Calças pra que te quero

Peças descoladas do corpo voltam às araras trazendo mais volume e conforto para a moda feminina, em peças e modelos como a pantacourt e a pantalona

Presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL)Presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL) - Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

 

Após décadas seguindo a ditadura das calças sequinhas, tipo skinny, eis que a moda dá um refresco e propõe um visual totalmente oposto. A tendência agora é usar peças descoladas do corpo, bem mais volumosas e muito mais confortáveis. O termo usado pelos fashionistas para definir essa tendência, claro, é em inglês: oversized, traduzido nos modelos de pantacourt e pantalona.

A primeira é menos conhecida do público e demorou um tantinho para ser aceita. Mas está bombando nas vitrines há algumas temporadas e promete angariar cada vez mais adeptos. Logo de cara, pode ser que você não a veja com muita simpatia, pois a pantacourt parece uma peça de roupa com problemas de insegurança - não sabe se quer ser calça ou bermuda. Cortando a canela ao meio, realmente é bom ter cuidado com as proporções do corpo. Altura e pernas alongadas são pré-requisito para dar tudo certo.

Se esse é o seu biotipo, vale até combinar com tênis, sandália ou qualquer outro modelo de sapato baixinho. Todavia, se a genética não lhe presenteou com a característica longilínea, melhor recorrer aos saltos altos, finos ou grossos, tanto faz. Ankle boots (botas de cano médio), nem pensar. Na hora de escolher a cor do look, a monocromia sempre milita a favor do alongamento da silhueta.

Dependendo da ocasião, pode compor com top, cropped, camisa de alfaiataria, camiseta, moletom, jaqueta... “Combinar uma calça oversized com peças de outras proporções é a forma mais interessante de apostar nesta tendência. O segredo é sempre estar atento às medidas, procurando equilibrar os volumes das peças para um visual harmonioso”, ensina a empresária Alessandra Varanda, proprietária da marca carioca Feranda (www.ferandaonline.com.br).
Histórico
Também conhecida como calça mídi, a pantacourt tomou chá de sumiço desde os anos 1990. Porém trata-se de um item de vestuário bem mais antigo, mais especificamente do século 16. Nessa época, as chamadas ‘culottes’ faziam parte do closet dos nobres.

Durante a Revolução Francesa, quem se opôs aos aristocráticos ficou conhecido como ‘sans-culottes’, em alusão à peça. Um punhado de anos depois, em 1930, foi a vez das feministas, encabeçadas pela estilista italiana Elsa Schiaparelli, envergarem a bermuda longa. Esse momento foi marcante, pois liberou as mulheres de usarem os longos vestidos cheios de camadas de saias que limitavam os movimentos. E pensar que até então o sexo feminino não usava calças!

Outra estilista a realizar tamanha ousadia foi a francesa Coco Chanel, que criou a pantalona. Ampla, confortável, estilosa e sofisticada, ela não ganhou adeptas em um primeiro momento, assim como a bermuda de Elsa. Só gente de vanguarda, como as atrizes Katherine Hepburn e Marlene Dietrich tiveram coragem de tamanho atrevimento.

Durante a guerra, no entanto, quando as mulheres precisaram assumir o lugar dos homens nas fábricas, as calças viraram uniforme necessário que as mentes retrógradas tiveram que engolir. Finalmente, nos anos 1970, as pantalonas se popularizaram para nunca mais deixarem de ser um clássico da moda.

“Elas possuem bastante volume e são conhecidas por alongar a silhueta, além de combinarem muito bem com croppeds lisas”, defende Alessandra. Croppeds são blusas curtas, às vezes, deixando o umbigo à mostra. Quem sabe esse também não será o destino das pantacourts? A história dirá.

 

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