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Banda pernambucana Koiza lança seu primeiro álbum nas plataformas digitais

“Pensando alto” traz pegada indie rock com sotaque local da Koiza, liderada pelo vocalista Clériston Andrade. São 11 faixas autorais, que trazem as texturas dos blues, do jazz, do folk e do nosso regionalismo

Banda Koiza, que lança disco nas plataformas digitaisBanda Koiza, que lança disco nas plataformas digitais - Foto: Kaiã Guerra/Divulgação

O céu é o limite para um grupo recifense que lançou recentemente seu primeiro álbum de carreira em todas as plataformas digitais de streaming. “Pensando Alto” é o primeiro disco da banda Koiza, com 11 faixas autorais. “Como somos um grupo assumidamente pós-moderno, não temos pretensão de criar um ‘novo som’, mas recriar os sons bebendo nas texturas dos blues, do jazz, do folk, e, claro, do nosso regionalismo”, explica o vocalista Clériston, em entrevista à Folha de Pernambuco. Ele também faz as guitarras e violões da banda e assina a composicão de todas as músicas do disco.

O grupo se auto-define como indie rock. Entre as principais influências, o rock do fim dos anos 1960 e início dos 1970. Segundo Clériston, Koiza flerta com o progressivo, mas sem exageros. “Em ‘Estrela Distante’, por exemplo, temos um começo que lembra o Led Zeppelin e um fim que rememora o Yes, porém, a parte central tem andamento e influência do frevo-canção. O ótimo é que as coisas se misturam sem sustos, nem divisões segmentadas: as passagens de um cenário para outro são suaves e formam um todo”, explica.

O humor ácido das letras é um traço marcante da banda. “Foco”, música de trabalho escolhida, por exemplo, é uma canção satírica sobre o conceito pré-fabricado de ‘empreendedorismo’. “Para ser um empreendedor, devo ter um sonho promissor. Nada de arriscar o salto no escuro. Visão de futuro é imprescindível”, ironiza a letra.

A canção “Tinto Faz” descreve os apreciadores de vinho e o “clima de harmonia que une as pessoas até as auroras dos dias”, abusando dos arranjos eletrônicos. “Usando pedais de efeitos, criamos uma tessitura noise-psicodélica”, explica Clériston.

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Já em “Pensando alto”, música que encerra e dá título ao álbum, o discurso político está em evidência. “Eu não sou governo, eu não sou partido, eu não sei cumprir o ritual”, diz um dos versos embalados por uma balada folk recheada de arranjos de guitarras e violões.

O ecletismo de referências imprime uma diversidade de temas e estilos singulares a esse trabalho. O álbum é resultado do encontro de diferentes linguagens - além de compositor, cantor e músico, Clériston é cartunista e professor - em que a palavra cantada, os temas apresentados e a qualidade dos arranjos compõem um universo peculiar e original. “Para mim todas as linguagens são meios para construção de narrativas.

Na banda tem designer e arquiteto, e a gente vê assim: texturas, discurso, cores, timbres, expressividade, o som resultante da banda é um quadro, uma escultura, um filme ou uma história em quadrinhos. Pretendo estimular essas convergências nos shows”, diz o artista.

O disco conta com participação de três convidados especiais: Fred Andrade gravou guitarra em três músicas: “Estrela Distante”, “Sou o Resto” e “Pensando Alto”; Danylla Gouveia fez vocalizes em “Tinto Faz” e em “Signos”; e Ruan Trajano, que também canta em “Tinto Faz”.

Formação

A banda Koiza é formada por Clériston nos vocais e guitarra semi-acústica; Carlos Carvalho nos efeitos de pedais e guitarra; Pedro Andrade nos vocais e baixo; e Renato Andrade também nos vocais e bateria. O disco teve mixagem de Carlos Carvalho e masterização de Paulo Germano.

“Estava em carreira solo e comecei a gravar um álbum acústico. Daí fui pondo baixo, com Pedro Andrade (na época Cara de Doido, de Caruaru) e o filho dele, Renato Andrade, foi pondo bateria. Em janeiro de 2018, Carlos Carvalho, que mixava meu álbum, pôs guitarra e efeitos em 'Tinto Faz' e 'Zé da Silva' e entrou na banda de vez. Já era a Koiza. O grupo curtiu o som que fazíamos (nem sempre dá certo né?). Passamos o ano gravando aos poucos, na batalha, e tá aí o disco, agora um trabalho coletivo”, comemora.

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