Cannes coroa japonês Kore-Eda, mas não esquece Spike Lee

A crônica familiar "Shoplifters", de Hirokazu Kore-Eda, conquistou neste sábado (19) a Palma de Ouro do Festival de Cinema de Cannes, que também premiou Spike Lee

Cena do filme "Shoplifters", de Hirokazu KoreedaCena do filme "Shoplifters", de Hirokazu Koreeda - Foto: Divulgação

A crônica familiar "Shoplifters", do aclamado diretor japonês Hirokazu Kore-Eda, conquistou neste sábado (19) a Palma de Ouro do Festival de Cinema de Cannes, que também premiou Spike Lee e a libanesa Nadine Labaki. A edição mais feminista do Festival de Cannes premiou uma segunda mulher, a italiana Alice Rohrwacher.

A cerimônia de premiação teve uma protagonista inesperada: a atriz italiana Asia Argento, que afirmou que Harvey Weinstein "nunca mais" será bem-vindo em Cannes, onde, segundo ela, o produtor americano a estuprou em 1997.

A Palma de Ouro, concedida pelo júri presidido por Cate Blanchett, dificilmente será questionada este ano. Unanimemente aclamado pela crítica, "Shoplifters" - quinto filme de Kore-Eda em competição - retrata minuciosamente uma família recomposta que se dedica a praticar furtos.

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Quem é quem? Que segredos eles escondem? O diretor de "Pais e filhos" e "Ninguém pode saber" mergulha na privacidade de cada um de seus membros, que buscam uma segunda chance de serem felizes.

Kore-Eda quis "compartilhar" o prêmio com os dois cineastas que não puderam apresentar seus trabalhos selecionados em Cannes: o russo Kirill Serebrennikov ("Leto"), em prisão domiciliar, e o iraniano Jafar Panahi ("Three Faces"), que está proibido de deixar o país.

A República do Brooklyn

Spike Lee, de volta à Croisette depois de 27 anos, ficou com o segundo prêmio por "BlacKKKlansman", uma história real de um policial afro-americano que se infiltrou na Ku Klux Klan nos anos 1970. O filme, cheio de humor e ação, envia uma mensagem contra o racismo e o presidente Donald Trump. Ao receber o prêmio, Lee o dedicou à "República Popular do Brookyln de Nova York" e advertiu contra o líder republicano "neste ano que vivemos perigosamente".

Em um festival marcado pelo histórico protesto de mulheres artistas e cineastas pela igualdade na indústria, uma delas, a libanesa Nadine Labaki, recebeu o Prêmio do Júri por "Capharnaüm", sem dúvidas o filme mais comovente da disputa, sobre uma criança e um bebê que sobrevivem nas ruas de Beirute.

O ator é um refugiado sírio de 13 anos que no filme cuida de um bebê. "A infância mal querida é a base dos males deste mundo", declarou a diretora de "Caramel" ao receber o prêmio ao lado do jovem ator, Zain Al Rafeea. "Não podemos permanecer cegos para o sofrimento dessas crianças".

Novos talentos

Nesta 71ª edição apresentada como a da renovação - com 10 cineastas disputando a Palma de Ouro pela primeira vez e apenas dois filmes americanos - foram premiados ​​dois artistas até agora desconhecido.

A atriz do Cazaquistão Samal Yeslyamova por seu papel em "Ayka", do russo Serguei Dvortsevoy, de uma imigrante ilegal que deve trair algo tão intrínseco como seu instinto maternal e abandonar seu recém-nascido em Moscou, uma cidade que a ignora e maltrata.

O italiano Marcello Fonte, em cujo currículo destaca-se o papel de figurante em "Gangues de Nova York", de Martin Scorsese, foi premiado por seu papel em "Dogman", de Matteo Garrone, na pele de um cabeleireiro de cães, insignificante, de boa índole e covarde, que é arrastado para o inferno por um amigo sem caráter.

Jean-Luc Godard, lenda do cinema francês, recebeu a Palma de Ouro especial por "Le Livre d'imagem", um filme hermético que vem a ser uma reflexão sobre o mundo de hoje.

O prêmio de melhor diretor foi para o polonês Pawel Pawlikowski por "Guerra Fria", uma história de amor entre uma dançarina e seu diretor, ambientada ao longo de várias décadas no pós-guerra na Polônia e Paris.

Alice Rohrwacher e os iranianos Panahi e Nader Saeivar foram premiados, respectivamente, ​​com o prêmio de melhor roteiro por "Lazzaro felice" e "Three Faces". A filha de Panahi recebeu o prêmio.




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