Argentina busca Urso de Ouro da Berlinale com thriller 'O fugitivo'

A diretora do longa, Natalia Meta, confessou ter tido de superar seu medo de ver esse tipo de filme

A atriz argentina Erica Rivas posa durante una sessão de fotos para o filme "O fugitivo" no 70º festival de cinema da Berlinale, em BerlimA atriz argentina Erica Rivas posa durante una sessão de fotos para o filme "O fugitivo" no 70º festival de cinema da Berlinale, em Berlim - Foto: AFP

Após seis anos, a Argentina voltou a competir, nesta sexta-feira (21), pelo Urso de Ouro na Berlinale, com "O fugitivo", um "thriller" com Érica Rivas e Ceccilia Roth.

A diretora do longa, Natalia Meta, confessou ter tido de superar seu medo de ver esse tipo de filme.

Apresentado no segundo dia do Festival de Berlim, o filme concorre com outros 17 longas no maior prêmio que será anunciado em 29 de fevereiro pelo júri presidido pelo ator britânico Jeremy Irons.

Natalia se cercou de um elenco poderoso para seu segundo longa-metragem, inspirado no romance de terror "El mal menor", do escritor argentino C. E. Feiling (sem publicação em português).

Junto com as protagonistas Rivas e Roth, estão Daniel Hendler (Urso de Prata para melhor ator) e o prolífico Nahuel Pérez Biscayart, este ano na Berlinale com o filme russo "Persian lessons" ("Lições Persas", em tradução livre).

Rivas encarna Inés, uma profissional de dublagem e membro de um coral. Uma experiência traumática provocará pesadelos e alucinações, a ponto de a demarcação entre fantasia e realidade evaporar. Pouco a pouco, os sons ocupam seu corpo, forçando a protagonista a buscar uma saída.

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Uma tensão permanente marca a passagem do longa-metragem de Meta, brincando com o sono e a vigília, buscando a coexistência dos dois mundos, sem julgar o bem, ou o mal.

"Queria apagar a fronteira do bem e do mal" tão característica dos "thrillers", afirmou a diretora, acompanhada do elenco principal em Berlim.

"Com as janelas abertas"

Após sua estreia no filme policial "Morte em Buenos Aires" (2014), Meta explicou que decidiu explorar o gênero de terror depois de ler "El mal menor", do "mítico" Feiling, morto prematuramente em 1997, devido a uma doença.

Seu problema: "Tenho muito medo de filmes de terror. É sério", confessou. "Mas decidi perder o medo e comecei a assistir" a filmes do gênero "em casa, durante o dia, com todas as janelas abertas".

Assim, "Mullholland Drive - A Cidade dos Sonhos", de David Lynch, é uma das grandes referências de "O fugitivo", embora Meta volte a mover novamente as fronteiras e incorpore elementos de comédia – protagonizados principalmente pelo insuportável namorado de Inés, Leopoldo (Daniel Hendler) – e de drama.

Outro protagonista do filme: os sons que enlouquecem Inés e desafiam o espectador ao mesmo tempo. "O som é quase indistinguível" da ação. "Quando batem na porta, no filme, pode ser perfeitamente a da sua casa", afirmou Meta.

Apelo ao aborto legal
Já Érica Rivas levou para Berlinale a voz do movimento social que exige, na Argentina, a legalização do aborto.

"Estamos pedindo aborto legal em nosso país", afirmou a também intérprete de "Relatos selvagens", após milhares de mulheres irem às ruas esta semana com lenços verdes a favor da causa.

Na competição de Berlinale, "O fugitivo" enfrentará os últimos trabalhos de diretores como Abel Ferrara, Philippe Garrel, Sally Potter e Kelly Reichardt.

No ano passado, quem levou o Urso de Ouro foi "Synonymes", de Nadav Lapid.

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