Artista Joana Lira expõe Carnaval do Recife em São Paulo

'Quando a vida é uma euforia' é baseada na identidade visual criada pela designer ao longo de dez anos

Exposição Joana LiraExposição Joana Lira - Foto: divulgação

A artista e designer Joana Lira tem um pesadelo recorrente: o Carnaval chega e ela não tem como brincá-lo - está sozinha, sem amigos, sem fantasia e longe de Olinda. "Aí acordo e vejo que ainda não chegou fevereiro e que tenho uma mala cheia de fantasias para usar", brinca. Ao longo de seus 41 anos, afirma só ter deixado de entrar na folia quatro vezes. O amor pela festa é evidente e foi o que a levou a produzir "Quando a vida é uma euforia", exposição que apresenta uma face do Carnaval pernambucano ao público paulistano, em exibição a partir de hoje no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo.

“Para mim, o Carnaval é um caldeirão de aprendizado, porque na rua, no meio do bloco, se entende muito da vida. É isso que quero trazer nessa exposição: transportar o visitante para um processo narrativo, imersivo, pulsante; trazer essa coisa das cores, de uma cultura que é muito rica. Mostrar o Carnaval de Recife para o mundo é também dividir sua história, fortalecê-la, manter uma tradição”, sublinha Joana, que, durante dez anos, fez parte da equipe que desenvolveu o projeto de cenografia e identidade visual do Carnaval recifense. "A ideia é levar essa exposição para outras cidades. Meu desejo sempre foi, inclusive, começar essa exposição por Recife, mas infelizmente não tive apoio financeiro", lamenta.

“Sou uma pessoa que antes de ser artista, mulher, mãe, amo o Carnaval. É uma festa em que me reconheço, com o qual tenho uma relação quase que religiosa, porque mexe com todos os meus sentidos e minha história”, expressa a artista. A mostra, que tem curadoria de Mamé Shimabukuro e direção musical de Maurício Badé, se divide em três núcleos. O primeiro, de nome “Pertencimento” e mais didático, conta a história do Carnaval pernambucano e explica o processo de cenografia e as influências dos homenageados da festa, os quais serviram de inspiração para os desenhos.

Conta também com elementos como uma gola de Maracatu, da coleção de Carlos Augusto Lira; uma carta de Ariano Suassuna, que já foi homenageado da festa; e um conto de Clarice Lispector sobre o Carnaval. “Manifestação”, o segundo núcleo, mais vibrante, traz um vídeo-arte com música imersiva de Carnaval e iluminação própria. “É uma exposição em que cada núcleo conta com uma trilha sonora pensada só para ele", complementa Joana. "O último núcleo, que é o ‘Transcendência’, traz personagens monumentais para a pessoa sentir o fervo do carnaval", resume Joana, que também incluiu, nesta etapa, o mural "Mulher Fragmentada", sobre o universo feminino dentro da festa carnavalesca.

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