Black Mirror: O futuro já está entre nós

Série entra na terceira temporada pela Netflix, com seu olhar pessimista sobre tecnologia

Governador discursa durante a abertura do 4º Congresso da AmupeGovernador discursa durante a abertura do 4º Congresso da Amupe - Foto: Mandy Oliver/Folha de Pernambuco

E se pessoas pudessem ser avaliadas assim como restaurantes e estabelecimentos? Ou se jogos de computador pudessem usar seus maiores medos para lhe entreter? É em cenários como estes que a terceira temporada de “Black Mirror” se desenvolve. Criada pelo britânico Charlie Brooker, a série volta pela Netflix com seis capítulos independentes, tocando justamente na linha tê­nue entre ética, humanidade e o uso dessas tecnologias.

Os ambientes retratados em “Black Mirror” podem muitas vezes se passar em um futuro distópico - como no primeiro episódio, “Perde­dor” -, nos envolvendo numa at­mosfera de ficção científica, as­sim como ter a década de 1980 como pano de fundo pa­ra uma história de amor, no episódio “San Junipero”. Mas estas histórias estão muito mais perto da nossa realidade do que parece. E é por ser tão próximo a nós que ela assusta. Nesta temporada, no entan­to, o teor apocalíptico com que o público se deparou nos fa­tos narrados nas duas primei­ras se tornou mais brando. Agora nos deparamos com cenários muito mais palpáveis. 

Esse olhar pessimista da série sobre as tecnologias e o terror que ela passa ao público não é desmedido ou desproposital. “Black Mirror”, apesar de ser desde sua primeira temporada baseada em histórias independentes e com múltiplos diretores, possui uma linha narrativa que os amarra entre si, tendo o roteiro de cada episódio bem amarrado.

Esse caráter independente é o que faz com que cada relato traga uma mensagem para que reflitamos sobre o caminho que essas tecnologias têm tomado em nossa vida enquanto se­res sociais. É uma crítica so­bre o que já temos hoje e um alerta do que pode vir a acontecer, muito além dos clichês que o gênero pode trazer.

“Black mirror” estreou no Channel 4 da TV britânica em 2011 com três episódios. A segunda temporada saiu ainda no mesmo ano e em 2014 ambas foram adicionadas à Netflix, que assumiu a produção desde então. Essa mudança foi de fato de­cisiva para a vitalidade da série, que agora pode che­gar a muitos mais espec­tadores, assim como crescer e desenvolver-se ainda mais com a sobriedade que o tema requer. 

A união da mente de Brooker com as possibilidades que o canal de streaming for­nece dão o aparato para a­creditarmos que “Black Mirror” não pare por aí, já que limite é uma palavra que não define a série. Afinal, a tecnologia oferece múl­tiplas perspectivas - seja no mundo real, seja na ficção.

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