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Biblioteca da Fundaj destaca seu acervo de quadrinhos

Dentre os 340 títulos do gênero, acervo conta com número expressivo de produções brasileiras, como as revistas Chiclete com Banana e o HQ de luxo Malvados, de André Dahmer

Biblioteca da Fundaj conta com acervo de 340 revistas em quadrinhosBiblioteca da Fundaj conta com acervo de 340 revistas em quadrinhos - Foto: Guto Moraes/Divulgação

Poucos sabem, mas a Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) possui uma coleção de 340 títulos de histórias em quadrinhos, HQs de luxo e fanzines. Neste Dia Nacional das Histórias em Quadrinhos, celebrado em 30 de janeiro, a instituição destacou seu acervo, que está reunido na Biblioteca Blanche Knopf  - localizada na rua Dois Irmãos, 92, no bairro de Apipucos.

 A coleção foi doada em 2018 pelo servidor público Rodrigo Bastos de Freitas e reúne produções da vanguarda europeia da década de 1960, publicações nacionais da geração paulista dos anos 1980, além de revistas independentes deste século. "É uma coleção diversa, com obras de grande valor para a história deste gênero literário e artístico no Brasil e no mundo", aponta a diretora da Biblioteca, Nadja Tenório Pernambucano.

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Dentre os destaques do acervo, está a coleção de sete números da revista "Chiclete com Banana". O título da década de 1980, publicado pela Circo Editorial, reuniu uma geração de quadrinistas brasileiros que contou com nomes como Glauco, Angeli e Laerte. As obras refletiam a situação política e social da década, de modo que os quadrinhos de humor investiram em críticas ao 'modo de vida pequeno' do burguês dos centros urbanos, conforme destaca Roberto Elísio dos Santos, em seu artigo "O quadrinho alternativo brasileiro nas décadas de 1980 e 1990". O autor aponta, ainda, a influência do comix underground norte-americano e do humor europeu.
Uma seleção de histórias publicadas na "Chiclete com Banana" e na "Geraldão", entre 1985 e 1989, pode ser conferida na edição especial "Seis Mãos Bobas: Laerte, Glauco e Angeli" (Devir, 2006), que traz textos e fotos que contextualizam as circunstâncias em que foram produzidas e como era o processo de criação dos desenhos.

Outro título desta geração disponível para a consulta é a revista "Striptiras" (1993), publicação de Laerte, que lançou personagens como Fagundes o Puxa-saco, Gato e Gata, além dos Piratas do Tietê. Estas produções são verdadeiras compilações das tirinhas publicadas pelos jornais paulistanos.
Dos mais contemporâneos, a coleção conta com a primeira publicação no formato livro de "Malvados" (Gênese, 2005), do carioca André Dahmer. As tirinhas da série foram publicadas no Jornal do Brasil, O Globo, Folha de S. Paulo e até nas revistas Piauí e Caros Amigos. Nelas, Dahmer tece críticas aos costumes e prisões do dia a dia através dos diálogos dos personagens Malvadinho e Malvadão. "O Livro Negro" (Desiderata, 2007) é outro título de Dahmer presente no acervo. O sarcasmo desta época pode ser conferido, também, no quarto HQ especial do gaúcho Allan Sieber, "Assim Rasteja a Humanidade" (Desiderata, 2006), considerada uma obra de "revelação do desenho humorístico da virada deste século".
Ganhador do Troféu HQ Mix de 1998 - equivalente ao Oscar do gênero no Brasil - na categoria "melhor projeto editorial", a coleção "miniTonto" também está presente neste acervo. São inúmeros livretos (formato 10,5 cm x 15 cm) que, no fim da década de 1990, apresentavam um autor a cada nova edição. Entre os título disponíveis na Biblioteca, estão "Mulher Preta Mágina", de L. F. Schiavo; "Urrú", de MZK; "Pinóquio vai à Guerra", de Elenio Pico; e "Últimas Palavras", de Allan Sieber. "A Blanche Knopf se orgulha de abrigar estas produções. Demonstra, assim, o valor das publicações clássicas, mas, também, das obras independentes", destaca Nadja.
A Biblioteca Blanche Knopf funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 13h às 17h. Não é necessário agendamento prévio para visitar o acervo. 

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