Artista plástico expõe seus trabalhos em aquarela na Galeria Maumau

São 13 trabalhos - a maioria inéditos - feitos em aquarela, que lidam com a sexualidade, ou melhor, mistura de gêneros

Ex-PajéEx-Pajé - Foto: YouTube / Reprodução

 

Luis Henrique Viudez, 35 anos, não é um no­me conhecido no cená­rio recifense das artes plásticas, mas, depois deste sábado (8), passará a ser. Natural de Fortaleza, ele estará na Galeria Maumau com a exposição “Desatinado Coração”. São 13 trabalhos - a maioria inéditos - feitos em aquarela, que lidam com a sexualidade, ou melhor, mistura de gêneros. Ao criar esses seres híbri­dos e andróginos que habitam os centros urbanos, Viu­dez os alça à categoria de mi­tos, e acaba por abordar outra temática forte em seu tra­balho, a religiosidade. “Mi­nha pesquisa atualmente gira em torno de criar entidades mágicas sobre as quais não seja possível apontar religião nem sexo. A ênfase vai para o ser humano”, explica o artista.

A técnica de aquarela parece o contraponto de leveza necessário ao trabalho do artista, que por outro lado carrega nos detalhes pontilísticos do traço para retratar figuras repletas de adereços, que lembram divindades da cultura negra, numa releitura toda cheia de identidade. Autodidata e artista há 11 anos, Luis Henrique começou a usar a aquarela não da maneira ortodoxa, com a tinta apropriada. Ele sentiu a necessidade de alcançar o efeito da tinta diluída, que se es­vai sobre a tela ou o papel. “O efeito sempre me atraía”, revela o artista, que passou a li­dar com as tintas apropriadas quando participou de um laboratório oferecido pelo centro de cultura Dragão do Mar.

Lá ele conheceu o curador Cauê Alves, que o orientou a seguir com a aquarela, já que era preciso fazer uma exposição dali a seis meses. Isso foi há cerca de um ano. Viudez começou com o grafite, no grupo “Acidum”, e mesmo nas intervenções urbanas, por onde atuou durante cerca de cinco anos, já tinha como característica o traço bem fino.

Quanto à religiosidade, o que sempre atraiu o artista é a devoção das pessoas aos santos populares do Interior. “São aqueles santos não reconhecidos pela igreja pelos seus milagres. Fiz um projeto para o Porto de Iracema das Artes, que é uma escola de formação e criação do Ceará, chamado ‘Degênero’, em que propus um conflito entre sexualidade e espiritualidade.”

“Desatinado Coração” é um nome que remete também a desenhos tipo tatuagens de marinheiro, e ao Sagrado Coração. “Escrevo palavras soltas dentro do coração”, diz o artista. Durante o evento na Maumau, Viudez também fará uma espécie de performance chamada Mesa Branca, em que convida um artista para desenhar junto com ele, numa mesa, diante do público. Paulinho do Amparo será o convidado. O público poderá comprar os desenhos e também observar o trabalho de produção, além de interagir com o artista. “É a primeira vez que vou ao Recife e essa é uma maneira legal de conhecer as pessoas”, revela Luis.

A exposição faz parte do Bazar Traga Sua Obra, que pretende comemorar o Dia das Crianças e de Cosme e Damião com exibição do filme “Rio, Zona Norte”, de Nelson Pereira dos Santos, além de comercialização de roupas, livros, bijuterias, gravuras, discos... Quem quiser expor pode entrar em contato pelo [email protected]

 

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