"Pelas ruas que andei"

Biografia de Alceu Valença tem lançamento no no Paço do Frevo, nesta terça (27)

A partir das 19h, haverá sessão de autógrafos do artista e bate-papo com o autor, mediado pela jornalista Luiza Maia

Alceu Valença participa do lançamento de sua biografia, no Paço do frevo, nesta terça (27)Alceu Valença participa do lançamento de sua biografia, no Paço do frevo, nesta terça (27) - Foto: Leo Aversa / Divulgação || Capa do livro "Pelas ruas que andei"

Momentos e histórias marcantes da vida e obra do mais ilustre pernambucano de São Bento do Una estão registrados nas 562 páginas do livro “Pelas ruas que andei - Uma biografia de Alceu Valença”, do jornalista carioca Julio Moura, com lançamento marcado para esta terça-feira (27), às 19h, no Paço do Frevo, com a presença do artista para sessão de autógrafos e bate-papo com o autor, mediado pela jornalista Luiza Maia. 

Poeta dos palcos e das ruas, Alceu elevou a cultura do Nordeste com destaque nacional e internacional, a exemplo do que fez Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro. “Poeta e trovador, seu discurso confronta o lugar comum. Sua personalidade inquieta se reflete na obra. E coube a mim, de alguma maneira, traduzir tudo nesse livro”, declara Julio Moura. 

Outros dois lançamentos, no Rio de Janeiro (Livraria Travessa do Shopping Leblon) e em São Paulo (Itaú Cultural), estão marcados para os dias 25 e 27 de julho, respectivamente. 

Alceu por Alceu
Com o olhar privilegiado de quem atua como assessor de imprensa de Alceu desde 2009, o autor revela diversas histórias dos 76 anos do artista, 50 deles dedicados à carreira não apenas de cantor e compositor, mas também instrumentista, diretor de cinema, ator, advogado com destaque para o ofício de “poeta”, como o artista faz questão de destacar na biografia.

Segundo o autor, a obra de Alceu conta muito sobre sua história. “Alceu é um compositor, escritor e poeta bastante autorreferente e muito autobiográfico. As canções dele, quase todas, se referem a algum fato específico, a alguma coisa que aconteceu na trajetória dele. Os artistas, de maneira geral, acabam sendo autorreferentes. E acredito que no caso do Alceu isso é ainda mais presente, mais verdadeiro. A obra do Alceu fala muito sobre ele mesmo”, conta. 

Jornalista carioca Julio Moura, autor do livro, é assessor de imprensa do artista desde 2009 | Foto: Pércio Leandro

Fontes no jornalismo cultural
Além de fotografias e letras de músicas, o livro reúne críticas e entrevistas assinadas por jornalistas de vários estados brasileiros e outros países, extraídos a partir de uma longa e detalhada pesquisa em hemerotecas. Por meio desses recortes, o leitor pode ter ideia de como era descoberto e apresentado o artista pernambucano ao longo de sua trajetória como artista.

“Considero que o livro é também um diálogo entre o biografado e o jornalismo cultural. Ele sempre deu várias entrevistas a nomes como Nelson Motta, Ana Maria Bahiana, Tárik de Souza, José Teles e muitos outros”, detalha Julio.

“Desde que comecei a trabalhar com Alceu, em 2009, eu já alimentava essa ideia porque percebo que existe uma carência de biografias musicais no Brasil. Essa carência vem sendo atenuada nos últimos tempos, mas a geração do Alceu  - o Nordeste 70 -  possui pouquíssimas biografias. O Alceu tinha uma espécie de perfil, “Alceu Valença em Frente e Verso”, lançado em 1989 pela jornalista e escritora Anamelia Maciel. Achei que era importante preencher essa lacuna e me senti capacitado para isso”, comenta o autor.  

De São Bento para o mundo
Quando criança, em São Bento do Una, Alceu gostava de cinema, música, literatura, teatro - embora a primeira experiência ao pandeiro tenha sido reprovada pelo exigente e talentoso avô Orestes. Dessa origem, vieram seus marcantes figurinos e sua performance nos palcos. Já se vestiu de burrinha de bumba meu boi e incorporou Napoleão com os devidos trajes coloniais. 

