Bruno Tenório lança álbum de estreia e filme "NAUPENC", em parceria com Raul Luna
Ao longo de 10 faixas, artista pernambucano apresenta um trabalho que transita entre música eletrônica, experimental e pop
Bruno Tenório, artista pernambucano radicado no Reino Unido lançou seu álbum de estreia “NAUPENC”, após uma série de quatro singles lançados, inclusive em veículos da Inglaterra, a exemplo da NTS Radio em Londres.
Predominantemente eletrônico e girando em torno dos beats, o disco tem apenas três faixas gravadas com bateria acústica, enquanto as sete restantes são construídas a partir de padrões eletrônicos que se conectam.
Todos os sons foram pensados e permeados por uma espécie de psicodelia mutante, que se adapta às batidas e os outros elementos sonoros em cada uma das faixas, imprimindo o que ele chamou de “vibe retrô futurista”.
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“A música é construída por meio de ostinatos e polirritmos sobrepostos, frequentemente executados por sintetizadores, com o conceito orientador de que instrumentos melódicos podem funcionar como vozes rítmicas”, explica Bruno. “A percussão e o design de som são intencionalmente focados em polirritmia, criando momentos em que o ritmo se torna melodia e a repetição se torna narrativa emocional”, detalha o artista.
Ouça:
Sobre o álbum
O álbum, co-produzido por Tenório, foi uma parceria com object blue e Mari Herzer, que também co-produziram e trabalharam como engenheiras de mixagem em faixas específicas do NAUPENC.
O trabalho também contou com a participação de Bruno Saraiva (da Kalouv), como um dos co-produtores de 5 das faixas, e também na gravação de synth adicionais nessas músicas.
Além deles, o trabalho conta com a participação do músico Rafael Cadena (da banda Cangaço), que gravou guitarra em “Dissociando” e violão em “Anedonia”, e Thiago Duarte gravou percussões em “Permanáculo”. NAUPENC foi masterizado por Beau Thomas, conhecido por masterizar lançamentos recentes de Aphex Twin.
As 10 faixas foram maturadas, compostas e pensadas ao longo de alguns anos, influenciadas por ideias que acompanham Bruno desde os tempos em que estudou no Conservatório Pernambucano de Música, sobretudo o estudo de polirritmia com Hugo Medeiros, e também as práticas de conjunto de frevo e forró.
Esses estudos estão presentes nos ritmos nordestinos que permeiam o álbum em alguns momentos. Para além do trabalho orgânico do baterista e do produtor eletrônico, é possível encontrar influências sonoras de bandas como King Crimson e Tool, passando por artistas como John Frusciante e Aphex Twin, além da pegada pop à Daft Punk.
“A minha ideia é de que houvesse uma certa inversão de valores entre ritmo e melodia no álbum, no sentido que os elementos melódicos, desde os synths às guitarras e aos violões, geralmente são construídos em cima de padrões repetitivos (ostinatos, ou loops), e os elementos rítmicos e percussivos, como as drum machines, baterias acústicas e percussões são muitas vezes polirrítmicos em natureza”, analisa o compositor.
Audiovisual
Além do álbum, Bruno Tenório também lança em parceria com o artista visual e designer gráfico Raul Luna, o filme experimental NAUPENC, dirigido por Luna.
A produção se passa num passado que remete a um Brasil alternativo nos anos 1980, que se apresenta como uma potência nuclear. O programa NAUPENC surge como uma espécie de terapia alternativa.
Ele é inicialmente submetido a um processo em que seu corpo é plenamente escaneado, e submerso em um líquido verde de cura. Após o Scan, ele é transportado ao meio digital onde, após um processo similar ao de fecundação, ele passa a ser representado pelo ícone tradicional de um mouse de computador.
Dentro do programa, ele precisa lutar numa Guerra Virtual contra um ataque de vírus (malware). Essa batalha é seguida por um processo de fragmentação de memórias, que culmina no protagonista entrando em um estado de transe, resultando na destruição de suas memórias e no contato com um Deus Digital
Sobre o artista
Baterista desde os 12 anos, Bruno agora faz uma transição em sua trajetória musical: da performance predominantemente instrumental para uma identidade realizada como compositor e produtor, ao mesmo tempo em que aprofunda sua conexão com as raízes nordestinas, região celebrada por sua riqueza rítmica.

