Ballet Stagium apresenta espetáculo de dança inspirado no dadaísmo

'Figuras e vozes', do Ballet Stagium, chega ao Recife para uma temporada na Caixa Cultural, a partir desta quarta-feira (26)

"Figuras e vozes", do Ballet Stagium "Figuras e vozes", do Ballet Stagium  - Foto: Arnaldo J. G. Torres/Divulgação

Mais antiga companhia de dança contemporânea em atuação no Brasil, o Ballet Stagium, de São Paulo, está de volta ao Recife com um espetáculo inédito no Nordeste. "Figuras e vozes", que estreou em 2015, entra em cartaz na Caixa Cultural para uma temporada de quatro apresentações, desta quarta-feira (26) até sábado (29), sempre a partir das 20h. Com 15 bailarinos em cena, a montagem assume a missão de investigar o estado de espírito dadaísta.

A coreografia é livremente inspirada no movimento artístico vanguardista que surgiu na Europa, no início do século 20. Iniciado durante a Primeira Guerra Mundial, o dadaísmo era contrário às formas tradicionais de produção artística, abraçando a irracionalidade e a anarquia como princípios. Com direção de Marika Gidali e Décio Otero, "Figuras e vozes" tem como proposta adentrar neste universo para revelar suas implicações no tempo presente.

"Tem tudo a ver com o mundo atual. O dadaísmo foi um momento em que os artistas se rebelaram e decidiram fazer tudo ao contrário do que estava estabelecido. A gente acha que está na hora de fazermos isso também", afirma Marika.

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No espetáculo, o acaso e o aleatório - conceitos fundamentais para o pensamento dadaísta - servem de contraponto ao mundo totalmente institucionalizado e movido pela rapidez das informações. "Fizemos coisas bem inusitadas em cena. Mesmo quem não entende nada de dadaísmo, ao ver esse trabalho vai perceber que há toda uma forma de nos rebelarmos também", explica a diretora.

Histórico

O Ballet Stagium foi criado por Marika e Décio em outubro de 1971. Em plena ditadura militar, o grupo não se esquivou de levar para a cena temas como racismo, violência, opressões e genocídios. Enfrentando a censura, trabalhou com textos proibidos na época, como "Navalha na carne", de Plínio Marcos, transformado no espetáculo "Quebras do mundaréu", em 1975.

Apesar da abertura democrática, para Marika não ficou mais fácil trabalhar com arte no País. "Está mais difícil, na verdade. Hoje em dia, há os apoios, mas também muita concorrência. O dinheiro que existe é dividido para mais pessoas e nem sempre de uma forma certa. No momento, nós estamos sem nenhum patrocínio. Quando eu achava que o Stagium teria tapete vermelho para passar, acaba caindo numa vala comum. Isso é uma vergonha", lamenta.

Mesmo com as dificuldades, ao longo de 47 anos de trajetória, a companhia montou mais de 80 coreografias. "É uma opção de vida. Eu e o Décio nos dedicamos a fazer arte no Brasil e em todos os lugares, seja nos teatros ou no meio da rua. Fico muito feliz por ver que outros grupos estão seguindo essa linha hoje em dia. Continuamos trabalhando porque temos esperança e acreditamos que alguma coisa nós estamos plantando", finaliza.

Serviço:
Espetáculo "Figuras e vozes", do Ballet Stagium
Desta quarta-feira (26) até sábado (29), às 20h
Na Caixa Cultural (av. Alfredo Lisboa, 505, Praça do Marco Zero, Bairro do Recife)
R$ 30 e R$ 15 (meia-entrada)
Informações: (81) 3425-1915

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