Caixa Cultural Recife abre primeira exposição do ano

Espaço inicia temporada com a 2ª Mostra Bienal Caixa de Novos Artistas, com 30 artistas de todas as regiões do País

Obra da Mostra Bienal Caixa de Novos ArtistasObra da Mostra Bienal Caixa de Novos Artistas - Foto: Rafael Furtado/ Folha de Pernambuco

A Caixa Cultural Recife abre, nesta terça-feira (27), a primeira exposição do ano, com a 2ª Mostra Bienal Caixa de Novos Artistas. A mostra é feita a partir de conceitos de diversidade: os 30 artistas que compõem a exposição vêm de estados de todas as regiões do País e trabalham em diferentes tipos de suporte, de desenhos a esculturas, passando por fotografias, gravuras, instalações, intervenções, pinturas e vídeo. A abertura ocorre, às 19h, na Caixa Cultural Recife, reunindo 37 obras, a partir da curadoria da pernambucana Liliana Magalhães.

Leia também:
Exposição na Arte Plural contempla a diversidade
Exposição traz obras e objetos pessoais de Tarsila do Amaral ao Recife
Livro aprofunda os significados da performance nas artes

Nessa pluralidade de vozes, é recorrente a discussão sobre espaços urbanos. "O tema desta Bienal é Relações Urbanas", explica Liliana. "Na época da curadoria eu estava lendo Thomas More, o livro 'Utopia', que fez 500 anos em 2017. Na análise das obras, ficou muito evidente como a expressão da obra tem muito a ver com a cidade que o artista passou ou morou. Também me chamou a atenção o quanto as pessoas estão falando da cidade como uma entidade viva, um campo de sociabilidade forte, potente", destaca.

Pela reunião de obras, a exposição se abre para diferentes temas urgentes contemporâneos, como gênero, raça e identidade. "A arte pode afetar essa discussão através de iniciativas culturais potentes, que se preocupam em dialogar com as pessoas", diz Liliana. "Esse é um projeto feito para dialogar com a cidade e com as pessoas, provocá-las a perceber qual é a importância do outro nas relações cotidianas na cidade. Nada mais forte na atualidade do que você provocar as pessoas a sentirem e pensarem ao mesmo tempo", ressalta.

Obra da Mostra Bienal Caixa de Novos Artistas

Obra da Mostra Bienal Caixa de Novos Artistas - Crédito: Rafael Furtado/ Folha de Pernambuco

Pernambuco

Entre os 30 artistas há uma pernambucana: Cecília Urioste, que apresenta dois trabalhos: "Não é sentir" (2014) e "Ponderador" (2015). "O eixo do meu trabalho fala muito de morte, dor e doença", diz Cecília. "Em 'Não é sentir', pego um coração de porco, que tem uma anatomia parecida com a do humano, e o coloco para fora do peito. Como se eu estivesse querendo expor o que estou sentindo", explica a artista. "'Ponderador' é um diário que fiz a partir de visitas a um neurologista, que sempre me pedem para fazer um diário da dor", detalha.

A relação de Cecília com esses temas vem da sua história familiar. "Dor é uma coisa que tenho desde que me dou por gente. E vem de uma questão familiar também. Cresci numa família que durante minha infância aconteceram muitas doenças. Tive um tio que faleceu depois de cinco anos de processos de doenças. Minha mãe infartou quando eu tinha dois anos. Então eu sempre questionava a maneira como o mundo trata doenças hoje. Acho que sou uma pessoa melhor hoje porque convivi com isso de maneira natural: morte, doença e dor", opina.

Serviço:
2ª Mostra Bienal Caixa de Novos Artistas
Na Caixa Cultural Recife (Avenida Alfredo Lisboa, 505, Bairro do Recife)
Abertura: dia 27/03, às 19h
Visitação: até 27/05
Informações: (81) 3425-1915
Entrada gratuita

Veja também

Vênus inclina ao amor e à beleza

Vênus inclina ao amor e à beleza

Paço do Frevo faz live em comemoração ao Dia do Frevo de Bloco
Live

Paço do Frevo faz live em comemoração ao Dia do Frevo de Bloco