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Artistas descrevem interdição da Polícia Militar em shows de Carnaval; PM nega

Segundo relatos, o motivo das ações foi devido às letras da músicas que estavam sendo cantadas

Carnaval 2020 no polo da VárzeaCarnaval 2020 no polo da Várzea - Foto: Marcela Cintra/PCR

Algumas bandas que se apresentaram no Carnaval 2020 relataram que oficiais da Policia Militar realizaram ações durante os shows em palcos descentralizados. Segundo integrantes das bandas Devotos e Janete Saiu Para Beber, os policiais queriam impedir que os músicos tocassem músicas de Chico Science e Nação Zumbi. 

O primeiro relato foi feito pelo vocalista da banda Devotos, que se apresentou no domingo (23), no polo Várzea, na Zona Oeste do Recife.

Através de uma nota, a Banda Janete Saiu Para Beber, afirmou que houve “repressão e censura” durante uma apresentação na segunda-feira (24), na Rua do Apolo, por parte da Polícia Militar por conta de uma homenagem ao cantor Chico Science. Segundo a banda, os oficiais se irritaram com músicas como “Sangue de Bairro”, “Monólogo ao pé do ouvido” e “Banditismo por uma questão de classe” e questionaram a produção do evento sobre o teor dessas músicas.

A banda afirma que os oficiais disseram: “Não pode tocar Chico Science. Chico é som de briga! Não pode tocar!”. Para apaziguar brigas, os músicos decidiram continuar o show com músicas em inglês “como forma de amenizar a tensão desnecessária”.

“Em um país onde temos a polícia que mais mata, mas também a que mais morre, é revoltante perceber que aqueles agentes que deveriam servir e proteger, não possuem consciência de classe e enxergam a população mais vulnerável e suas manifestações artísticas como inimigas do falso cidadão de bem. O sentimento de resistência se torna mais forte através da arte e da comunicação, justamente porque não podemos permitir que serpentes criem asas. A realidade deve ser exposta, gritada e cantada para incomodar os hipócritas e fazer o povo pensar e agir, pois isso é tudo que um governo repressor e reacionário quer impedir”, concluíram em nota.

Horário 

Já o cantor China se manifestou através de sua conta do Twitter na quarta-feira (26). “Final apoteótico com a polícia em cima do palco tentando encerrar meu show na Lagoa do Araçá. Não sabia que era a polícia que cuidava do crono dos shows do carnaval”, escreveu.

De acordo com a assessoria do cantor, o início do show, programado às 23h40, só veio acontecer por volta das 1h, em virtude do atraso do próprio polo. Antes mesmo do fim, um grupamento da Polícia Militar tentou encerrar a apresentação, alegando que já estava além do horário previsto. 

Segundo o artista, foi preciso que integrantes da produção “barrassem” a polícia de entrar no palco para que o show continuasse. “Só tenho a agradecer muito a minha empresária e produtora que se colocaram a frente da polícia e não deixaram eles invadirem o palco pra encerrar o show. Duas mulheres fortes e incríveis”, afirmou.

“A cultura jamais pode ser censurada. A cultura tem que ser ovacionada, espalhada por todos os cantos, pois é a cultura que semeia novas flores”, concluiu o cantor nesta quinta-feira (27). Ainda de acordo com a assessoria, diferentemente de outros casos citados, não haviam músicas de Chico Science ou Nação Zumbi no repertório do cantor. 

Em nota, a PM afirmou que não houve qualquer tipo e intervenção durante as apresentações e que não existe proibição sobre músicas.

Confira na íntegra:

A Polícia Militar informa que não há qualquer tipo de proibição à exibição de nenhuma música durante o Carnaval ou em qualquer época do ano. O efetivo somente orienta a suspensão de blocos que tenham estourado o tempo previsto para o desfile, por causa do planejamento operacional, que provoca o recolhimento da tropa após a dispersão dos foliões. Deixar que a festa prossiga sem a presença de policiais colocaria em risco a segurança de todos. Os organizadores das agremiações que acreditem ter havido algum abuso deve procurar o Batalhão responsável ou mesmo a Corregedoria Geral, para formalizar uma queixa e possibilitar uma detalhada apuração de todos os fatos." 

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