaram contra e dez a favor, mas eram necessários 14 votos para o nome ser aprovado. Para o quadro, o compositor apresentava “tímida atuação como advogado” e não guardava "relação estreita com o campo jurídico”.

A recusa causou revolta nas redes, com muitos admiradores vendo preconceito racial e de classe na decisão. Ex-aluno da UFRJ, Nei já havia recebido o mesmo título das universidades Rural do Rio de Janeiro (2012) e do Rio Grande do Sul (2017). Também recebeu em 2012 a medalha da Ordem de Rio Branco, pelo Ministério das Relações Exteriores.
 

— Meu trabalho como compositor e escritor tem como razão principal minha condição de cidadão afrodescendente. Então, quando tive a notícia da recusa, fiquei triste. Mas, logo em seguida, a relatora do processo me enviou uma longa mensagem me pedindo desculpas. Ela, inclusive, declarou-se conhecedora da minha obra e disse que foi levada a erro pelos propositores da homenagem — diz Nei, que aceitou as desculpas.

No mês seguinte, a congregação voltou atrás e reconsiderou por unanimidade o resultado anterior e o título foi enfim aprovado.

Nascido no Irajá, subúrbio do Rio, Nei Lopes se notabilizou como compositor, principalmente por suas parcerias com nomes como Wilson Moreira e Chico Buarque. Como escritor, Lopes tem mais de 40 livros piublicados. Em 2021, lançou as obras “Enciclopédia brasileira da diáspora africana” e o “Dicionário banto do Brasil”. Em 2009, ganhou o Prêmio Jabuti, o mais tradicional da literatura brasileira, por "História e cultura africana e afro-brasileira".

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