Antes da carreira de artista, ele tentou ser como advogado. Cursou a Faculdade de Direito do Recife e até em Harvard fez curso, mas desistiu da advocacia: queria mesmo era a arte. “Sempre foi mais de carne de sol do que de hambúrguer. Preferia Luiz Gonzaga, Lampião, Nelson Ferreira, Capiba e Jackson do Pandeiro a Mick Jagger”, comenta Julio. 

Alceu teve que ralar para conseguir gravar um disco. Participou dos festivais de música, recebeu algumas vaias, passou os anos 70 batendo na porta das gravadoras Sudeste afora. Foi desencorajado por muitos. Na época da ditadura militar, enfrentava os confusos censores de letras de música, via muitos amigos se exilarem ou serem presos e ainda concorria com a produção importada que  ocupava a programação das rádios. “Em parte é boa essa poluição. Porque todo micróbio cria anticorpos. Ninguém está fechado a coisa nenhuma. Simplesmente a aculturação não pode ser tão rápida”, dispara o cantor. 

Do talento e insistência, a sorte girou para o são-bentense. “Depois de praticamente uma década de militância underground, Alceu Valença fazia sucesso popular naqueles 1980. Seu disco Coração bobo encaminhava-se para a marca de 750 mil cópias vendidas, superior às 700 mil de Maria Bethânia e às 600 mil de Chico Buarque”, escreve Julio. 

Livro impresso e audiolivro
A obra recebeu versões impressa, digital e ainda um audiolivro (disponível em audiolivro.art.br), com requisitos de acessibilidade e recursos extras para os fãs do formato. A narração é de Amanda Menelau, Bernardo Valença, Giordano Castro e Nínive Caldas.

Sob coordenação editorial de Carla Valença, o projeto foi realizado em parceria da Relicário Produções Culturais e Editoriais e da Companhia Editora de Pernambuco (Cepe), com incentivo da Lei Federal de Incentivo à Cultura com patrocínio do Banco Itaú, apoio da Uninassau e realização do Ministério da Cultura. 

Sobre o artista
Autor de hits como La belle de jour, Tropicana, Bicho Maluco Beleza, Espelho cristalino, Coração bobo, entre muitos outros, atualmente Alceu é abstêmio, mas já gostou de beber, apesar de não curtir drogas. Já realizou turnês internacionais em países como Alemanha, França, Suíça e em Portugal, Berlim, Munique, Colônia, Paris, Zurique e Lisboa. 

No Carnaval de Olinda é referência e costuma "dar uma canja" na sacada de sua casa. A Marim dos Caetés é mais do que casa para o artista, mas fonte de inspiração. “Tenho uma relação poético-sentimental com esta terra. Essa cidade é o berço da civilização pernambucana, nordestina e brasileira. Nunca poderão me tirar a cidadania olindense”, declara o cantor. 

No repertório, Alceu privilegia ritmos como coco, maracatu, forró e frevo, misturando-os com guitarra e bateria, antes mesmo do manguebeat propor essa estética. “Com Jackson, aprendi a dividir melhor, a cantar com mais ritmo, a dividir as palavras, as inflexões. Comecei a cantar mais forró, porque antigamente eu pegava as minhas músicas e botava muito rock dentro. Claro que era música de raiz, totalmente nordestina, mas os ataques e a bateria eram pesados demais. A partir dele, veio o suingue da minha música”, reflete Alceu.

Recentemente, os versos de sua canção Anunciação, de 1983, se tornarem hino, quase 40 anos depois, em 2022, dos que desejaram novos rumos políticos para o país, entoando, nas ruas os versos "Tu vens, Tu vens/ eu já escuto teus sinais". 

Serviço:
Lançamento do livro Pelas ruas que andei - Uma biografia de Alceu Valença (Cepe Editora)

Preço: R$ 70 (livro impresso); R$ 35 (e-book); R$ 49,90 (compra do audiolivro); R$ 20 (assinatura do audiolivro)
Recife
Quando: 27 de junho
Onde: Paço do Frevo (Praça do Arsenal da Marinha, s/n, Recife)
Horário: 19h
Acesso gratuito

Rio de Janeiro
Quando: 25 de julho
Onde: Livraria Travessa do Shopping Leblon (Avenida Afrânio de Melo Franco, 290, loja 205, Rio de Janeiro)
Horário:19h
Acesso gratuito

São Paulo
Quando: 27 de julho
Onde: Itaú Cultural (Avenida Paulista, 149, Bela Vista, São Paulo)
Horário: 19h
Acesso gratuito

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