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Batman em (cômica) crise existencial

Animação sobre o herói da editora DC Comics mistura aventura e humor em versão Lego

Fãs irão se deleitar ao reconhecer na sátira situações da mitologia do personagemFãs irão se deleitar ao reconhecer na sátira situações da mitologia do personagem - Foto: Warner ros/Divulgação

As risadas escapam antes da primeira cena, quando uma voz grossa e misteriosa avisa: “Todo filme importante começa com uma tela preta e uma música tensa”. De cabo a rabo, esse é o tom debochado de “Lego Batman - O Filme”, animação da Warner em cartaz. Prepare-se para ver o herói da DC Comics como você nunca viu. Criada a partir de um punhado de pecinhas de montar, a nova versão do Homem-Morcego/Bruce Wayne desconhece a modéstia e detesta fazer média. É arrogante, egoísta e tem um coração de pedra capaz de arrancar lágrimas do arqui-inimigo Coringa.

Mesmo assim, continua mestre na arte de salvar Gotham City. O grande problema é que isso já não o preenche mais e não o livra da solidão avassaladora. Uma crise existencial sem precedentes na mansão Wayne, amenizada por sessões de “Marley & Eu” e “Jerry Maguire“. Comicamente dramático - dos diálogos às expressões dos bonequinhos -, o longa é, sobretudo, uma sátira inteligente e divertida do Cavaleiro das Trevas. Não há qualquer preocupação em manter inabalável a reputação dos personagens.

Um Batman que se orgulha do abdômen tanquinho e não hesita em dizer que o Homem de Ferro é “chato”. Um Robin meio afetado e deslumbrado com a vida de super-herói. Um Coringa que, ridiculamente, implora pelo ódio do vigilante de Gotham. O roteiro é cheio de sacadas. Os fãs irão se deleitar ao reconhecer na animação diversas situações que fazem parte da mitologia Batman, como o bizarro spray antitubarões, usado na série de TV dos anos 1960.

As referências, no entanto, não se restringem à atmosfera sombria de Gotham City. Godzilla, King Kong, Lorde Voldemort, Sauron e outros ubervilões também são convidados a participar da brincadeira. Enquanto isso, as crianças se divertem com cenas de ação e com a rajada de piadas (às vezes exageradas). Uma espécie de “Deadpool” (2016), só que permitido para menores. Fiel à proposta e à qualidade visual do sucesso “Uma Aventura Lego” (2014), “Lego Batman - O Filme” consegue
reinventar o universo do herói, mas sem se levar a sério nem por um minuto.

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