Bia Villa-Chan é destaque do Festival BB Seguros de Blues e Jazz

Única mulher na programação do evento, a multi-instrumentista pernambucana largou a odontologia para se dedicar à música, vem acumulando prêmios e prepara um novo EP para novembro

Bia Villa-Chan Bia Villa-Chan  - Foto: Divulgação

Depois de passar por Curitiba, Belo Horizonte, São Paulo, Brasília, Goiânia e Manaus, a quinta edição do Festival BB Seguros de Blues e Jazz finalmente chega ao Recife. Reunindo apresentações musicais e atividades para crianças, o evento a céu aberto ocupa o Parque Santana, neste sábado, das 14h30 às 22h30. Entre os artistas que subirão ao palco do projeto, a única mulher é a pernambucana Bia Villa-Chan, multi-instrumentista de 35 anos, que vem despontando no cenário local.

O fato de estar sozinha como representante feminina na programação é para Bia, ao mesmo tempo, motivo de orgulho e de incomodo. "Fico triste, porque gostaria que outras mulheres estivessem comigo, representando a nossa força na música instrumental. Espero conseguir estimular outras mulheres a ocuparem esses espaços. Não devemos baixar nossas cabeças diante do machismo ou de comentários desagradáveis", afirma a artista, que já sentiu na pele o que é sofrer preconceito.

"O meio instrumental é ainda muito masculino. Logo quando comecei a tocar, vi alguns olhares desconfiados. Já escutei coisas do tipo: 'Eita, ela toca feito um menino' ou 'Até que para uma mulher ela toca muito bem'. Por isso é que eu levanto a bandeira do 'Toque como uma mulher'. Hoje em dia, venho conquistando reconhecimento e respeito no meio, tanto de quem faz com de quem escuta. Isso para mim é um troféu muito importante", aponta.

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Bia começou a demonstrar interesse pelo mundo da música ainda na infância, influenciada pelo avô, o músico Heitor Villa-Chan. Foi ele quem a presenteou com seu primeiro bandolim, aos seis anos de idade. "Apesar de trabalhar como comerciante, ele (o avô) tinha a música como paixão. Lembro que todos os dias, quando chegava em casa, ele tocava o instrumento. Comecei a aprender ouvindo e observando o que ele fazia", conta a artista, que é autodidata no bandolim e também sabe tocar violão, guitarra, piano e contrabaixo.



Apesar de estar em contato com o ambiente artístico desde quando era criança, a instrumentista só começou a encarar o trabalho de forma mais profissional há pouco mais de um ano. Antes disso, ela dividia o tempo entre a música e a carreira acadêmica. "Me formei em odontologia, fiz pós, mestrado e doutorado. Depois de ser operada de um câncer de tireoide, em 2017, resolvi ir atrás da minha paixão: a música", relembra.

O saldo das escolhas feitas por Bia tem sido para lá positivo. Só em 2019 ela já abocanhou duas premiações: o Prêmio da Música Pernambucana, em maio, e o Troféu Gonzagão, em agosto. "Vejo isso como o fruto de um trabalho feito com muito amor, carinho e dedicação. Nada foi por acaso", comenta. Atualmente, a artista se prepara para lançar em novembro seu segundo EP, intitulado "GiraSons", que inclui a releitura de "Pirata José", gravada com Alceu Valença, além de participações com Armandinho Macêdo e músicas inéditas.

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