Arquivo Público recebe oficina sobre programa Memória do Mundo

Diretor do Arquivo Público Estadual,Félix Filho, um dos 18 membros do Comitê Nacional da Unesco, realiza capacitação para tentar ampliar o alcance dos registros nacionais em Pernambuco e estados vizinhos

Félix Filho conta que um dos seis registros pernambucanos (a coleção de documentos relativos ao DOPS) foi considerado de importância internacionalFélix Filho conta que um dos seis registros pernambucanos (a coleção de documentos relativos ao DOPS) foi considerado de importância internacional - Foto: Gustavo Glória / Folha de Pernambuco

Bibliotecários, professores e estudantes de História e representantes de entidades variadas vão participar, na tarde desta quinta-feira (24),  de uma oficina promovida pelo Comitê Nacional da Memória do Mundo da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

O evento ocorre no Arquivo Público de Pernambuco, e contava com mais de 70 inscritos. Segundo o diretor do Arquivo Público, Félix Filho, que é um dos 18 integrantes do Comitê, a proposta da oficina é tornar o programa Memória do Mundo mais conhecido e capacitar as pessoas para atender aos critérios do processo de inscrição e reconhecimento de projetos.

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O Brasil faz parte do programa Memória do Mundo desde 2004, mas apenas em 2007 começaram os registros nacionais. Pouca gente sabe, mas da mesma maneira que um marco arquitetônico, um sítio arqueológico ou uma reserva natural, documentos de vários tipos vêm sendo considerados patrimônio da humanidade.

Fotografias, filmes, registros sonoros, cartas, processos judiciais, certidões, mapas, desenhos, pinturas e outros objetos vêm sendo analisados nesse sentido. Entre 2007 e 2017, 93 registros foram reconhecidos (entre eles, por exemplo, a Lei Áurea, as partituras do músico Villa-Lobos e escritos dos pernambucanos Joaquim Nabuco e Paulo Freire).

"A maioria esmagadora desses documentos está no eixo Rio-São Paulo. Em Pernambuco, até agora, foram apenas seis", lamenta Félix, que se orgulha do fato da coleção de documentos relativos ao Departamento de Ordem Política e Social (Dops), que abordam a ditadura militar e outros períodos históricos e estão sob a guarda do Arquivo Público local, ter recebido em 2011 o status de patrimônio de importância internacional. A ideia da oficina é justamente tentar possibilitar a ampliação das candidaturas realizadas por Pernambuco e estados vizinhos.

Preservação da Memória 

O programa Memória do Mundo foi criado em 1992, quando o então diretor geral da Unesco, Frederico Mayor Zaragoza, percebeu os efeitos da destruição da Biblioteca de Sarajevo, durante a Guerra da Bósnia, quando cerca de dois milhões de livros, periódicos e documentos, muitos deles raros ou únicos, foram destruídos, levando a uma perda incalculável.

Assim, o programa foi criado para preservar e dar acesso público a documentos significativos, a fim de proteger e divulgar a memória coletiva da humanidade. Atualmente, 73 países integram o programa, que reconhece a importância de patrimônios em nível nacional, regional e internacional.

Félix Filho explica que obter a distinção não significa receber nenhum prêmio pecuniário, mas é algo cuja importância vai além do status. "Com a nominação, fica muito mais fácil obter recursos para a manutenção da documentação, já que se ampliam as possibilidades de financiamento diante do reconhecimento da importância daquele acervo", destaca.

O Comitê Nacional abriu em março o edital de candidaturas para o Registro Memória do Mundo do Brasil - 2018, e as inscrições podem ser realizadas até o final de julho. "Após passar por esta capacitação de hoje, que será ministrada por mim, pela diretora do Arquivo Nacional do Rio de Janeiro, Maria Elizabeth Brea, e pelo professor George Evergton Sales Souza, da Universidade Federal da Bahia, esperamos que surjam muitas propostas locais", destaca. 

Entre as entidades inscritas no evento de hoje, há representantes do Rio Grande do Norte (Cinemateca Potiguar-IFRN), de Alagoas (UFAL) e de diversos órgãos locais, como a Universidade Federal de Pernambuco, o Centro de Documentação da Arquidiocese de Olinda e Recife, a Academia Pernambucana de Letras e o Memorial de Justiça do Tribunal de Justiça de Pernambuco.

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