Banda O Terno necessitou de um mergulho interior para amadurecer

Em seu novo disco “Melhor do que Parece”, a banda traz a leveza para tocar em pontos sociais contemporâneos

Marília Arraes chega ao Recife Praia Hotel para convençãoMarília Arraes chega ao Recife Praia Hotel para convenção - Foto: Rafael Furtado/Folha de Pernambuco

Herdeira de um segmento mais cognitivo da música brasileira, a banda paulistana O Terno chama atenção pelas letras engraçadas desde o primeiro álbum “66”, lançado em 2012. A novidade agora é que o terceiro trabalho do grupo, intitulado “Melhor do que Parece”, indica um novo caminho ao trazer canções mais reflexivas e arranjos mais engenhosos. Sem perder a característica comicidade, o “power-trio de canção-rock’n’roll-pop-experimen­tal”, como se auto denominam os integrantes Gabriel Basile, Guilherme D’Almeida e Tim Bernardes, avança um degrau definitivo para o amadurecimento musical.

Apesar de trazer uma abordagem leve, o disco faz crítica à sociedade contemporânea em sua constante expectativa de sucesso e consequente frustração em vários aspectos da vida. A faixa de abertura “Culpa”, por exemplo, descreve um sujeito sem qualquer erro condenável, mas que se sente mal por não atender a um padrão comportamental. “Talvez nos outros discos a gente tenha focado em outras coisas, como letras mais mirabolantes, e neste, quando a gente se juntou para criar o repertório, muitas das músicas tinham esse viés filosófico. Em certo sentido é um disco mais pessoal, porque não é como no anterior que tinha um personagem, ele parte de reflexões reais”, observa o guitarrista e vocalista Tim, que compôs todas as 12 canções.

A faixa que dá título e encerra o álbum, por sua vez, fala de ansiedade e tédio e completa o retrato da insatisfação humana aberto já na primeira música. “Será que eu fiquei viciado em novidade e agora o tédio me enlouqueceu?”, questiona a composição. Filho de Maurício Pereira, compositor cultuado pelo seu trabalho no grupo paulistano Os Mulheres Negras entre os anos de 1980 e 1990, Tim aos 25 anos de idade se aproxima cada vez mais da poética afiada do pai em músicas como “Lua Cheia”.

Estética
Parte da apatia e inquietude expostas no álbum por vezes também soa como consequência das desilusões amorosas que inspiram faixas como “Vamos Assumir” e “A História Mais Velha do Mundo”. Nessa mesma seara se encaixa o samba-rock “O Orgulho e O Perdão”, assumidamente influenciado por Jorge Ben Jor. “A gente sempre gostou muito dessa geração da música brasileira. Tanto da Tropicália, como a do meu pai e o pessoal que veio depois na Vanguarda Paulista”, comenta o vocalista, sobre as referências.

No entanto, o que se sobressai são variações do rock produzido nos anos de 1960, desde as baladas, como em “Volta”, até as sonoridades mais orgânicas, como em “Não Espero Mais”. “Talvez isso esteja presente em todos os nossos discos, porque é algo da nossa formação musical, sempre deve haver alguma referência de timbre nesse sentido”, disse Tim.

Entre os músicos convidados que participaram do álbum estão Marina Melo na harpa, Felipe Pacheco, da banda Baleia, no Violino, Douglas Antunes, do Bixiga 70, no Trombone e Felipe Nader e Amilcar Rodrigues, do grupo Selvagem, no sax e trompete, respectivamente. Produzido por Gui Jesus Toledo, “Melhor do que parece” chega às prateleiras como o melhor álbum do trio paulistano até então. “Ele vem para criar um terceiro caminho. Não é o outro lado da mesma moeda, é outra moeda”, conclui Tim.

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