Breve e marcante trajetória no teatro de Joaquim Cardozo

Peças do escritor, entre as décadas de 1960 e 1970, estão reunidas em livro, que será lançado nesta quarta-feira (24)

Joaquim Cardozo, escritorJoaquim Cardozo, escritor - Foto: Divulgação

Mais conhecido por sua vasta produção poética, o escritor e engenheiro civil pernambucano Joaquim Cardozo (1897-1978) também deixou sua marca no teatro. A dedicação à linguagem dramatúrgica surgiu tardiamente, entre as décadas de 1960 e 1970, quando escreveu seis peças: "O coronel de Macambira" (1963), "De uma noite de festa" (1971), "Os anjos e os demônios de Deus" (1973), "O capataz de Salema" (1975), "Antônio Conselheiro" (1975) e "Marechal, boi de carro" (1975).

Poucas vezes levados aos palcos, os textos ganham a chance de serem conhecidos por um público maior. É que eles foram reunidos em livro pela Cepe Editora, que será lançado nesta quarta-feira (24), às 18h, no Teatro Arraial Ariano Suassuna, dentro da programação do 24º Janeiro de Grandes Espetáculos.

Com o título de "Teatro de Joaquim Cardozo - Obra completa", a publicação traz, além das peças, textos de dois especialistas no universo do autor: João Denys Araújo Leite, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), e Manoel Ricardo de Lima, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Unirio). Para João Denys, o lançamento do livro cumpre papel fundamental. "O teatro é instantâneo. Para preservar o texto, nada melhor e mais eficiente que a publicação. Com a obra em um só volume, a importância ainda é maior. Podemos cotejar o texto, compará-lo, entende-lo integralmente", comenta.

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Uma característica fácil de identificar em todas as obras dramatúrgicas cardozianas é a presença da cultura popular nordestina como fonte de inspiração. Influência essa que não fica restrita aos personagens e cenários das histórias. O imaginário regional está vivo também na própria estrutura dos textos, como em "O coronel de Macambira" e "Marechal, boi de carro", ambos escritos no formato de apresentações de bumba-meu-boi. "Cardozo, mais que qualquer dramaturgo brasileiro, soube enxergar nas manifestações populares o valor cósmico nelas contidos. Ele consegue transcender o que produziu Hermilo Borba Filho, Ariano Suassuna, Luís Marinho, Osman Lins e tantos outros", defende João.

Como engenheiro calculista, Joaquim Cardozo ajudou Oscar Niemeyer a erguer alguns dos mais famosos monumentos de Brasília, como o Palácio do Planalto e a Catedral Metropolitana. Essa outra faceta do pernambucano, ligada às ciências exatas, não está dissociada da literatura. "Beppo Levi, o matemático italiano que vivia na Argentina, é tão importante para o pensamento de Joaquim Cardozo quanto Da Vinci, Coubert, Cezanne ou Brecht. Ele elaborou um pensamento radical e potente, que atravessa toda a sua pequena produção. E isso se dá em perspectiva e luta entre o poema, o teatro, a crítica, o relato, a anotação etc., traçando uma linha indistinta e díspar", pontua Manoel Ricardo.

Serviço:
Lançamento do livro "Teatro de Joaquim Cardozo - Obra completa"
Cepe Editora, 552 páginas, R$ 40 (físico), R$ 12 (Ebook)
Nesta quarta-feira (24), às 18h
No Teatro Arraial Ariano Suassuna (Rua da Aurora, 457, Boa Vista)
Entrada gratuita
Informações: (81) 3184-3057

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