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Após racha, 'Amigas' e 'Amigas do Brega' preparam novos projetos

Os nomes são parecidos, bem como o estilo musical, mas as duas girl bands de brega pernambucanas garantem que há espaço para os dois grupos no mercado

"Amigas" e "Amigas do brega""Amigas" e "Amigas do brega" - Foto: Divulgação

Um dos assuntos que mais repercutiram na cena brega pernambucana em 2019 foi, sem dúvidas, a recente dissolução da banda Amigas do Brega. No final de novembro, fãs e profissionais da música foram pegos de surpresa com a notícia. Após desentendimentos internos, as cantoras Dayanne Henrique, Dany Myler e Eliza Mell deixaram o projeto criado por Palas Pinho, ex-vocalista da Ovelha Negra, e passaram a se apresentar como Amigas. Já a idealizadora e detentora da marca original resolveu dar continuidade ao quarteto, convocando outras três artistas locais.

Após o burburinho inicial nas redes sociais, as duas girl bands vêm se dedicando a novos trabalhos e têm agendas de shows lotadas para os próximos dias. Amigas do Brega nasceu em 2018, com a proposta de reunir cantoras que fizeram sucesso em bandas pernambucanas. Ao revisitar antigos hits da música brega, o projeto conquistou o público na internet e se tornou atração frequente nas festas recifenses. Com a saída das companheiras, Palas se uniu a Adriele Matias, que esteve à frente da banda Boa Toda; Madonna Becker, que cantou na Pank Brega; e Isa Falcão, que esteve nos vocais da Banda Espartilho. Essa última chegou a fazer parte da formação original das Amigas do Brega, mas foi substituída por Eliza Mell.

As novas integrantes do Amigas do Brega foram anunciadas no começo de dezembro e já se apresentaram juntas no Réveillon, no palco da Prefeitura do Recife, no bairro da Várzea e no município de Chã de Alegria. O trio Amigas, por sua vez, começou a virada de ano na Lagoa do Araçá, depois seguiu para a praia do Janga, em Paulista, e viu o dia amanhecer na festa da produtora Golarrolê, no Catamaran. "Amamos essa maratona. Foi a melhor coisa que poderia acontecer para fechar o nosso ano", afirmou Eliza Mell, revelada na banda Brega.com, do sucesso "Ânsia".

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Nesta nova fase, a Amigas do Brega tem como empresário Jozart, que também administra a carreira de Eduarda Alves. A dona do hit "Em nosso quarto", inclusive, gravou participação na nova música da banda, "Por que tocou meu coração?", lançada bem no último dia do ano. A canção é o primeiro single do próximo DVD do quarteto, que estará disponível para os fãs ainda no primeiro semestre, contendo 17 faixas. Entre os clássicos bregosos que serão regravados estão "Vou calar sua boca" (Jorge Silva do Recife), "Milk shake" (Waldecir Moreno), "Um dia vai me procurar" (Elvis Pires/Rodrigo Mel) e "Meu homem animal" (Walter de Afogados).



"Será um DVD de apresentação da nova formação, filmado de maneira bem intimista pela Full Happy Filmes. Mas depois do Carnaval, gravaremos um EP. Dessa vez, nossa aposta será em músicas inéditas, mas mantendo as referências ao brega romântico que a gente vem reverenciando", adianta Palas. Durante o mês de janeiro, o quarteto já tem shows agendados para todos os finais de semana. Neste domingo, as paradas são as cidades de Camutanga e Carpina, na Zona da Mata Norte de Pernambuco.

Já as Amigas comemoram o sucesso do clipe da música "Dá dá dá", lançado pouco antes do Natal, em parceria com MC Tróia. O vídeo conta com mais de 70 mil visualizações no YouTube. "Pegamos um hit dos anos 1990 e transformamos numa batida de passinho, que hoje em dia é o que está tomando conta de tudo e todo mundo gosta. Apoiamos o movimento brega em todas as suas vertentes, desde o brega funk ao romântico. É isso que fazemos nas nossas apresentações e o público sempre apoia", diz Dayanne Henrique, ex-vocalista da Frutos do Amor. Neste sábado, a girl band se apresenta no Arena Fest, em Tamandaré, e no Brisa Pub, em Porto de Galinhas.



Em 2020, o trio promete a gravação de um DVD oficial, ainda no primeiro semestre, e o lançamento de uma websérie. Em formato documental, o trabalho será publicado no canal da banda no YouTube, entre o final de janeiro e início de fevereiro. "É o registro do nosso réveillon, mostrando os bastidores dos três shows. Falamos sobre carreira, música brega e um pouco das nossas vidas pessoais, compartilhando um pouco da nossa intimidade com os fãs", diz Dany Myler, que liderou a Banda Lolyta. Segundo a cantora, apesar do estranhamento inicial, o público abraçou a nova fase dela e seuas companheiras. "Por que choras Destiny's Child? Pernambuco também tem uma girl band", brinca.

Para Palas, a similaridade nos nomes e nas propostas das duas bandas pode confundir os fãs, mas defende que há espaço para todas no mercado. "Eu e minhas novas colegas estamos construindo uma nova história juntas e elas estão assimilando muito bem toda a ideologia do trabalho. Quando as meninas toparam o meu convite e o pessoal soube disso, já começou a surgir pedidos de show. O que faz o sucesso do projeto é a nostalgia que ele desperta ao remeter a uma fase do brega em que a gente explodiu sem a ajuda da internet. Falamos a linguagem das mulheres, dos amantes, dos relacionamentos, e isso sempre faz surgir alguma lembrança em quem escuta", defende a cantora.

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