Arthur Moreira Lima traz projeto musical a Pernambuco

"Um piano pela estrada" terá apresentação gratuita nesta quinta-feira, às 19h, no Cabo de Santo Agostinho

Carreta do projeto "Um piano pela estrada"Carreta do projeto "Um piano pela estrada" - Foto: Divulgação

Um caminhão estacionado em um espaço público não é uma cena tão distante da rotina de qualquer cidade. Surpreendente seria se, de repente, esse veículo se transformasse em palco e, dentro dele, um concerto fosse apresentado ao público. Essa é a proposta do projeto "Um piano pela estrada", que fez o consagrado pianista fluminense Arthur Moreira Lima percorrer o Brasil em 531 apresentações, ao longo de 14 anos.

Patrocinada por uma empresa de gás domiciliar, a ação chega ao Cabo de Santo Agostinho, na Região Metropolitana do Recife. O concerto ocorre nesta quinta-feira (4), às 19h, no Largo da Estação, centro do município. A apresentação tem o apoio da Prefeitura do Cabo e Complexo Portuário de Suape e é patrocinado pela Ultragaz.

"O objetivo é um só: levar a música clássica ao alcance de todos. Infelizmente, o ambiente do teatro acaba afastando grande parte da população. A música erudita acaba sendo vista como uma coisa imponente e elitista. Por que precisa ser assim? A arte vem do povo e é do povo. Fico satisfeito comigo mesmo ao ver que consegui sair do pedestal que, muitas vezes, artistas do meu meio se colocam", explica Arthur, que tem no currículo apresentações com orquestras internacionais, como as de Berlim, Viena, Moscou e Praga.

No Cabo de Santo Agostinho, o espetáculo tem 1h30 de duração. O repertório mescla o erudito e o popular, com obras de Mozart, Beethoven, Chopin, Villa-Lobos, Pixinguinha e Luiz Gonzaga. "Juntei músicas clássicas que se tornaram populares, pois qualquer um conhece, e músicas populares que viraram clássicas, já que resistiram ao tempo e encantam qualquer ouvinte", conta.

Nos anos anteriores, o projeto já passou por outras cidades de Pernambuco, como Recife, Caruaru, Petrolina e Salgueiro. "Sou um pouco pernambucano também. Meu pai era de Garanhuns", revela o pianista.

Com seu caminhão-teatro, Arthur teve a oportunidades que poucos instrumentistas já tiveram: tocar em todos os estados do País, além do Distrito Federal. "Literalmente, já fui do Oiapoque ao Chuí. Eu e minha produção já visitamos quase todos os rincões do Brasil. Já nos metemos até no meio da Amazônia, percorrendo rios para chegar aos nossos destinos", recorda.

"O que me deixa gratificado é a recepção do nosso trabalho. A cada ano que passa, mesmo com as dificuldades, o público só aumenta. É a prova de que tudo que as pessoas só precisam de uma oportunidade para conhecer e gostar de música", relembra.

Com mais de 50 anos de carreira, o músico não pensa em abandonar seu projeto itinerante nem tão cedo.

"Quem ganhou com isso tudo foi o Arthur brasileiro. Boa parte dos meus estudos foi financiada pelo País, através de bolsas de estudo que consegui desde muito jovem. Chegou um momento em que eu precisava retribuir de alguma forma. Esse é um sentimento, na verdade, que todos nós deveríamos ter", diz.

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