Artistas lançam hoje manifesto pelo samba

Artistas do gênero em Pernambuco se unem para lançar manifesto, promover roda de debates e realizar diversos shows em homenagem ao Dia Nacional do Samba

I Novembro Negro do PSol PernambucoI Novembro Negro do PSol Pernambuco - Foto: Divulgação

 

Apesar do compositor Donga ter registrado “Pelo Telefone” em 27 de novembro de 1916, o Dia Nacional do Samba é comemorado nacionalmente em 2 de dezembro. A data não faz referência ao dia de gravação do primeiro samba, que em 2016 completou seu centenário, mas ao dia em que o mineiro Ary Barroso visitou Salvador pela primeira vez. O músico havia composto “Na Baixa do Sapateiro” em 1938 reverenciando a capital baiana sem jamais ter ido à cidade, por isso sua primeira visita recebeu a homenagem do então vereador Luis Monteiro da Costa.
O episódio lembra que, embora o gênero seja tradicionalmente ligado ao Rio de Janeiro, suas bases estão atreladas ao Nordeste, de onde vêm suas raízes africanas. Ainda assim, um grupo de compositores do estilo acredita que o samba não é devidamente valorizado em Pernambuco. “Gilberto Freyre dizia que o samba era o câncer da cultura pernambucana e essa ideia foi repetida por outros, como Mário Melo e Nelson Ferreira. Eles estigmatizaram o ritmo para os tradicionalistas e ele acabou sendo encarado como uma coisa de fora, mas o samba é um sentimento nacional”, defende o compositor Paulo Perdigão, carioca radicado em Recife há 23 anos.

Ao lado de outros músicos, como Cris Galvão, Maria Pagodinho, Ramos Silva e Chateau Costa, o sambista preparou um manifesto que reivindica a valorização do gênero no Estado. “O samba é uma entidade nacional com uma linguagem característica de cada região, sem um modelo a ser seguido. Somos somente sambistas e como tal queremos ser reconhecidos e respeitados”, diz o documento, que se direciona a produtores e gestores públicos.
Hoje, a partir das 14h, o manifesto será oficialmente lançado na Rua da Moeda, quando o grupo irá promover uma roda de conversa sobre o assunto, com a participação do Maestro de frevo Ademir Araújo, cuja formação musical foi iniciada com o samba. A partir das 18h, os cantores começarão a se apresentar focados no repertório autoral. “O samba pernambucano tem uma execução diferente, esperamos atrair a nova geração para dar continuidade a isso, porque o samba é para sempre”, comentou Cris Galvão.

“O gênero ainda engatinha aqui em relação a outros estilos, mas está começando a ter uma linguagem própria associada ao coco, frevo e maracatu”, completa Perdigão. Na ocasião, o grupo irá colher assinaturas para encaminhar o manifesto às autoridades.
A par do debate, a cantora Karynna Spinelli compreende as queixas do cenário, mas diz não encontrar tantas dificuldades. “Eu, particularmente, não vivo isso pois minha carreira tem sido próspera. Fiz duas turnês patrocinadas pelo Governo e o Clube do Samba já vai fazer 8 anos, mas reconheço que falta incentivo para o gênero. Acredito que isso acontece por uma série de fatores, como a falta de profissionalização do meio.

 Precisamos estudar mais e valorizar o que é feito aqui, porque a maioria dos músicos canta canções de autores de fora”, diz ela, que é a única artista que usa instrumentos da Nação Nagô em seus arranjos, reafirmando as peculiaridades do samba local.
O Dia Nacional do Samba também será comemorado nesta sexta-feira no Pátio de Santa Cruz, às 19h, quando contará com shows de gente como Belo Xis, Wellington do Pandeiro, Ramos Silva, Ely Peroais e outros convidados. Embora não traga o compromisso do manifesto, o evento também é gratuito e aberto à participação de sambistas, pois o intuito é promover a interação e celebração do cenário. “Eu acho que não adianta a gente andar sozinho, com o coletivo, o movimento fica mais forte, pois ainda temos muito a melhorar”, concluiu Ramos Silva.

 

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