Bell Puã aventura-se em novos versos

A poeta pernambucana Bell Puã está em processo de produção de um álbum de música, para o qual leva toda a sua experiência de slammer

Bell Puã Bell Puã  - Foto: Rennan Peixe/Divulgação

Isabella Puente, a Bell Puã, é uma das poetas mais expressivas de Pernambuco atualmente. Nome de destaque da cena do slam, ela representou o Brasil na França, em 2018, na etapa internacional do concurso de batalha de poesia. A voz doce contrasta com os versos afiados e combativos de Bell, que, agora, aventura-se em novo desafio. Aos 25 anos, a um mês de completar 26, slammer e mestre em História pela Universidade Federal de Pernambuco, ela, que deu à luz recentemente a um menino lindo chamado Jorge, está em processo de gestação de um novo projeto.

Vai levar a sua experiência enquanto mulher negra, com todo o seu talento, militância e ativismo para a música. O álbum, uma parceria com a produtora Aqualtune, comandada no Recife por Lenne Ferreira, está em fase de produção. "Fazer música é outro rolê", contou, declarando-se nervosa com tudo o que vem acontecendo na sua carreira, em entrevista à Folha de Pernambuco.

Samba, brega, hip hop, coco, maracatu. Essas são algumas das fontes nas quais ela bebeu para este trabalho. "Tento entender esses ritmos com a minha poesia", explica a pernambucana. No disco, que terá algumas faixas divulgadas ainda em 2019, Bell revisita a sua ancestralidade como uma forma de reverenciar a sua história e encontrar-se de alguma maneira, também como estratégia para ficar bem consigo.

Existe toda uma pesquisa por trás do álbum. E uma visão de Nordeste futurista, de Afrofuturismo, com um olhar clínico para os eventos históricos do passado. Bell ainda tateia este novo território da música. E chega a ele com uma bagagem tonificada por coragem e muita beleza. Bell é dona de um caminho bonito e cravado pela luta diária. O ativismo é mais do que um desejo, é mesmo uma necessidade em um Brasil marcado pela violência contra jovens negros.

A batalha contra o racismo dá o tom às suas produções poéticas para o slam. E também poderá ser vista nas canções. Artistas contemporâneos seus e outros que já estão escritos na história do País seguem inspirando Bell. Da cena atual, Jessica Caitano, Drica Barbosa, Doralyce e Bia Ferreira são alguns dos nomes. Elza Soares, Gilberto Gil e Jorge Aragão também são nortes.

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