Música

Brega romântico se renova com o surgimento de novas bandas em Pernambuco

É com a proposta de resgate das canções que falam de amor, traição, vingança e empoderamento, que novos grupos estão surgindo no gênero

Ziane Martins e Ellyson, da Banda SentimentosZiane Martins e Ellyson, da Banda Sentimentos - Foto: Divulgação

Em um legado que já dura décadas no imaginário pernambucano, o brega romântico tem atravessado intacto entre várias gerações do gênero. Nos anos 2000, um fenômeno comum no ritmo foi o surgimento das chamadas “bandas-dueto”, que consistia em grupos liderados, geralmente, por vocalistas masculino e feminino à frente das bandas. Bandas Tsunami, Kitara e Torpedo são alguns desses exemplos. Contudo, com o fortalecimento do brega-funk e ascensão de cantoras femininas em carreira solo, o cenário mudou na última década. É com a proposta de resgate das canções que falam de amor, traição, vingança e empoderamento, que novos grupos estão surgindo no gênero.

Uma dessas formações é a Banda Sentimentos. Formada no ano passado, sob liderança de Ziane Martins, de 20 anos, e Ellyson Marques, 22, a banda tem reconquistado o público que estava sentindo falta das canções românticas, que vão desde temáticas sobre traições às amorosas. A formação surgiu, ainda, quando os cantores se conhecerem. “Eu já estava na produtora, na D&D Produções, em carreira solo, quando nosso empresário quis montar uma banda-dueto, que há muito tempo não estava surgindo no meio”, explica Ellyson. Já Ziane foi descoberta a partir de vídeos que fazia para as redes sociais. “O Barão (produtor) viu um vídeo meu na internet cantando, o empresário entrou em contato comigo e me fez um convite. Eu aceitei e ele me apresentou Ellyson”, comenta a cantora.

Embora a formação tenha sido às pressas, não demorou muito para que os dois encontrassem uma sintonia para comandar o grupo. Foram a estúdio e gravaram o primeiro CD, lançado ainda em 2019. “Ele me mostrou os vídeos da Ziane, eu curti e comecei a segui-la.  A gente se conheceu pessoalmente quando a banda já estava montada e já estávamos indo para o estúdio gravar o primeiro EP da gente”, diz o cantor, que é complementado por Martins. “No começo, eu achava ele bem tímido, mas a gente se encaixou rápido. A gente pensa do mesmo jeito e tem o mesmo estilo”, conta a cantora, que logo no primeiro ano de banda emplacou um hit nas plataformas digitais, “Clichê”, que remete a grandes sucessos do gênero dos anos 2000. 

O sucesso não é por acaso. Com referências inspiradas em nomes como Priscila Senna, Eliza Mell e Rihanna, a banda tem tido uma projeção nas plataformas digitais e repercussão nas redes sociais. Em breve, um DVD será lançado, com parcerias de outras pessoas do ritmo. “A gente teve a participação de Elvis, As Amigas - Girlband do Brega, Banda Bandida, MC Tocha e MC Reizinho e foi gravado em uma marina de Marinha Farinha, em Paulista”, frisa Ziane. “A gente não projetava um DVD tão grande, na verdade era um projeto menor. Selecionamos nossos principais sucessos recentes e músicas exclusivas para o próprio projeto”, conta Ellyson.

Mulheres à frente

Ananda e Darling, vocalistas de Banda BandidaBanda Bandida

Uma das características do brega tem sido o destaque de grandes cantoras. Priscila Senna, Raphaela Santos “A Favorita”, Eduarda Alves, a girl band Amigas e a banda Amigas do Brega têm continuado o legado que foi deixado por outras mulheres, como Michelle Melo. Seguindo essa ideia, surgiu a Banda Bandida, em 2017. Formada por Darling Rodrigues, 22, e Ananda Muniz, 24, o grupo tem tido destaque com sucessos, como “Saudades” e “Some”, em parceria com Lekinho Campos. “Eu comecei a cantar na Banda Sedutora, com 19 anos, e comecei na Bandida quando já estava fazendo sucesso na rua, com a música "Saudades’”, conta Darling.

“A gente não parava antes da pandemia. Quase todos os dias tinha uma gravação em televisão e ensaios. O nome Bandida surgiu por causa de uma música que eu tinha gravado com esse nome e ficou. Eu tenho sete anos já de carreira e passei pelas bandas Atrevida e Sedutora”, afirma Ananda. Para a dupla à frente, Priscila também é uma grande referência, assim como Rapha. “Temos um DVD para sair em novembro e temos participações também de forró. Antes da pandemia tínhamos estourado em outros estados e a gente tinha outros projetos para encaminhar”, complementa Darling.

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