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'Atiça', novo CD da Eddie, segue o caminho do frevo

A banda lançou a primeira parte do álbum nas redes sociais. 'Atiça' é puro frevo, com pitadas de arrastapé, punk rock e dance music

Banda Eddie lança primeira parte de seu álbum 'Atiça' nas redes sociaisBanda Eddie lança primeira parte de seu álbum 'Atiça' nas redes sociais - Foto: Clara Gouveia/Divulgação

Um disco dançante, com frevo do começo ao fim e muitas pitadas de punk rock e dance music. Essa é a receita de "Atiça", o novo álbum da Eddie, que acaba de ser lançado nas plataformas digitais. Melhor dizendo: essa é a descrição de seu "lado A", da primeira parte de "Atiça", com cinco faixas, que está sendo disponibilizada agora. Já o "lado B", segundo o vocalista Fábio Trummer, será lançado até junho.

"Há muito tempo a gente queria fazer um disco inteiramente a partir do frevo", conta Trummer, destacando que a Eddie tem usado o frevo como elemento em sua música autoral desde o primeiro trabalho. "Atiça" começou a ser esboçado em maio, e a banda entrou em estúdio em agosto de 2019. No começo de outubro, as gravações foram finalizadas, e começou o processo de pós-produção e mixagem.

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"Quando terminamos tudo, era muito próximo do fim do ano e resolvemos fazer o lançamento mais perto do Carnaval, pois o disco tem muito disso, traz o frevo e suas variações tanto do interior como da capital", explica. A partir do dia 14, a banda terá uma participação intensa em eventos antes do Carnaval (como o Festival Pré-Amp, no dia 15) e durante a folia, mas a ideia é aguardar o fim da festa para lançar "Atiça" oficialmente.



"O show do disco será depois, mesmo que a gente adiante algumas faixas. A gente tem um repertório carnavalesco já consolidado e é hora de privilegiar o Carnaval, e não um trabalho novo nosso, pois as letras não tratam de Carnaval", afirma Trummer.

As letras do novo disco têm, de fato, uma pegada bastante política, como a faixa-título "Atiça", concebida a partir do desenho feito por uma criança da favela carioca da Maré, diante dos tiros dos helicópteros durante conflitos com a polícia, e a música "Apocalíptico", que fala sobre a invasão da religião e da interferência da Justiça como salvadora dos interesses pessoais. "É nossa tentativa de criar algo diferente do que já foi feito, uma música de Carnaval contemporânea, como foram outras músicas de Carnaval nos tempos antigos", detalha o vocalista.

Este 'lado A' traz participações muito especiais. Uma delas é a cantora Sofia Freire, ícone da nova geração. "Ela tinha a presença artistica e o timbre de voz que a gente desejava pra música 'Na Veia', que é uma regravação do Cordel do Fogo Encantado. A gente achava essa música linda, e pensava que com uma voz feminina seria possível ampliar o entendimento dos versos", relembra Trummer.

Em "Apocalíptico", o sanfoneiro caruaruense Julião traz sua sanfona "ao mesmo tempo ultramoderna e com a raiz que a gente tem em nossa memória afetiva". Outros parceiros são a cantora Ganga Barreto (irmã do também cantor e percussionista Alexandre Urêa, membro da Eddie) e o músico João do Cello, além da Orquestra Henrique Dias, segundo Trummer "presença obrigatória sempre que a gente quer entrar nesse território sagrado do frevo de orquestra".

As próximas faixas devem ser lançadas até o São João. "Deixamos para fazer o 'lado B' de um jeito diferente. Vamos entrar em estúdio direto, e já criar gravando, experimentando, fazendo de uma maneira que nunca fizemos. Também vai ficar dançante, talvez até mais dançante que o 'lado A'", adianta.

E para quem acha estranho um disco de Carnaval ser lançado em junho, Trummer tem uma explicação irrefutável. "Sabe aquela música do 'Pagode Russo', que é ao mesmo tempo um arrastapé e um frevo? Que você pode dançar junto ou separado? A gente tem essa tradição, o frevo também pode ser dançado no São João. Essa marcha vira um subgênero do frevo urbano olindense e do interior", descreve. "A gente estuda ritmos Brasil afora e Pernambuco adentro, e essa intercessão, essa troca, é uma vocação muito grande nossa, de Pernambuco", finaliza.


 

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